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Ciências humanas
O Tio Sam conheceu a batucada erudita
Grupo de percussão do Instituto de Artes apresentou composições brasileiras nos EUA e Canadá
A música de percussão erudita
brasileira soou forte em importantes
centros musicais da
América do Norte. De 8 de janeiro a
15 de fevereiro, o Grupo de Percussão
do Instituto de Artes (Piap), câmpus da Unesp da Barra Funda, em São Paulo,
realizou 18 concertos em oito Estados
norte-americanos e um canadense, somente com composições de músicos
brasileiros. (Veja quadro ao lado.) Apoiada
por recursos da Reitoria, essa foi a segunda turnê internacional do grupo – a primeira, em 1987, somou 11 concertos
nos Estados Unidos.
Conduzidos por John Boudler, percussionista
e professor do Instituto de
Artes (IA), onze alunos do curso de Bacharelado em Música – Habilitação
em Instrumentos – Percussão apresentaram
as peças em 17 universidades
e escolas de Música. De acordo com o
maestro, que é norte-americano, a repercussão foi a melhor possível. “Os
ouvintes queriam as partituras para incluir
as músicas em seus repertórios”,
comenta. “Muitos elogiavam a construção
das composições, que mostravam
influências claras, mas com força e ritmos próprios.” (Veja quadro abaixo.)

Criado em 1978 por Boudler, o
grupo formou 73 músicos, presentes
em orquestras e bandas sinfônicas ou atuando como professores ou pós-graduandos
em universidades do Brasil e
dos EUA. Participaram dessa viagem
Adriano Letzel, Bruno Modolo Cabrera,
Catarina Percinio Moreira da Silva, Charles Augusto Braga Leandro, Helvio
Monteiro Mendes, Leonardo Bertolini Labrada, Marcos Raimundo Matos da Costa, Patrícia de Paula Vieira, Ronan
Gil de Morais, Saulo Giovani Silva Bortoloso
e Sérgio Ricardo Silva Coutinho,
que também visitaram fábricas de instrumentos
e assistiram a concertos de
orquestras sinfônicas.
Entre as composições, duas foram produzidas
para a turnê: Pan-cada(s), do professor
do IA Flô Menezes, e ...Zoom..., de
Fernando Iazzeta, ex-integrante do Piap
e atualmente professor da USP. Outras
peças também são de autoria de antigos
alunos do Piap, como 33 Samra Zabobra,
de Carlos Stasi, hoje também professor
do Instituto, e Frevi, de Rafael Alberto e
Leonardo Gorosito.
Trocas culturais – O maestro garante
que o grupo impressionou as plateias
por sua técnica e também por ter executado todo o programa sem recorrer às partituras. “Esses estudantes têm
dedicação integral ao Piap. São até 12 horas de ensaios por dia, com audições
e treinos. E muitos dos compositores
nos ajudaram nos ensaios de suas peças”,
explica o professor. Além de Boudler,
estão na direção do grupo Stasi e
Eduardo Gianesella.
Mas foi nas 11 masterclasses sobre
ritmos brasileiros e afro-brasileiros – como maracatu, frevo, samba, capoeira,
ijexá e cabula – que os músicos
puderam intensificar o contato com os
outros estudantes. “Pelo estilo das aulas,
pudemos conversar e trocar muitas
informações. Mas era na capoeira que
todos se levantavam”, conta Labrada. “Muitos alunos chegavam até nós e diziam
que depois de terem nos ouvido
entendiam por que estudavam percussão”,
ressalta Catarina.
A viagem do grupo está no blog Turnê Percussiva (grupopiap.blogspot.com). E
as apresentações podem ser vistas em vídeos
no Youtube (www.youtube.com).
Daniel Patire |