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Julho/2007– Ano XXI – nº 224   ::   Suplemento   [Voltar]
 
:: CIÊNCIAS EXATAS ::
Cosmetologia
Método avalia protetor solar para cabelo
Inovação verifica eficiência de produtos como xampus e condicionadores contra raios ultravioleta

Uma metodologia inédita que determina o fator de proteção capilar de produtos para tratamento de cabelos foi desenvolvida por pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) e da empresa Kosmoscience. A novidade permite avaliar o nível de proteção dos cabelos que xampus, condicionadores e outros produtos fornecem contra os raios ultravioleta (UV) emitidos pelo sol.

A pesquisa foi considerada o melhor trabalho técnico-científico durante o 21o Congresso Brasileiro de Cosmetologia, realizado em São Paulo, entre os dias 15 e 17 de maio. “Essa metodologia agrega valor aos produtos cosméticos e constitui uma referência para o consumidor, que poderá diferenciar o fator de proteção capilar entre as várias opções oferecidas no mercado”, comenta Élson Longo, professor do Instituto de Química do câmpus da UNESP de Araraquara e diretor do CMDMC. “A pesquisa foi desenvolvida com o emprego das técnicas mais sofisticadas existentes nos laboratórios de nossas universidades.”

O CMDMC, que reúne pesquisadores do IQ e da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), é um dos Cepids (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão) criados pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A Kosmoscience é uma empresa spin off – ou seja, que utiliza e difunde o conhecimento gerado nos laboratórios universitários – ligada a esse Centro.

Análise de aminoácidos

Além de afetarem a pele, as radiações UV causam danos aos cabelos. Elas provocam a degradação de duas proteínas presentes nas fibras capilares: a queratina, principal componente dos cabelos, e a melanina, a responsável pela sua coloração. As investigações do CMDMC se concentraram num dos componentes da melanina, o aminoácido triptofano, selecionado por apresentar intensa fotoluminescência na faixa de comprimento de onda dos raios UV. A concentração relativa de triptofano na fibra capilar é um referencial do grau de degradação que ela sofreu e, por conseqüência, do nível de eficiência do protetor solar contra a ação do sol.

Foram utilizadas nesse estudo fibras capilares caucasianas (isto é, relacionadas à maior divisão étnica da espécie humana, que inclui indivíduos nativos da Europa, norte da África, sudoeste da Ásia e subcontinente indiano). A fotodegradação do aminoácido foi examinada por meio da técnica de espectroscopia baseada na excitação e emissão de radiação eletromagnética na faixa de comprimento de ondas curtas.

A metodologia, que envolveu três anos de esforços da equipe, recebeu um prêmio de R$ 2 mil no Congresso de São Paulo, além da oportunidade de participar de eventos internacionais do setor. O grupo foi formado pelos pesquisadores Lívia Maria Marcati, Manuela Sutton Mello, José A. Agnelli e Valéria M. Longo, da UFSCar; Adriano S. Pinheiro, Douglas Terci e Diogo Terci, da Kosmoscience; e Élson Longo e José Arana Varela, professor do IQ e pró-reitor de Pesquisa da UNESP.

Pinheiro, da Kosmoscience, afirma que, por seu potencial de aplicação, o trabalho teve a parceria das indústrias cosméticas brasileiras líderes de mercado. “O fator de proteção capilar traz um novo conceito que orienta o consumidor na hora da compra e diferencia os produtos”, ressalta. “E a indústria cosmética agora tem à disposição uma ferramenta científica para comprovar a eficiência dos seus produtos e demonstrar seus benefícios ao consumidor.”

José Ângelo Santilli


 

 
  ACI