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Ciências exatas e engenharia
Foto digital inova produção de mapas
Engenheiro barateia processo utilizando máquinas de alta resolução instaladas em aviões
A produção de mapas a partir de fotografias
obtidas por equipamentos instalados
em aviões está ganhando uma alternativa
mais econômica. A novidade no
campo da aerofotogrametria foi criada
pelo engenheiro cartográfico Roberto da
Silva Ruy, que resolveu adotar câmeras
digitais profissionais comuns em vez de
máquinas específicas para esse processo.
Ruy desenvolveu o Saapi (Sistema
Aerotransportado de Aquisição e Pós-Processamento de Imagens), numa parceria com a empresa Engemap (Engenharia,
Mapeamento e Aerolevantamento
Ltda.). O pesquisador é doutor em Ciências Cartográficas pela Faculdade
de Ciências e Tecnologia (FCT),
câmpus de Presidente Prudente, e realizou seus estudos sob a orientação do
professor Antônio Tommaselli.
O sistema foi criado em 2007, após dois
anos de pesquisa, com o apoio da Fapesp
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado
de São Paulo).Thiago Tiedtke dos Reis,
funcionário da Engemap, também participou
das pesquisas para sua dissertação de
mestrado na FCT, defendida em 2009.
Já em 2007, o Saapi começou a ser
utilizado em projetos para construção e
melhoria de estradas e instalação de linhas
de transmissão de energia elétrica. Em 2008, foi aplicado no mapeamento
em três dimensões do Estado da Bahia.
E, desde janeiro deste ano, é utilizado
no mapeamento de Santa Catarina.
Uma adaptação do sistema solicitada
pela Marinha deveria ficar pronta em
março, para mapear por meio de helicópteros
a costa brasileira em áreas
de construção ou ampliação de portos.Os estudos são feitos sob a supervisão
científica da Unesp.
Pioneirismo – O sistema é o primeiro
do Brasil a utilizar câmaras digitais
comuns, de categoria profissional de alta resolução. “Para utilizá-las na cartografia,
fizemos a calibração e a fototriangulação,
um conjunto de cálculos para eliminar distorções causadas pelas
lentes da câmera ou inclinações
da aeronave”, afirma Tommaselli. Os demais sistemas usam máquinas especiais
analógicas, mais pesadas e que
dependem da revelação de negativos.
No Saapi são utilizadas, simultaneamente,
duas ou três máquinas que geram
fotos coloridas, em preto e branco ou infravermelho – estas com o
objetivo de identificar áreas agrícolas,
vegetação e água. Dentro do avião, o equipamento é posicionado em uma
espécie de esqueleto mecânico, protegido
por uma armadura de alumínio.
As câmeras são integradas a sensores
GPS e INS (sistema que oferece
as coordenadas geográficas e permite medir a inclinação da aeronave). Para
mapear o lugar, o avião sobrevoa o
terreno em faixas imaginárias. As fotografias
são tiradas com uma superposição
de 60%, isto é, cada uma registra
mais da metade da informação contida
na foto anterior. Isso permite obter
imagens de diferentes pontos de vista,
o que possibilita uma visão tridimensional
do terreno. Os pesquisadores
também desenvolveram um software para gerenciar a câmera e os sensores.
Cínthia Leone |