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Jornal Unesp    
   
Dezembro/2009 - Ano XXII - nº 251


Reportagem de Capa - Pesquisa

Iniciação: mais projetos, com melhor qualidade
O XXI Congresso de Iniciação Científica somou 2.850 trabalhos de jovens pesquisadores, com produções que confirmam o prestígio que a Universidade conquistou na área

DANIEL PATIRE

O XXI Congresso de Iniciação Científica (CIC) da Unesp reuniu em São José do Rio Preto (SP) cerca de 2.800 trabalhos de alunos de graduação. Esse número representa um crescimento de quase 10% com relação à edição anterior, que contou com 2.557 projetos. Participaram também do encontro, realizado entre 3 e 7 de novembro, 208 pós-graduandos e mais de uma centena de professores das quatro grandes áreas do conhecimento – Ciências Agrárias, Biológicas, Exatas e Humanidades.

“A atividade de iniciação científica (IC) cresce qualitativa e quantitativamente na Universidade, atraindo o interesse tanto de alunos como de professores”, diz a pró-reitora de Pesquisa Maria José Soares Mendes Giannini, que ressalta a qualidade de vários estudos levados ao evento. “Muitos dos resumos apresentados poderiam ser publicados como artigos em revistas de divulgação científica”, garante.

O encontro foi organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Prope) e pelo Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de Rio Preto. Para promover uma maior interação entre os jovens estudiosos de temas afins, as apresentações foram divididas nas quatro áreas. Nos dias 3 e 4, foram apresentados os pôsteres de Exatas, enquanto os de Biológicas e Agrárias foram discutidos nos dias 4 e 5. Já os pôsteres e exposições orais das Humanidades ocorreram nos dias 6 e 7.

O professor Erivaldo Antônio da Silva, presidente da comissão organizadora do evento e coordenador-executivo do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) na Unesp considera muito positivos os resultados obtidos pela Universidade. “No décimo CIC, tínhamos em torno de 800 alunos em todas as áreas”, assinala. “Hoje, após dez anos, Quadruplicamos esse número.”

O coordenador atribui esse aumento à criação do Pibic, em 1998, com apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e à constante ampliação de bolsas oriundas de outras financiadoras, como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Silva comenta que, no nono congresso, cerca de 60% dos participantes não possuíam bolsas para desenvolver suas pesquisas. “Hoje, 70% dos participantes do CIC recebem um tipo de bolsa que apoia o desenvolvimento de seus trabalhos.”

Formação – Uma característica dessa edição do encontro foi a participação mais efetiva de alunos que estão na fase inicial de suas pesquisas, entre o segundo e o terceiro ano. “E isso é muito importante, porque cria uma cultura científica desde o início do curso de graduação”, relata o professor Carlos Roberto Grandini, presidente do Comitê Científico da área de Exatas. Entre outras vantagens que o estudante obtém ao fazer a IC, segundo Grandini, está a formação como pesquisador, já que desde o início de seus estudos o jovem se envolve com o processo de produção do conhecimento.

A iniciação científica tem como objetivos incentivar novos talentos entre estudantes de graduação, contribuir para reduzir o tempo médio de titulação de mestres e doutores, estimular uma maior articulação entre a graduação e a pós-graduação, além de contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa. “Através da IC, os alunos também se tornam melhores profissionais, com mais criatividade e pensamento crítico, o que os leva a ousar”, complementa a pró-reitora de Pesquisa.

Participando de seu segundo congresso, a estudante Carolina Martinelli, da Faculdade de Odontologia, câmpus de São José dos Campos, se vê como uma profissional mais confiante. Ela realiza um estudo com cimento para próteses. “Para quem quer ser pesquisador, é importante ter esse contato com a investigação científica”, enfatiza.

O evento incentiva a interação com a pós-graduação, por exemplo, por meio da avaliação que mestrandos e doutorandos fazem dos projetos de IC. Para ampliar esse contato, nas duas últimas edições também foram programadas reuniões entre os estudantes dos dois níveis de ensino. “Iniciativas desse tipo estimulam os jovens pesquisadores a continuarem seus trabalhos”, ressalta a professora Terezinha Rangel Câmara, da Universidade Federal de Pernambuco e avaliadora externa do evento.

