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Livros
Reflexão filosófica
no mundo virtual
Ideias de dois grandes pensadores são analisadas
por pesquisas que integram coleção digital
Produções sobre o universo da Filosofia
também integram a Coleção
Propg Digital. As ideias de Immanuel Kant e Thomas Hobbes foram os temas
de duas dissertações que agora
estão entre as 44 obras lançadas online, pelo selo Cultura Acadêmica. A
coleção é uma iniciativa conjunta da Editora Unesp e da Pró-Reitoria de
Pós-Graduação destinada à divulgação
de obras produzidas a partir de
pesquisas da Universidade. Está disponível para download gratuito no endereço
www.culturaacademica.com.br
(Entrevistas concedidas a Oscar
D’Ambrosio)
O legado de Hobbes
para a Ciência Política
Bacharel e licenciado em Filosofia pela
Unesp, câmpus de Marília, onde também
obteve o título de mestre em Filosofia
Moderna e Contemporânea, Hélio
Alexandre da Silva é doutorando em Filosofia na Unicamp. É autor do livro As
paixões humanas em Thomas Hobbes: entre a
ciência e a moral, o medo e a esperança.
Jornal Unesp: Como Hobbes enfoca o
medo, uma importante paixão humana?
Helio Alexandre da Silva: As paixões,
para Hobbes, se desenvolvem de
modo binômio, como medo e esperança, apetite e aversão, bem e mal. Ele
pensa que a sociedade que consideramos
desenvolvida nasce de um Estado de natureza, de guerra, pré-político.
Nesse momento, a paixão primordial
do homem é o medo da morte violenta e de não conseguir se preservar. O Estado
nasce, como ele escreve em Leviatã (1651), para conter ou para reprimir o medo. Assim, o homem pode viver em
sociedade, pois tem garantida a preservação
da vida. Isso permite ter ciência, arte e literatura. O Estado organiza o
medo, que, no estado de natureza, é motivo de guerra.
JU: Qual é o maior legado que Hobbes deixou
na política contemporânea?
Silva: Ele é o primeiro autor moderno
a sistematizar a política e tentar
transformá-la numa ciência – e é bem sucedido nessa jornada. Faz com
que a política e a filosofia política tenham
uma autonomia, permitindo que elas consigam construir uma normatividade,
que saia dela mesma.
JU: Durante a sua pesquisa, houve descobertas
que o surpreenderam?
Silva: Ao escrever este livro, que
foi minha dissertação de mestrado, ficou
evidente que Hobbes não pode ser visto como um autor liberal. O projeto
de Estado que ele constrói não tem as
características básicas que um Estado liberal possui. Os princípios do Estado
hobbesiano não estão fundamentados
em liberdades de expressão, opinião ou exposição política. Para Hobbes, o
Estado não tem que garantir liberdades
individuais, mas a segurança dos cidadãos, que, sem o Estado e sem a
política, não existe. Antes disso, no estado
de natureza, em que há a guerra de todos contra todos, vigora o medo,
a desconfiança e a competição.
A força da motivação
moral na obra de Kant
Graduado e mestre em Filosofia
pela Unesp, câmpus de Marília, Hélio
José dos Santos Souza, autor de O problema da motivação moral em Kant, tem
suas áreas de atuação relacionadas à História da Filosofia Moderna e Ética, em particular à Ética Kantiana.
Jornal Unesp: Qual foi a principal
motivação para escrever este livro?
Hélio José dos Santos Souza: Quando eu estudava o poder da liberdade,
pensei que pudesse fazer um trabalho específico sobre esse tema nas
obras do filósofo Immanuel Kant. No
entanto, descobri que, antes de discutir a liberdade, existia um problema ainda
mais fundamental, o da motivação moral,
que consiste em buscar os motivos que levam o homem a agir ou não de
modo ético e moral.
JU: Até que ponto Kant traz essas questões
para o homem contemporâneo?
Souza: Ainda continuamos entre
a razão e a sensibilidade. O homem
contemporâneo tenta equalizar essa dualidade. Por um lado, os nossos desejos
querem imperar a todo momento
e, por outro, nos colocamos como seres racionais, tentando conter esses
desejos e nos colocar princípios que
sejam válidos universalmente. Kant é um dos pilares da filosofia moral e da ética.
JU: O que é ética e moral, na visão de
Kant?
Souza: A ética e a moral lidam com
os costumes. A moral já é ação realizada, é a prática. A ética é a reflexão sobre essa prática.
JU: Essas questões nos acompanham no
cotidiano. Mas será que paramos para
refletir sobre elas?
Souza: Parar para poder refletir é uma das grandes questões do homem
contemporâneo. O filósofo Sócrates já disse: “Uma vida sem reflexão não merece
ser vivida”. Cada um de nós, com
a enorme agenda que tem de afazeres cotidianos, se esquece de que talvez o
momento de reflexão seja muito mais
importante do que o da ação. Uma ação
irreflexiva pode ter consequências muito
negativas para a vida de qualquer um. Por isso, nada mais justo do que utilizar
a razão para refletir sobre nossas ações. |