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Agosto/2006 – Ano XX – nº 214   [Voltar]
 
:: SAÚDE ::

Saúde Pública
A tuberculose em presídios de SP

Registro da doença nesses locais em dez anos foi quase 20 vezes maior que na população em geral

Um estudo de mestrado desenvolvido pelo médico Walter Vitti Junior, na Faculdade de Medicina (FM), campus de Botucatu, constata a gravidade da incidência da tuberculose em cinco presídios dos municípios paulistas de Avaré, Iaras e Itaí. Segundo levantamento feito na XI Direção Regional de Saúde, em Botucatu, o registro da doença nos anos de 1993 a 2003 nesses locais foi em média 19 vezes maior do que na população em geral.

Segundo Vitti Junior, em função das instalações precárias, grande circulação e migração de pessoas, os presídios são um importante meio de transmissão da tuberculose e de desenvolvimento de formas resistentes da bactéria causadora da moléstia à medicação. “O estudo sobre as condições dos doentes nessas prisões, fatores importantes da cadeia epidemiológica da tuberculose, é fundamental para subsidiar planos para o efetivo controle da doença”, acrescenta Vitti Junior, que teve a orientação de Luana Carandina, docente do Departamento de Saúde Pública da FM.

Na pesquisa de dez anos, Vitti Junior constatou que, nas penitenciárias – três em Avaré, uma em Iaras e outra em Itaí –, a ocorrência média anual da tuberculose foi de cerca de 1,2 mil casos para cada 100 mil detentos. Comparado com o da população, o número é de 11 a 39 vezes maior, conforme o ano e o presídio. O levantamento constata, ainda, que 85% dos doentes obtiveram cura, 9% abandonaram o tratamento e os restantes faleceram.

Vitti Junior destaca que fatores como superlotação, ventilação inadequada, insalubridade, violência, uso de drogas e falta de atendimento à saúde expõem os detentos a maior risco de infecção e adoecimento. Entre os 20 procedimentos que propõe para a melhoria das condições de encarceramento, ele destaca a garantia de assistência à saúde, acesso rápido aos meios de diagnóstico e tratamento supervisionado em todos os casos. “São providências urgentes para garantir o direito de cidadania às pessoas privadas de liberdade”, acrescenta.

Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, a moléstia é transmitida por gotículas produzidas por tosse, espirro ou fala de pessoas com a doença. A infecção se instala quando a bactéria atinge os alvéolos pulmonares e se espalha para nódulos linfáticos e corrente sanguínea. A tuberculose registra uma incidência significativa, principalmente após o surgimento da aids.

Julio Zanella

 
  ACI