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Novembro/2007 – Ano XXI – nº 228   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS HUMANAS ::

Memória
Filme narra exílio de ex-docente da UNESP
Terrorista, curta exibido no Cedem, discute experiência de professor perseguido no regime militar

Acusado de terrorismo em 1969, Percy Sampaio Camargo, ex-professor da UNESP, viveu dez anos como exilado político, inicialmente no Chile e, depois, na Holanda. Essa experiência amarga é o tema do documentário Terrorista, de César Meneghetti. O trabalho, que apresenta um diálogo entre o diretor e Camargo, entremeado de imagens da época, foi apresentado no dia 24 de setembro, no Centro de Documentação e Memória (Cedem), na Praça da Sé, em São Paulo. Após a exibição, houve um debate com o protagonista e o criador do filme.

Microbiólogo, Camargo lecionou na Faculdade de Odontologia de Araçatuba, entre 1960 e 1969 e, após a anistia política, de 1980 até sua aposentadoria, em 1991, quando a unidade já integrava a UNESP. Na obra, Camargo, hoje com 75 anos, conta sua trajetória, que se funde com a dinâmica histórica brasileira, num momento conturbado, quando o regime militar restringiu liberdades e perseguiu oponentes.

A narrativa apresenta situações dramáticas enfrentadas pelo ex-docente, como a necessidade de também fugir do Chile, onde se refugiara, depois do golpe liderado por Augusto Pinochet, em 1973. De qualquer forma, o ex-exilado disse que evita recordar os momentos ruins. “Prefiro lembrar da solidariedade das pessoas, daqui e de outros países”, argumentou.

Para o diretor, o objetivo do documentário é focalizar a história do Brasil por meio de uma testemunha direta dos fatos. “Narrar a história de um brasileiro vivendo sem o Brasil foi muito emocionante, porque ela se une um pouco com a minha trajetória, já que não moro no País há 20 anos”, afirmou Meneghetti, que vive em Roma.
Obra premiada

Além de Camargo e Meneghetti, o debate após a exibição teve a presença de Carlos Botazzo, ex-aluno do microbiólogo, e foi mediado pela coordenadora do Cedem Anna Maria Martinez Correa. Ao abrir as discussões, Camargo agradeceu a iniciativa do Centro. “É muito emocionante voltar à sala onde fui conselheiro”, ressaltou, numa referência à antiga sala onde se reunia o Conselho Universitário da UNESP.

Na seqüência, foi a vez de Botazzo expor suas idéias sobre Terrorista. “É interessante ver o modo que as pessoas se questionam após assistir ao documentário”, disse. As discussões com o público abordaram temas que foram de democracia e repressão até o Bolsa Família.

O projeto do documentário foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e recebeu o prêmio de produção de curta para mídias digitais no IV Programa Petrobras Cultural 2005/2006.

Mais informações sobre o filme
podem ser obtidas no blog:
www.filmeterrorista.blogspot.com

Danilo Koga

 

 

 
  ACI