UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição [Voltar]
 
:: ELEIÇÃO UNESP 2008 ::

Entrevista

Amilton Ferreira
"O ensino, a pesquisa e a extensão
universitária são atividades
igualmente
prioritárias na Unesp"

Qual é o papel das universidades públicas, especialmente da Unesp, numa sociedade do conhecimento, em que o aprender a aprender é cada vez mais valorizado?
Tal papel é muito relevante. São as universidades públicas que devem criar e desenvolver metodologias para que seja cada vez maior o acesso de brasileiros à informação e ao conhecimento, por via da Internet e de outros recursos gerados pela tecnologia da comunicação. Mas não apenas o acesso, e sim também o domínio de métodos para a utilização das informações e conhecimentos.

Como enfrentar o desafio, sem perder a qualidade do ensino, de combinar a viabilidade financeira da universidade pública com a crescente demanda social por um maior número de vagas no ensino superior?
É justa aspiração da sociedade o aumento de vagas, cursos e unidades. A partir de 2002, a Unesp realizou uma notável expansão, criando nas unidades tradicionais 39 cursos novos e oito nas unidades conhecidas hoje como experimentais. E sem aporte de recursos permanentes além dos que deveriam ser destinados às unidades experimentais, por força de compromisso com o Estado e com a Assembléia Legislativa. Outra expansão como essa só será possível quando e se houver recursos permanentes e após avaliação da situação da graduação, considerando-se todos os parâmetros diretamente vinculados à qualidade de ensino. Quando membro do Cade, tive aprovada uma proposta que concedia às unidades com cursos novos dois meses para encaminhar à comissão designada à avaliação de tais cursos relatório das dificuldades que enfrentavam. O Cade recebeu as informações dentro do prazo, mas a avaliação jamais ocorreu.

Como o senhor avalia a relevância estadual, nacional e internacional das pesquisas científicas realizadas pela Unesp? O que o senhor propõe nessa área?
A Unesp é uma das cinco universidades mais produtivas do País em número de artigos. O quadro, porém, muda de figura quanto ao número de citações desses artigos: ficamos numa incômoda 21ª posição. Conclusão: de efeitos nefastos em centros mais desenvolvidos, a pressão por publicação também prejudica a Unesp. Devemos reavaliar essa política. Ainda assim, temos destaques: os resultados do estudo do genoma das bactérias responsáveis pelo amarelinho (doença que vitimou a produção de laranjas); os trabalhos publicados na Science por docentes da Unesp de Rio Claro relacionando a degradação do meio ambiente e a extinção de espécies de anfíbios; o Centro Brasileiro de Estocagem de Genes, localizado na FCAV de Jaboticabal, com capacidade de acumular 2,28 milhões de clones de genes. Na área de Humanidades, as pesquisas que desde finais da década de 1970, em artigos, dissertações, teses e livros, como o de Maria Aparecida de Moraes Silva, do câmpus de Araraquara — Errantes de fim de século, Editora Unesp, 1999 —, vêm chamando a atenção do País para a exploração desumana que sofrem os bóias-frias, inclusive ainda hoje, como se lê no suplemento “Mais!” da Folha de S. Paulo de 24-8-2008, dedicado aos bóias-frias e intitulado Os anti-heróis. Propomos a indução e a valorização de projetos de pesquisas interunidades visando à solução de problemas regionais e nacionais e envolvendo pesquisadores das várias áreas do conhecimento, como a produção de biocombustível.

Qual a importância que o senhor atribui às atividades universitárias de extensão? Qual é a sua visão dessa atividade na universidade pública e, em especial, na Unesp?
Pesquisas que possam estimular o avanço social devem ser disponibilizadas à sociedade. A melhor maneira de fazê-lo é por intermédio da extensão. Devem ser evitadas, porém, tanto as ações assistencialistas quanto as voltadas para a prestação de serviços ao setor privado, atividades essas de responsabilidade do Estado e das empresas. A Unesp deve desenvolver, além das atividades de extensão próprias de cada unidade, um projeto institucional que caracterize a sua função social, como, por exemplo, um programa de divulgação de ciência, cultura e tecnologia realizado por todas as suas unidades, levando-as a aproximar-se da comunidade por intermédio da disseminação de conceitos científicos, tão presentes no cotidiano, mas de difícil compreensão para a população.

 

 
  ACI