O Problema

A cadeia nacional da pecuária bovina possui o maior rebanho comercial do mundo, gera mais de 7 milhões de empregos diretos, contribui com cerca de 10% do Produto Interno Bruto e movimenta exportações da ordem de US$ 1,5 bilhões/ano (AnualPec, 1996, Anon., 1997, Bliska, 1997). Em 1997 Brasil exportou um total de US$ 52.986 milhões em produtos básicos, semi-manufaturadose manufaturados sendo que carnes e couros, representando o total de US 2.273 milhões, estavam entre os principais produtos. Fonte: SISCOMEX, Secretaria de Comércio Exterior do MICT.

 

O carrapato causa graves prejuízos à pecuária nacional, seja por dano direto ao couro, ou pela transmissão de doenças aos animais, como a Tristeza Parasitária Bovina (Figs. 1 e 2), e de acordo com dados do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, em 1987 esses prejuízos excediam US$ 1 bilhão por ano. Dados mais recentes apontam prejuízos de US$ 2 bilhões anuais (GRISI et al. 2002). Matéria publicada na Folha de São Paulo, em 03/02/98, afirma que o manejo inadequado do couro bovino nos frigoríficos e curtumes, além de ferimentos causados por arame farpado e durante o transporte, marcas a ferro em locais inadequados, e por ectoparasitas como carrapatos e bernes, acarreta ao Brasil um prejuízo anual estimado em US$500 milhões (Fig. 3). Considere-se que a soma das exportações de couro (US$700 milhões) e de calçados (US$1,5 bilhão) atingiu US$2,2 bilhões em 1997, de acordo com o presidente do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil, Sr. Luis Carlos Luna Coutinho.

 

Por outro lado, o carrapato R. sanguineus compõem a espécie ácaros de maior disseminação mundial na atualidade, provavelmente pela ampla distribuição de seu hospedeiro, o cão doméstico. Esse carrapato pode residir em ambiente doméstico, e chega a atingir níveis insuportáveis em muito pouco tempo, dado que seu ciclo biológico pode ser completado em dois meses. O R. sanguineus é também o vetor de diversos patógenos de importância para os caninos, incluindo os agentes da babesiose, haemobartonelose, hepatozoonose e erliquiose.

 

O controle de carrapatos na atualidade, feito à base de produtos químicos, apresenta limitações como a resistência crescente dos parasitas aos acaricidas e os resíduos que contaminam produtos, poluem o meio ambiente e levantam barreiras sanitárias para exportação. Controle alternativo biológico pelo emprego de fungos entomopatogênicos e rotação de pastagens estão em estudo. A produção de vacina anti-carrapato pelos australianos (TickGard) e cubanos (Gavac) constitui-se em alternativa viável e não poluente de controle, porém cara e de baixa memória imunológica.

 

Lacunas no conhecimento científico sobre as bases moleculares da interface hospedeiro/parasita e o emprego de conceitos e plataformas tecnológicas ultrapassados tem dificultado o desenvolvimento de uma vacina nacional eficaz contra o carrapato.

 

Estado atual do conhecimento

O nível da infestação com carrapatos varia de acordo com a raça bovina ou espécie hospedeira. Ainda não estão descritos os correlatos fisiológicos para esses fenótipos contrastantes, incluindo componentes de mecanismos reguladores e efetores da resposta anti-carrapato.

Informações básicas sobre a biologia do carrapato, do hospedeiro e da interface carrapato/hospedeiro são representadas nas Figs. 4 a 6 e Quadro 1.

 

Fig. 1 - Bovino infestado pelo carrapato Boophilus microplus

 

Fig. 2 - Teleóginas colhidas do animal da Fig. 1.

Cada fêmea põe cerca de 2.000 ovos.

 

Fig.3 - Prejuízos econômicos causados por carrapatos

 

Fig.4

 

Fig.5

 

Fig.6

 

Quadro 1