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Novembro/2007 – Ano XXI – nº 228   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: PÓS-GRADUAÇÃO ::

Entrevista - Renato Janine Ribeiro
Avaliação será mais rigorosa e quadriena
Diretor da Capes discute temas como resultados da mais recente avaliação trienal, novos quesitos e prazos para analisar programas e acesso a periódicos científicos no portal da agência federal

A avaliação nacional dos programas de pós-graduação, organizada pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) será cada vez mais rigorosa e abrangente. Na mais recente avaliação, foi levado em conta mais um quesito, o de inserção social, e, até 2010, outras exigências, como inovação tecnológica e registro de patentes, serão consideradas na atribuição de conceitos. Além disso, as avaliações passarão a ser quadrienais, com reavaliações a cada dois anos dos programas com melhoras ou pioras significativas.

Essas novidades foram anunciadas pelo diretor de Avaliação da Capes, Renato Janine Ribeiro, em entrevista exclusiva ao Jornal UNESP. Entre outros temas, Ribeiro comentou os resultados da avaliação trienal 2004-2006, anunciados em outubro, em que foram analisados 2.266 programas.

Jornal UNESP: Como o senhor analisa os resultados da avaliação trienal dos cursos de pós-graduação?
Renato Janine Ribeiro: Quanto à coleta e análise de informações, demos saltos gigantescos, que constam numa série de artigos no Portal da Capes http://www.capes.gov.br/servicos/salaimprensa/artigo_avaliacaotrienal.html. As avaliações garantem à nossa pós-graduação uma qualidade que nenhum outro nível de ensino brasileiro alcança e evitam que os alunos sejam orientados ou ensinados por quem não pesquisa.

JU: Houve um aumento de cursos com avaliação 1 e 2. Como esses resultados devem ser interpretados?
Janine: Geralmente, as pessoas se atêm à porcentagem de programas excelentes que subiram, mas não é isso. O porcentual pode até baixar, mas devido ao nível de exigência, que aumenta a cada ano. Por exemplo, na última avaliação, passamos a incluir o quesito inserção social, com peso de 10%.

JU: Qual é o impacto da avaliação da Capes para a produção científica?
Janine: Com o investimento de R$ 7 milhões por ano na avaliação dos cursos de mestrado e doutorado no País, em vinte anos, a formação de doutores se multiplicou por dez e a produção científica qualificada, por nove. A Capes, bem como outras agências, investiu também em fomento. Enquanto a produção do mundo dobrou, desde a década de 1980, a do Brasil cresceu nove vezes. Nenhum outro país tem uma avaliação que se compare à nossa, aliás, a maior parte nem avaliação tem.

JU: Qual é o impacto do Portal da Capes para o aumento da produção científica brasileira, principalmente em relação ao acesso a periódicos
científicos?
Janine: No início, o custo do Portal era próximo do que a Capes despendia para assinar revistas em papel, o que só beneficiava algumas instituições. Sete anos depois, passamos de 2 mil para 11 mil periódicos assinados, sem contar com as bases de patentes e de outros dados. Junto com a avaliação e o sistema de fomento, o impacto do Portal foi brutal. (Veja quadro.)

JU: Como o senhor analisa as discussões para as mudanças do sistema de avaliação da Capes?
Janine: Elas são importantes e nunca devem parar. É preciso qualificar melhor a avaliação, definir as áreas que necessitam de maior debate e incentivo. Vamos incluir livros e produção artística nos Qualis (sistemas de classificação dos veículos de divulgação científica), e também quesitos como patentes e inovação tecnológica. O desafio é manter a avaliação trienal até 2010 e transformá-la em quadrienal no período seguinte. Em 2014, será a primeira quadrienal, analisando o período 2010-2013. Ao fim de dois anos, em 2012, vamos verificar os programas que se afastaram significativamente da média, para cima ou para baixo. Eles serão “repescados” para promoção ou rebaixamento.

JU: Quais as vantagens dessa mudança na periodicidade?
Janine: A eventual avaliação quadrienal coincidiria com o final do mandato do presidente da República. No nosso caso, uma mesma diretoria conduziria o processo inteiro de avaliação. É o mesmo que o professor Macari, quando pró-reitor da UNESP, instituiu ao criar um mandato de coordenador de pós-graduação que coincide com o período de avaliação da Capes. Foi uma grande idéia, porque cada coordenador fica responsável pela nota de seu programa. Aliás, na gestão Macari, a Pró-reitoria da UNESP, ora com a professora Marilza, tem sido uma das que melhor interagem e atuam com a Capes.

JU: Como a Capes administra as tarefas de fomento à pesquisa e a avaliação dos cursos de pós-graduação do País?
Janine: O fomento sem avaliação é dinheiro jogado fora. A avaliação sem fomento tem alcance limitado, se não render resultados em termos de financiamento para os melhores programas, aos emergentes e de áreas estratégicas de conhecimento ou em regiões que precisam de maior estímulo. São duas tarefas que se combinam – tanto que as demais agências e instituições de ensino superior utilizam a avaliação da Capes para atribuir recursos e distribuir vagas.

Estaduais investem em acesso a periódicos
Na última avaliação trienal da Capes, São Paulo apresentou o melhor desempenho em quantidade de programas e média de conceitos. Foram 649 programas avaliados, mais que o dobro do segundo colocado, o Rio de Janeiro. Com nota média de 4,42, o Estado ficou à frente do Rio Grande do Sul, com 4,29. Em 2005, os paulistas publicaram cerca de 6 mil artigos científicos em revistas indexadas, mais que países como Argentina, Chile e México.

Uma das razões deste rendimento está no investimento, nos últimos anos, no acesso a publicações científicas internacionais, viabilizado por meio do Consórcio Cruesp de Bibliotecas (http://bibliotecas-cruesp.usp.br/unibibliweb/). “É um programa que oferece informação complementar ao conteúdo oferecido no Portal de Periódicos da Capes”, diz Margaret Alves Antunes, coordenadora da Coordenadoria Geral das Bibliotecas da UNESP (CGB). “Em 2007, já foram adquiridas bases de
e-books, totalizando mais de 150 mil títulos em todas as áreas do conhecimento.”

No Portal de Serviços e Conteúdo Digital é possível efetuar a busca integrada nos catálogos bibliográficos com cerca de oito milhões de itens entre livros, periódicos e outros materiais, existentes nas 93 bibliotecas da USP, Unicamp e UNESP.

 

Julio Zanella

 
  ACI