UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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Jornal Unesp    
   
Dezembro/2009 - Ano XXII - nº 251


Ciências Biológicas - Zoologia

Levantamento avalia morte de cobaias
Objetivo de estudo de Rio Preto é destacar questões como direito dos animais e ética experimental

Com quantos animais se faz um biólogo?” A pergunta levou o professor Classius de Oliveira, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de São José do Rio Preto, a coordenar um estudo sobre o número de animais mortos em pesquisas na unidade em 2003, 2005 e 2007.

Segundo Oliveira, não há uma tradição nas instituições brasileiras de preservar esses dados, o que dificulta o controle em relação à ética em experimentos. “Nossa intenção foi trazer luz sobre essa temática, abordando direito dos animais, ética experimental, uso abusivo de animais sendo abatidos sem propósitos justificáveis, métodos de abate e condições dos biotérios [o lugar onde vivem as cobaias]”, afirma o professor.

Nos três anos, o levantamento revelou que foram abatidos 42.876, 159.369 e 53.112 animais, respectivamente. Desse total, 79,3% correspondem a invertebrados. Dentre os vertebrados, os grupos que apresentaram maior número de indivíduos mortos para prática do ensino foram aves e mamíferos. Nas atividades de pesquisa, os grupos mais utilizados foram peixes, seguidos por mamíferos e anfíbios.

O professor explica que a maior utilização de invertebrados se dá por várias razões: “Nas pesquisas da área de genética de populações, por exemplo, os insetos são criados em meio de cultura, aos milhares, permitindo a análise de características populacionais e a avaliação de heranças genéticas e aspectos evolutivos”, explica.

A polêmica em torno das práticas experimentais cresce quando se trata de animais de maior porte, com maior complexidade e que sentem a dor de modo muito próximo à percepção humana. “Há uma tendência de minimizar esses ‘danos’, como na disciplina de Anatomia Comparada, quando eu uso como modelo biológico o cão, mas, por princípios diversos, procuro abater o menor número possível de animais”, relata o professor.

Em suas considerações finais, o estudo sinaliza que há modelos sintéticos, programas computacionais e outros meios de aprendizagem, que foram criados a partir do conhecimento acumulado, obtido do estudo intenso do material biológico. “Isso minimizou e racionalizou a prática do uso de seres vivos, mas não dispensa a particularidade de subáreas da biologia ainda utilizarem esses recursos”, afirma o relatório final.

(Leia reportagem sobre uso de cobaias em pesquisas na edição n.º 4 da revista Unesp Ciência)

CL

 
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