UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição

 
:: EDITORIAL ::

Os números do Enade e os nossos desafios

No início de agosto, o nome da Unesp teve destaque na imprensa devido a seus ótimos resultados no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes). Comemoramos com satisfação esses indicadores, mas é preciso que nos detenhamos na reflexão sobre eles, as condições institucionais que os viabilizaram e o que há para ser feito não só para mantê-los, mas para melhorá-los ainda mais.

Primeiramente, esse desempenho não teria sido possível sem aquilo que tem sido ressaltado por esta gestão em suas diversas formas de manifestação: o resgate de um princípio, que é o da condução dos rumos institucionais por meio das decisões colegiadas. Trata-se de uma conquista que não pertence somente a esta administração, mas a toda a comunidade unespiana.

Em segundo lugar, foi justamente graças ao apoio dos órgãos colegiados que conseguimos alcançar tanto a estabilidade institucional necessária para concentrar nossos esforços e nossos recursos em prioridades, como também o fortalecimento dos diversos programas, em especial o de graduação. Foi desse modo que pudemos, por um lado, preencher 269 vagas para docentes em RDIDP e fazer investimentos crescentes em instalações e equipamentos voltados ao ensino – que saltaram de R$ 3 milhões em 2006 para R$ 8 milhões em 2008 –, e, por outro lado, avançar com oficinas e diversas ações de aprimoramento didático-pedagógico.

Em terceiro lugar, temos de considerar também a história da Unesp, no sentido de que somos o resultado de todas as dificuldades e oportunidades que enfrentamos desde nossa fundação em 1976 e também de todas as escolhas que fizemos diante delas. Nesse histórico, nunca será demais ressaltar a determinação, muitas vezes heróica e quase anônima, de tantos que nestes 32 anos sempre lutaram pela melhoria do ensino superior público de qualidade.

Finalmente, os resultados alcançados não estão aí só para serem contemplados. Nossa autonomia didático-científica e de gestão orçamentária, financeira e patrimonial tem como contrapartida grandes desafios. Um deles é assegurar a qualidade do ensino superior público de qualidade com uma realidade orçamentária dependente da economia em geral e com uma sociedade com problemas crônicos na educação e demandas diversas, inclusive por aumento de vagas.

Temos de progredir cada vez mais como uma verdadeira Universidade, ou seja, na indissociabilidade desse ensino com um dos maiores programas de extensão do País e com a pesquisa que responde por grande parte da produção científica brasileira de nível internacional, uma das que mais cresceram em todo o mundo nas últimas décadas.

Em outras palavras, nossos resultados no Enade nos trazem orgulho, mas devem ser vistos também em função da responsabilidade que temos pela frente com nosso ensino.

 
  ACI