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Novembro/2007 – Ano XXI – nº 228   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: EXTENSÃO ::

Congresso
Encontro debate violência
Mais de 500 docentes e alunos participaram de evento, que apresentou 350 projetos em diversas áreas

As diferentes formas de violência na sociedade brasileira e o papel da universidade pública para reverter o quadro atual foram debatidos no IV Congresso de Extensão Universitária da UNESP, realizado em Águas de Lindóia, de 16 a 18 de outubro. Organizado pela Pró-reitoria de Extensão Universitária (Proex), o encontro teve como tema “Violência: educação, desigualdade e direitos humanos – por uma cultura de paz”. O evento reuniu especialistas de várias instituições, dirigentes da UNESP e cerca de 500 professores orientadores e alunos participantes de projetos de extensão.

“A violência se expressa hoje não só na agressão física. Preconceito, desigualdade socioeconômica e exclusão são formas de violência social”, comentou a pró-reitora de Extensão Maria Amélia Máximo de Araújo, durante o encontro. Na conferência de abertura, a delegada Luciane Cristina de Souza, do Departamento de Inteligência da Polícia Civil do Estado de São Paulo, enfatizou a necessidade de interação dos setores sociais para a prática de uma cultura de paz e salientou a importância da mídia no processo. “A notícia de atos violentos é espetacularizada, dada com sensacionalismo. Isso gera na população uma grande sensação de insegurança”, disse.

Na cerimônia de abertura, o vice-reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald e o diretor-vice-presidente da Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp) José Luz Silveira anunciaram o Programa de Fomento à Extensão, que destinará um total de R$ 750 mil até 2008 para projetos da área. “Esses recursos são um reconhecimento do crescimento das atividades extensionistas na Universidade nos últimos anos”, comentou Voorwald.

Projetos e prêmios

O congresso envolveu 4 mesas-redondas, 7 minicursos e a apresentação dos trabalhos. Ao todo, foram apresentados 350 projetos, dos quais 9 tiveram exposição oral e foram divididos nas três grandes áreas – Biológicas, Exatas e Humanas –, enquanto 341 foram expostos em painéis e separados em 11 áreas temáticas, tendo sido selecionados num universo de 572 inscritos. Para fazer a seleção, a Comissão Científica do evento utilizou critérios como o impacto na comunidade, articulação ao ensino e à pesquisa e apresentação formal.

Ao todo, 14 projetos foram premiados, sendo que cada um deles recebeu o valor de R$ 1 mil, oferecidos pelo Banco Santander. No grupo das exposições orais, a estudante Monique Medeiros, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), câmpus de Botucatu, foi a vencedora na área de Exatas, com um trabalho de ensino de técnicas agroecológicas para agricultores familiares no Vale do Ribeira. “Tivemos a oportunidade de mostrar o impacto do projeto na vida das comunidades e na nossa formação”, comentou a aluna.

Entre os professores que participaram do congresso estava a antropóloga Sueli Aparecida Itman Monteiro, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Araraquara. Além de ter ministrado o minicurso “Violência, grupos de adolescentes e instituição escolar”, ela foi a orientadora de um dos projetos expostos em painéis. “A participação no congresso permite uma troca muito intensa”, afirmou. “Ao vermos a empolgação dos estudantes apresentando seus projetos, nos animamos a continuar com o trabalho.”

Nos intervalos das atividades, alunos de Artes Cênicas e Música do Instituto de Artes, câmpus de São Paulo, fizeram apresentações para os presentes. Para Maria Amélia, é significativo que dois terços dos trabalhos do congresso tenham se concentrado nas áreas de educação e saúde. “Os projetos apontam a direção que devemos seguir para estimular uma cultura de paz”, avalia

Para conhecer os trabalhos apresentados e premiados no evento, acesse: http://www.unesp.br/proex/congressos/4congresso/4congresso.php

Especialistas debatem soluções para situação social

O desafio da violência e a busca de soluções para combatê-la foram o eixo de quatro mesas-redondas do congresso, que reuniram vários especialistas. O filósofo Clodoaldo Meneguello Cardoso, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), câmpus de Bauru, destacou a intolerância como causa do problema. “A violência ocorre ao reduzir-se o sujeito a objeto. Dessa forma, o indivíduo enxerga o outro não mais como um sujeito dotado de autonomia e de direitos, e sim como uma coisa”, explica.

O professor participou da mesa-redonda com o secretário-adjunto de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo Izaias José de Santana. O respeito às diversidades, para Santana, deveria ser o principal foco de políticas públicas. “As políticas de caráter universal mantêm as diferenças entre os grupos. O Estado deve ter um olhar atento a esses grupos e minorias”, assinalou.

Já o trabalho na formação dos policiais como forma de evitar ações violentas foi destacado pelo coronel da Polícia Militar do Estado Raugeston Benedito Bizarria Dias.
“Também considero importante uma interação de nossa corporação com as universidades”, disse.

Outra proposta ressaltada foi a maior atuação dos pesquisadores da universidade na formulação de políticas públicas. Como exemplo dessa alternativa, Suely Andruccioly Felix, da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), câmpus de Marília, expôs a experiência do Grupo de Pesquisa e de Gestão Urbana de Trabalho Organizado (Guto). Parceria entre universidade, poder público e sociedade civil, o Guto desenvolve pesquisas sobre segurança pública, violência e cidadania e acesso à justiça, em Marília. Já Margarita Rosa Gavidia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, falou da experiência da política de segurança em Bogotá (Colômbia).

O professor Augusto Caccia Bava Júnior, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Araraquara, abordou o projeto de extensão e pesquisa que coordena, voltado para meninas e adolescentes carentes da região. “Entre outras iniciativas, prestamos esclarecimentos sobre temas como menstruação e lutamos para que haja distribuição gratuita de absorventes nas escolas públicas”, acentuou. As análises e propostas expostas nas quatro mesas-redondas serão publicadas num documento a ser encaminhado para entidades governamentais e da sociedade civil.

 

UNATI realiza palestra e atividades

Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) realizou o V Seminário juntamente com o Congresso de Extensão, em Águas de Lindóia. Participante do evento, o professor José Luiz Riani Costa, do Instituto de Biociências (IB), câmpus de Rio Claro, e secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, mostrou um quadro evolutivo da legislação e das políticas públicas voltadas para o bem-estar do idoso. Já a professora Maria Alves de Toledo Bruns, da USP-Ribeirão Preto, fez uma palestra sobre o processo de envelhecimento humano.

 

Daniel Patire

 

 

 
  ACI