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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição

 
:: GERAL ::

Ouvidoria
A Unesp, realidades e avaliações

José Ribeiro Junior

A Unesp, como toda universidade pública, atua em múltiplos segmentos, não só da vida acadêmica, seu principal objetivo, como também na social. É irresponsabilidade e falta de consciência cidadã ignorar os desníveis na sociedade brasileira e nos preservar numa torre de marfim. Tarefa complexa, portanto, o envolvimento com a realidade social e, na outra ponta, a busca da excelência do ensino e da pesquisa. Impossível, a nosso ver, seguir a recomendação da Demos, organização inglesa de estudos estratégicos, que sugere discutir a “tensão entre gastar dinheiro com ciência ou combater as desigualdades” (Pesquisa Fapesp, agosto de 2008, p. 36). Na mesma revista, artigo assinado por Fabrício Marques aborda resultados incongruentes de rankings sobre crescimento da produção acadêmica brasileira.

Há, atualmente, uma saudável preocupação em mensurar, para avaliações, desde os fundamentos da economia até a situação do ensino no Brasil. O ensino nos tem chamado mais a atenção por ser assunto mais ligado a nossas preocupações com a cidadania.

Em matéria publicada na revista Veja, de 20 de agosto, constatam-se dados alarmantes sobre o ensino básico no Brasil. E o agravante, conforme levantamento da CNT/Sensus, é a falta de consciência de alunos que acham que aprendem, professores que pensam que ensinam e pais cuja maioria está satisfeita com a escola.

Sem esquecer da irrefutável debilidade do ensino médio, de tantos e justos clamores e desequilíbrios revelados pelo Enem, passemos ao Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) de 2007, o antigo Provão. A Unesp fez sua parte, entre as universidades públicas – obteve nota máxima em seis cursos –, com o melhor desempenho. O contraste entre as universidades públicas e as particulares, aliás, é gritante. Em decorrência, somos levados a pensar criticamente os programas de auxílio ao estudante no ensino superior brasileiro.

Por último, gostaríamos de comentar um assunto em que a Unesp está vivamente empenhada, a sua internacionalização. Têm sido feitos redobrados esforços, que, com certeza, frutificarão. A Folha de S. Paulo divulgou (Caderno Cotidiano, 2 de agosto, p. 5) um ranking das melhores universidades do mundo. Evidentemente, as mais bem colocadas localizam-se em países desenvolvidos. Ainda assim, a USP, fundada em 1934 – a Unesp é de 1976 –, ocupa lugar respeitável. É exemplo a ser seguido. O critério da avaliação foi o número de artigos publicados no Exterior. Sabe-se que, na Unesp, algumas áreas do saber necessitam mais reforços do que outras que já apresentam nível bastante elevado.

A nossa Universidade tem potencial para se superar e preparar-se para obter o respeito acadêmico internacional, sem nunca abandonar sua realidade cidadã de formar o profissional consciente de suas obrigações sociais.

 
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