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Jornal UNESP :::
Agosto/2006 – Ano XX – nº 214   [Voltar]
 
:: SAÚDE ::

Ciências Sociais
Negros na terceira idade

Entrevistas mostram homens dispostos a viver, envolvidos com o trabalho ou outras atividades

A visão que homens negros têm sobre o seu envelhecimento foi o tema da dissertação de mestrado defendida pela analista técnica da Pró-Reitoria de Extensão da UNESP, Vilma Cristina da Silva Militão. O trabalho, apresentado em maio na PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), envolveu entrevistas com seis idosos afro-descendentes, cujo dia-a-dia é um exemplo de otimismo. “Conversando, pude conhecer a trajetória de vida deles e verificar o que a terceira idade significa para cada um”, explica Vilma, que coordena o núcleo da Universidade Aberta à Terceira Idade na Reitoria.

Além de lidar com as limitações inerentes à idade, a maioria dos idosos negros enfrenta o preconceito racial e o descaso geralmente dispensado aos aposentados no País. No entanto, Vilma enfatiza que alguns deles enfrentam o envelhecimento com alegria e disposição. “Para superar os problemas, muitos demonstram a mesma vitalidade apresentada pelos jovens”, afirma.

Com idades entre 60 e 85 anos, os entrevistados residem na cidade de São Paulo, apesar de terem nascido em outros Estados. Mesmo com diferentes estilos de vida, todos possuem um cotidiano bastante ativo. “Embora levem uma vida menos agitada, nenhum deles pensa em abandonar a sua rotina de trabalho ou os seus demais afazeres”, diz a pesquisadora.

Vilma decidiu preservar a identidade dos idosos, para quem criou pseudônimos relacionados às suas características pessoais ou ao que eles mais estimam. “Esses senhores desenvolveram paixões das quais nunca se afastaram”, conta. “Enquanto alguns perseguiram um determinado objetivo, outros depositaram os seus sonhos na prática de atividades como esporte, dança e dramaturgia.”


 
  ACI