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Agosto/2006 – Ano XX – nº 214   [Voltar]
 
:: SAÚDE ::

Odontologia
Saúde bucal do idoso é precária

Entre os brasileiros com mais de 60 anos, número de dentes perdidos, cariados e obturados varia de 25 a 31 por pessoa em média, segundo levantamento de artigos especializados sobre o tema

A saúde bucal do idoso brasileiro não anda nada bem. Na população acima de 60 anos, o número médio de dentes cariados, perdidos e obturados varia de 25 a 31 por pessoa, de acordo com o índice CPO-D, que mede a saúde da boca pela quantidade de dentes ausentes ou com problemas. Esses e outros dados são apresentados numa revisão do quadro epidemiológico e de acesso aos serviços odontológicos oferecidos a esse segmento da população, realizada pelo cirurgião-dentista Rafael da Silveira Moreira, da Faculdade de Medicina (FM), campus de Botucatu.

Segundo Moreira, o índice demonstra que os indivíduos desse grupo etário possuem, em média, somente de 1 a 7 dentes livres de cáries e suas conseqüências. “O aspecto mais grave, relatado na maioria dos estudos, é que mais de 60% deles não possuem dentes”, destaca.

Além das cáries, as doenças periodontais, como a gengivite e a periodontite, são importantes problemas encontrados nessa população. Tais moléstias são inflamações provocadas pelo acúmulo de bactérias na região oral, que, sem tratamento, comprometem gengivas e ossos, as estruturas que sustentam os dentes.

Moreira ressalta que o estudo, que reúne a análise de 18 artigos de vários autores sobre o assunto, publicados em periódicos nacionais, também contribui para a discussão de problemas da saúde pública no País. “Esse contingente de desdentados reflete o descaso com que as autoridades tratam os que dependem do setor público”, diz o cirurgião-dentista do Departamento de Saúde Pública da FM.

Dados do trabalho apontam que a assistência odontológica à população nunca foi uma prioridade do Estado. “Existe no País uma cultura segundo a qual o cuidado odontológico é restrito à elite, que pode arcar com elevados gastos”, diz.

Visão mercantilista

No contexto do estudo, dois fatores determinam a precariedade da situação. De um lado, a ausência de escolaridade, a baixa renda e a pouca oferta de serviços públicos. Do outro, a escassez de financiamento para pesquisas na área de odontologia social, sendo que os recursos prioritários vão para estudos de materiais, equipamentos ou técnicas de procedimentos.

Para Moreira, esta visão mercantilista da odontologia impede uma prática mais efetiva de atenção coletiva, que proporciona melhores resultados do que ações individuais. “A fluoretação das águas de abastecimento público como forma de prevenir a cárie, por exemplo, é um procedimento bem mais barato que uma restauração”, compara.

No trabalho, o cirurgião-dentista também discute o modelo de atenção odontológica do passado. “Em muitos casos, dentes que poderiam ser salvos foram retirados, método que contribuiu para o aumento de desdentados”, comenta.

Para a elaboração dessa revisão, Moreira teve a colaboração da médica Tânia Ruiz e da cirurgiã-dentista Lucélia Silva Nico, ambas do Departamento de Saúde Pública da FM; e da cirurgiã-dentista Nilce Emy Tomita, da Faculdade de Odontologia da USP, campus de Bauru.

Genira Chagas


 
  ACI