UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição [Voltar]
 
:: ELEIÇÃO UNESP 2008 ::

Entrevista

Herman Jacobus Cornelis Voorwald
"Somente por meio do respeito aos processos colegiados poderemos atender a demandas sociais sem prejuízo
da qualidade e da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão"

Qual é o papel das universidades públicas, especialmente da Unesp, numa sociedade do conhecimento, em que o aprender a aprender é cada vez mais valorizado?
Com seu alto desempenho acadêmico e com sua autonomia didático-científica, uma universidade pública como a Unesp tem grande responsabilidade nesse desafio, no qual têm importância fundamental não só o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, mas também o dos processos de ensino-aprendizagem e de compartilhamento social do conhecimento. O desenvolvimento sustentável, a promoção da qualidade de vida e o respeito à diversidade cultural exigem que edifiquemos sociedades do conhecimento compartilhado, e não uma sociedade da informação alicerçada exclusivamente no desenvolvimento tecnológico e gerencial. Temos de ser cada vez mais uma Unesp que pensa, fala, critica, debate, luta, se manifesta, se impõe no cenário acadêmico e expressa sua integração com todos os segmentos e com a afirmação da cidadania, como ressalta nosso Plano de Gestão.

Como enfrentar o desafio, sem perder a qualidade do ensino, de combinar a viabilidade financeira da universidade pública com a crescente demanda social por um maior número de vagas no ensino superior?
Essa demanda deverá ser permanente por algum tempo, e, por essa razão, deverá ser posta em questão permanentemente. Não podemos ser alheios nem insensíveis a ela. Nos termos da pergunta formulada, atender a essa reivindicação é um desafio cuja solução já se tornou possível graças ao recente resgate dos processos colegiados de discussão e decisão. É deles que emana a vontade institucional que deve prevalecer na deliberação sobre temas relevantes para nossa Universidade. É somente por meio do respeito aos processos colegiados que poderemos atender a essa demanda social sem prejuízo da qualidade e da indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão, sem prejuízo de nossas prioridades institucionais, de nossas diretrizes e, acima de tudo, de nossa autonomia didático-científica, orçamentária, financeira e de gestão patrimonial.

Como o senhor avalia a relevância estadual, nacional e internacional das pesquisas científicas realizadas pela Unesp? O que o senhor propõe nessa área?
A Unesp é uma das universidades mais importantes do País e da América Latina, e figura também em levantamentos internacionais baseados principalmente em indicadores de desempenho em pesquisa. Temos muitos grupos de pesquisa com resultados relevantes do ponto de vista social e acadêmico. E temos também bons indicadores de desempenho em pesquisa, mas que devem ser considerados com discernimento, especialmente os de publicações e citações, cuja avaliação, sob o aspecto quantitativo, exige critérios muito distintos para as áreas de Humanidades, Ciências Biológicas e Ciências Exatas e Tecnologia. Porém, todos esses resultados, por si sós, mostram muito pouco do esforço não só da pesquisa, mas também da pós-graduação, desde nossa fundação há 32 anos, a partir de diversas unidades isoladas, cuja maioria se baseava no ensino de graduação. Nosso Plano de Gestão prevê diversas ações para a pesquisa, e todas pressupõem maior articulação com o ensino e a extensão, integrando nossos alunos desde cedo à investigação científica e também a Universidade à comunidade.

Qual a importância que o senhor atribui às atividades universitárias de extensão? Qual é a sua visão dessa atividade na universidade pública e, em especial, na Unesp?
Além de ser indissociável do ensino e da pesquisa, a extensão tem de ser orientada pelo objetivo de integrar a universidade e a sociedade em uma relação de mútua colaboração para o desenvolvimento. Isso significa que as universidades têm também muito a aprender com a comunidade. Sem essa perspectiva, corre-se o risco de cair em um assistencialismo com pouco a oferecer para ambos os lados. Na Unesp, graças, entre outros esforços, à elaboração de critérios institucionais para concessão de bolsas e para avaliação de projetos e de docentes, a extensão universitária atingiu nestes últimos anos um alto nível de desempenho, que deverá ser ainda maior com a implementação das ações previstas em nosso Plano de Gestão.

 

 
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