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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição

 
:: TECNOLOGIA ::

Física
Análise de açúcar muito mais precisa com “língua eletrônica”
Grupo de Presidente Prudente avalia sabores e pureza de produtos por meio do equipamento

Uma pesquisa coordenada pelo professor Aldo Eloizo Job, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente, analisou os diferentes sabores e determinou o grau de pureza de três variedades de açúcar, utilizando um aparelho conhecido como “língua eletrônica”. “Conseguimos atingir os resultados que buscávamos”, afirma Job. O trabalho é uma parceria com a empresa Univalem (Indústria de Açúcar e Álcool Usina da Barra S/A).

Professor do Departamento de Física, Química e Biologia, Job destaca que a língua eletrônica consegue identificar diferentes paladares do açúcar mesmo quando as amostras são diluídas abaixo do limite da sensibilidade humana. “Pelo fato de o açúcar não conduzir eletricidade, a análise química tradicional não consegue fazer distinções tão sensíveis”, enfatiza.

A “língua eletrônica” utiliza unidades sensoriais, ou seja, placas feitas a partir de uma base de vidro, sobre a qual são depositados eletrodos de estruturas metálicas à base de ouro. Posteriormente, cada uma delas é recoberta por filmes ultrafinos, cuja função é conduzir eletricidade. “Cada unidade sensorial responde de forma diferente aos diversos sabores, em função dos inúmeros tipos de filmes depositados”, informa Fernanda Lanzoni Migliorini, aluna do quarto ano do curso de Física da FCT que participa do projeto.
A aluna desenvolveu os filmes em sua pesquisa de iniciação científica, que recebeu menções honrosas no 15º Congresso de Iniciação Científica realizado na USP e no III Encontro de Verão de Física do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica).

Colaboração – A língua eletrônica foi produzida por uma equipe do Centro Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Instrumentação Agropecuária da Embrapa de São Carlos (SP), entre eles Antonio Riul Júnior, atualmente professor da UFSCar, que auxiliou no estudo das variedades de açúcar. Outra colaboradora do trabalho coordenado por Job é a mestranda em Ciência e Tecnologia de Materiais Wanessa Steluti, da FCT.

A Univalem produz três linhas de açúcar. O VHP (Very High Polarization), o VVHP (Very Very High Polarization) e o orgânico. Os dois primeiros são produtos brutos, que permitem aos consumidores transformá-los em diferentes tipos de açúcares. O orgânico não passa pelo processo de refino nem recebe aditivos químicos.

Renato Coelho


 
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