Ciências Biológicas - Zoologia
Levantamento avalia morte de cobaias
Objetivo de estudo de Rio Preto é destacar questões como direito dos animais e ética experimental
“Com quantos animais se faz um biólogo?”
A pergunta levou o professor Classius
de Oliveira, do Instituto de Biociências,
Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus
de São José do Rio Preto, a coordenar um
estudo sobre o número de animais mortos
em pesquisas na unidade em 2003, 2005 e 2007.
Segundo Oliveira, não há uma tradição
nas instituições brasileiras de preservar
esses dados, o que dificulta o controle
em relação à ética em experimentos. “Nossa intenção foi trazer luz sobre essa temática, abordando direito dos animais, ética experimental, uso abusivo de animais
sendo abatidos sem propósitos justificáveis,
métodos de abate e condições
dos biotérios [o lugar onde vivem as cobaias]”,
afirma o professor.
Nos três anos, o levantamento revelou
que foram abatidos 42.876, 159.369 e
53.112 animais, respectivamente. Desse
total, 79,3% correspondem a invertebrados.
Dentre os vertebrados, os grupos que
apresentaram maior número de indivíduos
mortos para prática do ensino foram aves e mamíferos. Nas atividades de pesquisa, os
grupos mais utilizados foram peixes, seguidos
por mamíferos e anfíbios.
O professor explica que a maior utilização
de invertebrados se dá por várias
razões: “Nas pesquisas da área de genética de populações, por exemplo, os insetos são
criados em meio de cultura, aos milhares,
permitindo a análise de características populacionais
e a avaliação de heranças genéticas e aspectos evolutivos”, explica.
A polêmica em torno das práticas
experimentais cresce quando se trata
de animais de maior porte, com maior
complexidade e que sentem a dor de
modo muito próximo à percepção humana. “Há uma tendência de minimizar
esses ‘danos’, como na disciplina de
Anatomia Comparada, quando eu uso como modelo biológico o cão, mas,
por princípios diversos, procuro abater
o menor número possível de animais”,
relata o professor.
Em suas considerações finais, o estudo
sinaliza que há modelos sintéticos,
programas computacionais e outros
meios de aprendizagem, que foram
criados a partir do conhecimento acumulado,
obtido do estudo intenso do
material biológico. “Isso minimizou e
racionalizou a prática do uso de seres vivos,
mas não dispensa a particularidade
de subáreas da biologia ainda utilizarem esses recursos”, afirma o relatório final.
(Leia reportagem sobre uso de
cobaias em pesquisas na edição
n.º 4 da revista Unesp Ciência)
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