UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
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Jornal Unesp    
   
Dezembro/2009 - Ano XXII - nº 251


Resenhas - Alimentação

Cultura sobre a mesa
Para especialistas, comida tradicional beneficia saúde, laços familiares e memória de um país

Salientar a importância da alimentação como um ato histórico e cultural é a proposta de Tradição e alimentação (Idéias e Letras, 152 páginas, R$ 21), da educadora Poliana Bruno Zuin, do Instituto de Biociências de Rio Claro, e Luís Fernando Soares Zuin, graduado em Zootecnia pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal.

Modos de produção e preparo de comida e de ingredientes e ritos alimentares são vistos como mecanismos de comunicação e perpetuação de conhecimentos construídos e passados de geração a geração. Nesse sentido, são valorizados os alimentos tradicionais, ou seja, aqueles ligados a saberes e fazeres que conservam elos familiares.

Os autores verificam como as mulheres, devido ao rimo de vida contemporâneo, não cozinham mais e as famílias raramente comem juntas. São assim desfeitos laços, pois o espaço da refeição deixa de ser um momento de partilhar experiências e fortalecer a comunicação entre os moradores de uma casa.

Poliana e Zuin mostram como, em oposição à massificação do Fast Food, diversos países europeus e latinos adotaram a denominada Slow Food, fundada na Itália, na década de 1980, que busca resgatar as antigas tradições relativas à alimentação e à forma de comer.

A cozinha é vista, assim, como um lugar onde é possível tecer a história, seja no café com bolo de uma avó ou na feijoada, uma referência quando se pensa na escravidão no Brasil.

O livro também alerta para a importância de se consumir produtos frescos, preparados em casa, pois a falta de vitaminas e valores nutricionais, para os autores, tem afetado a saúde dos indivíduos que se alimentam com fast food.

Dentro das diretrizes contidas na Política Pública Nacional de Nutrição Alimentar, o livro busca orientar pais e educadores a motivarem as crianças no sentido de elas verem a alimentação como uma atividade que traz em si dados históricos e culturais que não podem ser deixados de lado, já que contêm a memória de uma família e de um país.

OD

 
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