UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
Jornal Unesp    
   
Abril 2010 - Ano XXII - n° 254


Ciências humanas
O Tio Sam conheceu a batucada erudita
Grupo de percussão do Instituto de Artes apresentou composições brasileiras nos EUA e Canadá

A música de percussão erudita brasileira soou forte em importantes centros musicais da América do Norte. De 8 de janeiro a 15 de fevereiro, o Grupo de Percussão do Instituto de Artes (Piap), câmpus da Unesp da Barra Funda, em São Paulo, realizou 18 concertos em oito Estados norte-americanos e um canadense, somente com composições de músicos brasileiros. (Veja quadro ao lado.) Apoiada por recursos da Reitoria, essa foi a segunda turnê internacional do grupo – a primeira, em 1987, somou 11 concertos nos Estados Unidos.

Conduzidos por John Boudler, percussionista e professor do Instituto de Artes (IA), onze alunos do curso de Bacharelado em Música – Habilitação em Instrumentos – Percussão apresentaram as peças em 17 universidades e escolas de Música. De acordo com o maestro, que é norte-americano, a repercussão foi a melhor possível. “Os ouvintes queriam as partituras para incluir as músicas em seus repertórios”, comenta. “Muitos elogiavam a construção das composições, que mostravam influências claras, mas com força e ritmos próprios.” (Veja quadro abaixo.)

Criado em 1978 por Boudler, o grupo formou 73 músicos, presentes em orquestras e bandas sinfônicas ou atuando como professores ou pós-graduandos em universidades do Brasil e dos EUA. Participaram dessa viagem Adriano Letzel, Bruno Modolo Cabrera, Catarina Percinio Moreira da Silva, Charles Augusto Braga Leandro, Helvio Monteiro Mendes, Leonardo Bertolini Labrada, Marcos Raimundo Matos da Costa, Patrícia de Paula Vieira, Ronan Gil de Morais, Saulo Giovani Silva Bortoloso e Sérgio Ricardo Silva Coutinho, que também visitaram fábricas de instrumentos e assistiram a concertos de orquestras sinfônicas.

Entre as composições, duas foram produzidas para a turnê: Pan-cada(s), do professor do IA Flô Menezes, e ...Zoom..., de Fernando Iazzeta, ex-integrante do Piap e atualmente professor da USP. Outras peças também são de autoria de antigos alunos do Piap, como 33 Samra Zabobra, de Carlos Stasi, hoje também professor do Instituto, e Frevi, de Rafael Alberto e Leonardo Gorosito.

Trocas culturais – O maestro garante que o grupo impressionou as plateias por sua técnica e também por ter executado todo o programa sem recorrer às partituras. “Esses estudantes têm dedicação integral ao Piap. São até 12 horas de ensaios por dia, com audições e treinos. E muitos dos compositores nos ajudaram nos ensaios de suas peças”, explica o professor. Além de Boudler, estão na direção do grupo Stasi e Eduardo Gianesella.

Mas foi nas 11 masterclasses sobre ritmos brasileiros e afro-brasileiros – como maracatu, frevo, samba, capoeira, ijexá e cabula – que os músicos puderam intensificar o contato com os outros estudantes. “Pelo estilo das aulas, pudemos conversar e trocar muitas informações. Mas era na capoeira que todos se levantavam”, conta Labrada. “Muitos alunos chegavam até nós e diziam que depois de terem nos ouvido entendiam por que estudavam percussão”, ressalta Catarina.

A viagem do grupo está no blog Turnê Percussiva (grupopiap.blogspot.com). E as apresentações podem ser vistas em vídeos no Youtube (www.youtube.com).

Daniel Patire

 
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