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Nova vacina previne infecções em peixesTecnologia demonstrou alta proteção em teste com tilápias do nilo

[25/03/2015] A infecção de tilápias, causada pela bactéria Streptococcus agalactiae, atualmente representa o maior problema sanitário na produção destes peixes. Os prejuízos econômicos advindos desta infecção são muito sérios e podem representar o fim da atividade para muitos piscicultores. Buscando criar uma solução eficiente para esta enfermidade, pesquisadores do Departamento de Patologia Animal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp (FCAV-Unesp), desenvolveram uma nova vacina para prevenir a estreptococcose em tilápias do nilo.

O pesquisador Paulo Fernandes Marcusso trabalhou nesta vacina durante sua tese de mestrado, realizada entre 2012 e 2014. Atualmente Marcusso é doutorando na FCAV- Unesp. Contudo, a pesquisa visando o desenvolvimento da vacina começou em 2005, quando o Prof. Dr. Rogério Salvador, orientado pelo Prof. Dr. Flávio Ruas de Moraes, desenvolveu sua tese de doutorado no Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp). “Embora tenha se verificado uma eficiência da primeira vacina (inativada pelo calor), sabíamos que esta tecnologia poderia ser melhorada e foi exatamente isto que fizemos”, explica, Marcusso.

A partir da experiência de produção da primeira vacina, começou a ser produzida uma segunda alternativa mais eficiente, inativada a partir de um processo denominado sonicação, segundo o pesquisador: “Nesse processo ocorre uma fragmentação aleatória por meio da aplicação do ultra-som, quebrando a parede das bactérias e liberando as moléculas que, de fato, dão início à resposta imunológica e, portanto e induzem a proteção ao animal”.

O processo de sonicação tem dentre as suas principais vantagens o pouco tempo de aplicação do ultra-som, a necessidade de pouca ou nenhuma quantidade de reagentes, a facilidade de induzir a fragmentação e solubilização de estruturas antigênicas e a simplificação do processo de produção da vacina com redução de custos.

Além de Paulo Fernandes Marcusso, do seu orientador, Prof. Dr. Flávio Ruas de Moraes e do co-orientador de seu mestrado, Prof. Dr. Rogério Salvador, a pesquisa contou com a participação dos pesquisadores Silas Fernandes Eto, Dayanne Carla Fernandes e Fausto de Almeida Marinho Neto. As pesquisas de mestrado (processo: 2012/07534-8) e de doutorado (processo 2013/24852-6) de Marcusso tiveram apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

“Nossa pesquisa não para por aqui”, explica o pesquisador. “Agora, em meu projeto de doutorado, estamos estudando a expressão da imunoglobulina M (principal anticorpo dos peixes) nós órgãos dos peixes vacinados”. Com relação as suas expectativas paro o invento, após o pedido de patente, Marcusso explica: “Buscamos despertar o interesse em alguma empresa da área e iniciar a utilização ampla dessa tecnologia no controle desta enfermidade”. O pedido de patente da vacina para estreptococcose em tilápias do Nilo foi realizado pela Agência Unesp de Inovação.

“O nível de proteção garantido por este imunógeno e o conseqüente retorno financeiro ao piscicultor, representarão de fato, nosso grande prêmio pelo desenvolvimento desta tecnologia”, completa o pesquisador. Para mais informações: auin@unesp.br

Luciana Maria Cavichioli/ AUIN

 

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