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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição

 
:: CULTURA ::

Editoração
Por um País de leitores
José Castilho Marques Neto fala dos desafios à frente do Plano Nacional do Livro e Leitura

À frente do PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura), vinculado aos Ministérios da Cultura e da Educação, que completou dois anos em agosto, José Castilho Marques Neto tem como desafio contribuir para democratizar o acesso ao livro no Brasil. Secretário-executivo do PNLL e, desde abril de 1996, diretor-presidente da Fundação Editora da Unesp (FEU), ele é graduado e doutor em Filosofia pela USP e docente da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara. Especializou-se também em editoração universitária, sendo consultor de organismos nacionais e internacionais de editoração e leitura, tendo dirigido diversas entidades e instituições do livro e da leitura. (Entrevista a Oscar D’Ambrosio)

Jornal Unesp: Como surgiu o convite para assumir a secretaria-executiva do PNLL?
José Castilho Marques Neto: A origem dessa missão foi o engajamento da Fundação Editora da Unesp (FEU) no Viva Leitura, nome dado no Brasil ao Ano Ibero-americano da Leitura, que aconteceu em 2005. A FEU foi convidada a participar por ter tradição, assim como a nossa Universidade, de engajamento em atividades em cooperação com a sociedade. Como coordenador-executivo do programa Viva Leitura, organizei o I Fórum do PNLL em março de 2006, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Na ocasião, foi lançada a proposta do PNLL. O convite para assumir a secretaria-executiva do Programa veio no momento em que o coordenador do Viva Leitura, que veio a ser PNLL, Galeno Amorim, se afastou do governo em maio de 2006.

JU: Quais eram as prioridades?
Castilho: As principais tarefas eram institucionalizar o plano como programa do governo federal numa parceria entre os Ministérios da Cultura e da Educação. Recebi autorização da administração central da Unesp para exercer a coordenação-executiva do PNLL, função sem remuneração – o que garante autonomia no processo decisório – , e me afastei parcialmente das atividades na FEU. Em 14 de agosto de 2006, foi promulgada a Portaria Interministerial Minc/MEC nº 1442, que criou o PNLL e me nomeou secretário-executivo. Em agosto de 2006, para viabilizar o PNLL, foi celebrado um convênio entre o Minc e a FEU, pelo qual o Ministério repassa para a Fundação uma verba que ela gerencia para viabilizar a implementação do PNLL. Não é só uma responsabilidade, mas um orgulho participar como protagonista de um momento excepcional da história do País. Foram mais de 150 reuniões presenciais e algumas videoconferências.

JU: Qual é a avaliação das ações do PNLL nesses dois anos de existência?
Castilho: Durante o II Fórum do PNLL, em agosto, verificamos mudanças importantes de mentalidade. O MEC, que já tem o maior programa de compra de livros do mundo, começou a ver com bons olhos a aplicação de recursos na formação de professores leitores, na criação de bibliotecas em salas de aula e na reintrodução da literatura como matéria curricular. No Minc, há um programa maciço de investimento em bibliotecas públicas.

JU: E quais são os próximos desafios?
Castilho: Estamos construindo as bases de um grande plano de desenvolvimento do livro e da leitura, que precisa virar lei para ser uma política pública acima de partidos políticos, tornando-se uma política de Estado. Nos próximos meses, será enviado ao Congresso Nacional um projeto de lei para criação de um Fundo Pró-Leitura, que arrecadará 1% do faturamento de todo o setor editorial livreiro, aproximadamente R$ 50 milhões anuais somente do setor privado, para o desenvolvimento da leitura e sustentação dos objetivos dos quatro eixos do PNLL, que gerenciará esses recursos (veja quadro abaixo). Temos ainda, 500 anos após Gutemberg, que democratizar o acesso ao livro. Trata-se da missão de implantar e abrir caminhos, algo que é próprio da Editora Unesp.

O que é o Plano

O PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) é um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento no País, empreendidos pelo Estado (em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade. A prioridade do PNLL é transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia-a-dia do brasileiro.

Seus quatro eixos de ação são: a democratização do acesso ao livro; o fomento à leitura e formação de mediadores; a valorização da leitura e comunicação; e o apoio à economia do livro. OD

 
Opiniões das autoridades

“O PNLL surgiu da consciência que precisávamos de uma estratégia que envolvesse vários projetos articulados em direção ao estímulo da leitura na sala de aula, na família, no trabalho.”
Juca Ferreira
Ministro da Cultura

“O plano está sendo muito bem conduzido, com convergência de objetivos de vários setores.”
Rosely Boschini
Presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro)

“Com linhas de ação bem claras e definidas, o PNLL tem colocado o livro no lugar de destaque no imaginário do brasileiro. O professor Castilho tem conseguido articular todos os ministérios e atores na condução do plano.”
Jefferson Assunção
Coordenadoria do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura


 
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