UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
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Jornal Unesp    
   
Julho 2010 - Ano XXII - n° 257


Livros
Reflexão filosófica no mundo virtual
Ideias de dois grandes pensadores são analisadas por pesquisas que integram coleção digital



Produções sobre o universo da Filosofia também integram a Coleção Propg Digital. As ideias de Immanuel Kant e Thomas Hobbes foram os temas de duas dissertações que agora estão entre as 44 obras lançadas online, pelo selo Cultura Acadêmica. A coleção é uma iniciativa conjunta da Editora Unesp e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação destinada à divulgação de obras produzidas a partir de pesquisas da Universidade. Está disponível para download gratuito no endereço www.culturaacademica.com.br (Entrevistas concedidas a Oscar D’Ambrosio)




O legado de Hobbes para a Ciência Política

Bacharel e licenciado em Filosofia pela Unesp, câmpus de Marília, onde também obteve o título de mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea, Hélio Alexandre da Silva é doutorando em Filosofia na Unicamp. É autor do livro As paixões humanas em Thomas Hobbes: entre a ciência e a moral, o medo e a esperança.

Jornal Unesp: Como Hobbes enfoca o medo, uma importante paixão humana?
Helio Alexandre da Silva: As paixões, para Hobbes, se desenvolvem de modo binômio, como medo e esperança, apetite e aversão, bem e mal. Ele pensa que a sociedade que consideramos desenvolvida nasce de um Estado de natureza, de guerra, pré-político. Nesse momento, a paixão primordial do homem é o medo da morte violenta e de não conseguir se preservar. O Estado nasce, como ele escreve em Leviatã (1651), para conter ou para reprimir o medo. Assim, o homem pode viver em sociedade, pois tem garantida a preservação da vida. Isso permite ter ciência, arte e literatura. O Estado organiza o medo, que, no estado de natureza, é motivo de guerra.

JU: Qual é o maior legado que Hobbes deixou na política contemporânea?
Silva: Ele é o primeiro autor moderno a sistematizar a política e tentar transformá-la numa ciência – e é bem sucedido nessa jornada. Faz com que a política e a filosofia política tenham uma autonomia, permitindo que elas consigam construir uma normatividade, que saia dela mesma.

JU: Durante a sua pesquisa, houve descobertas que o surpreenderam?
Silva: Ao escrever este livro, que foi minha dissertação de mestrado, ficou evidente que Hobbes não pode ser visto como um autor liberal. O projeto de Estado que ele constrói não tem as características básicas que um Estado liberal possui. Os princípios do Estado hobbesiano não estão fundamentados em liberdades de expressão, opinião ou exposição política. Para Hobbes, o Estado não tem que garantir liberdades individuais, mas a segurança dos cidadãos, que, sem o Estado e sem a política, não existe. Antes disso, no estado de natureza, em que há a guerra de todos contra todos, vigora o medo, a desconfiança e a competição.

A força da motivação moral na obra de Kant

Graduado e mestre em Filosofia pela Unesp, câmpus de Marília, Hélio José dos Santos Souza, autor de O problema da motivação moral em Kant, tem suas áreas de atuação relacionadas à História da Filosofia Moderna e Ética, em particular à Ética Kantiana.

Jornal Unesp: Qual foi a principal motivação para escrever este livro?
Hélio José dos Santos Souza: Quando eu estudava o poder da liberdade, pensei que pudesse fazer um trabalho específico sobre esse tema nas obras do filósofo Immanuel Kant. No entanto, descobri que, antes de discutir a liberdade, existia um problema ainda mais fundamental, o da motivação moral, que consiste em buscar os motivos que levam o homem a agir ou não de modo ético e moral.

JU: Até que ponto Kant traz essas questões para o homem contemporâneo?
Souza: Ainda continuamos entre a razão e a sensibilidade. O homem contemporâneo tenta equalizar essa dualidade. Por um lado, os nossos desejos querem imperar a todo momento e, por outro, nos colocamos como seres racionais, tentando conter esses desejos e nos colocar princípios que sejam válidos universalmente. Kant é um dos pilares da filosofia moral e da ética.

JU: O que é ética e moral, na visão de Kant?
Souza: A ética e a moral lidam com os costumes. A moral já é ação realizada, é a prática. A ética é a reflexão sobre essa prática.

JU: Essas questões nos acompanham no cotidiano. Mas será que paramos para refletir sobre elas?
Souza: Parar para poder refletir é uma das grandes questões do homem contemporâneo. O filósofo Sócrates já disse: “Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”. Cada um de nós, com a enorme agenda que tem de afazeres cotidianos, se esquece de que talvez o momento de reflexão seja muito mais importante do que o da ação. Uma ação irreflexiva pode ter consequências muito negativas para a vida de qualquer um. Por isso, nada mais justo do que utilizar a razão para refletir sobre nossas ações.

 
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