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Novembro/2007 – Ano XXI – nº 228   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: LANÇAMENTOS ::

História
Uma conversa sobre a Revolução Francesa
Como se conversasse com a neta, historiador analisa o processo que iniciou Idade Contemporânea

Costuma-se limitar a Revolução Francesa ao período de 5 de maio de 1789 a 9 de novembro de 1799. Trata-se de um período que modificou significativamente o quadro político e social da França. Houve a derrubada do Antigo Regime, dominado pelo clero e a nobreza, e o fortalecimento de uma sociedade liberal, em que a burguesia passou a dar as cartas.

Influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Norte-americana (1776), a Revolução é considerada o marco inicial da Idade Contemporânea, principalmente por ter abolido a servidão e proclamado os princípios universais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. No entanto, essa história está repleta de avanços e retrocessos, lutas pelo poder, idealismo e violência.

Neste livro, o desafio de Michel Novelle, um dos mais conhecidos historiadores franceses contemporâneos, é explicar a complexidade e as contradições da Revolução para sua neta de 14 anos. Surpreende a forma como ele consegue refletir sobre os principais fatos históricos de maneira didática e agradável, já que o livro é redigido na forma de diálogo.

É enfatizado o fato de o término dos privilégios da nobreza e do clero ser um passo importante para motivar outros movimentos revolucionários pela igualdade. O livro se debruça, em linhas gerais, sobre a monarquia constitucional que dominava a França, sua queda e os períodos pelos quais
a Revolução passou: Assembléia Constituinte,
Assembléia Legislativa, Convenção e Diretório.

A explicação sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão é um dos pontos altos da obra. Ela nasce dentro do espírito da Assembléia Nacional Constituinte, que aprovou uma legislação que abolia o regime feudal e senhorial, suprimia o dízimo e proibia a venda de cargos públicos e a isenção tributária das camadas privilegiadas.

Inspirada na Declaração de Independência dos Estados Unidos, a Declaração francesa, certamente sob alguma influência do embaixador dos EUA em Paris, Thomas Jefferson, funciona como síntese do pensamento iluminista liberal e burguês, enfatizando o direito de todos à liberdade, propriedade, igualdade jurídica e a resistência à opressão.

Por meio de numerosos questionamentos, a neta obriga o historiador a refletir sobre os caminhos que a Revolução Francesa tomou. Uma conclusão importante é que, embora os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade fossem amplamente divulgados e constituíssem uma esperança, a desigualdade social e a riqueza continuaram existindo.

O critério que passou a determinar a desigualdade deixou de ser o do nascimento, tradição e sangue. O dinheiro e a propriedade passaram a definir, em boa parte, o destino das pessoas. Se a Revolução, como conta o avô, derrubou o feudalismo, não conseguiu – até hoje – sucesso em questões como a conquista da liberdade da mulher e a eliminação das injustiças econômicas. Mas essa já é uma outra história para a neta de Vovelle perguntar.

A Revolução Francesa explicada à minha neta – Michel Vovelle; tradução Fernando Santos; Editora UNESP; 102 páginas;
R$ 22,00. Informações: www.editoraunesp.com.br ou pelo telefone (11) 3242-7171

Oscar D'Ambrosio


 
 
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