UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
Jornal Unesp    
   
Abril 2010 - Ano XXII - n° 254


Ciências exatas e engenharia
Foto digital inova produção de mapas
Engenheiro barateia processo utilizando máquinas de alta resolução instaladas em aviões

A produção de mapas a partir de fotografias obtidas por equipamentos instalados em aviões está ganhando uma alternativa mais econômica. A novidade no campo da aerofotogrametria foi criada pelo engenheiro cartográfico Roberto da Silva Ruy, que resolveu adotar câmeras digitais profissionais comuns em vez de máquinas específicas para esse processo.

Ruy desenvolveu o Saapi (Sistema Aerotransportado de Aquisição e Pós-Processamento de Imagens), numa parceria com a empresa Engemap (Engenharia, Mapeamento e Aerolevantamento Ltda.). O pesquisador é doutor em Ciências Cartográficas pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente, e realizou seus estudos sob a orientação do professor Antônio Tommaselli.

O sistema foi criado em 2007, após dois anos de pesquisa, com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).Thiago Tiedtke dos Reis, funcionário da Engemap, também participou das pesquisas para sua dissertação de mestrado na FCT, defendida em 2009.

Já em 2007, o Saapi começou a ser utilizado em projetos para construção e melhoria de estradas e instalação de linhas de transmissão de energia elétrica. Em 2008, foi aplicado no mapeamento em três dimensões do Estado da Bahia. E, desde janeiro deste ano, é utilizado no mapeamento de Santa Catarina.

Uma adaptação do sistema solicitada pela Marinha deveria ficar pronta em março, para mapear por meio de helicópteros a costa brasileira em áreas de construção ou ampliação de portos.Os estudos são feitos sob a supervisão científica da Unesp.

Pioneirismo – O sistema é o primeiro do Brasil a utilizar câmaras digitais comuns, de categoria profissional de alta resolução. “Para utilizá-las na cartografia, fizemos a calibração e a fototriangulação, um conjunto de cálculos para eliminar distorções causadas pelas lentes da câmera ou inclinações da aeronave”, afirma Tommaselli. Os demais sistemas usam máquinas especiais analógicas, mais pesadas e que dependem da revelação de negativos.

No Saapi são utilizadas, simultaneamente, duas ou três máquinas que geram fotos coloridas, em preto e branco ou infravermelho – estas com o objetivo de identificar áreas agrícolas, vegetação e água. Dentro do avião, o equipamento é posicionado em uma espécie de esqueleto mecânico, protegido por uma armadura de alumínio.

As câmeras são integradas a sensores GPS e INS (sistema que oferece as coordenadas geográficas e permite medir a inclinação da aeronave). Para mapear o lugar, o avião sobrevoa o terreno em faixas imaginárias. As fotografias são tiradas com uma superposição de 60%, isto é, cada uma registra mais da metade da informação contida na foto anterior. Isso permite obter imagens de diferentes pontos de vista, o que possibilita uma visão tridimensional do terreno. Os pesquisadores também desenvolveram um software para gerenciar a câmera e os sensores.

Cínthia Leone

 
  Jornal