Premiação – Para estimular os graduandos, são premiados os três melhores estudos de cada área, com os valores de R$ 900,00 para o primeiro lugar, R$ 700,00 para o segundo, e R$ 500,00 para o terceiro. Os escolhidos também participarão da reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da XVII Jornada de Jovens Pesquisadores da AUGM (Associação das Universidades do Grupo Montevidéu), em 2010. Outros 28 trabalhos (sete por segmento) tiveram menções honrosas.

Pelo segundo ano, os vencedores nas quatro grandes áreas apresentarão seus trabalhos no Congresso de Jovens Investigadores da Universidade do Porto, em Portugal. (Veja quadro.) Essa iniciativa é uma parceria entre as instituições para promover o intercâmbio entre pesquisadores.

Nesta edição do CIC, uma comitiva com cinco jovens pesquisadores portugueses expôs projetos vencedores no congresso português do ano passado. Américo Filipe dos Santos Dias, Ana Sofia Figueiredo Marques dos Santos, Gustavo Aníbal Pizarro Bravo Ferreira Lopes, Joana Maria Fernandes Pereira e Joana Nunes Rocha visitaram também laboratórios das unidades da Unesp.

Eles estavam sob a tutela dos professores Jorge Manuel Moreira Gonçalves, vice-reitor de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, e Armando Jorge Gomes Teixeira.

“A Unesp tem um trabalho único que tentamos aprender e aplicar, dentro de nossas dimensões, em nossa instituição”, comenta o vice-reitor.

    Trabalhos premiados
Agrárias – Entre os três primeiros lugares da área, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), câmpus de Botucatu, teve dois representantes – Felipe Laurino, na primeira colocação, e Silvia Amélia Ferreira Lima, na terceira. O segundo lugar ficou com Marina Munhoz Rosato, da Faculdade de Engenharia (FE), câmpus de Ilha Solteira. Laurino, orientado pelo professor Helio Langone, apresentou o trabalho “Relação entre a produção leiteira e a ocorrência de mastites: microrganismos isolados e a dinâmica da infecção entre os quartos mamários de bovinos”. Ele analisou cinquenta vacas e constatou que a produção leiteira não causa inflamação da glândula mamária, a mastite. Langone também acompanhou a dinâmica da infecção dos animais do rebanho, identificando o principal agente causador da doença, a bactéria Corynebacterium bovis, entre outros microrganismos.
 

Exatas – Os melhores trabalhos da área apresentados no CIC ficaram para as alunas Paola Pasqualini Gayego Bello, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas, câmpus de Rio Claro, que foi a vencedora; Anna Luisa Costa de Oliveira, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de São José do Rio Preto, segunda colocada; e Paula Lalucci Berton, da FE/Ilha Solteira. Paola estuda o aproveitamento dos gases gerados no aterro sanitário da cidade de Rio Claro como fontes de energia renováveis. Orientado pelo professor Marcus César Avezum Alves de Castro, o projeto de pesquisa “Estudo da composição e do potencial energético dos gases de aterro sanitário e sua relação com as fases de degradação anaeróbicas” está na fase de coleta dos gases.

 

Biológicas – Alunas de cursos de duas Faculdades de Odontologia alcançaram as duas primeiras colocações: em primeiro lugar, Rafaela Christina Vieira Soares, do câmpus de Araraquara; e em segundo, Weglis Dyanne de Souza Gomes, do câmpus de Araçatuba. Daniele Mendes Guizoni, da Faculdade de Medicina, câmpus de Botucatu, ficou na terceira posição. Orientada pelo professor Carlos Alberto de Souza Costa, Rafaela avaliou os efeitos negativos de um gel clareador sobre os tecidos dos dentes. O trabalho “Efeito citotóxico de um gel clareador com 35% de H2O2 sobre células de linhagem odontoblástica MDPC-23” mostrou que após três aplicações do gel foram observadas importantes alterações morfológicas nas células da polpa dentária.

 

Humanidades – Nessa área, Jucely Aparecida Azenha, da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara, conquistou o primeiro lugar; Paula da Silva Ramos, da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Assis, ficou em segundo; e Vitor Hélio Pereira de Souza, câmpus de Ourinhos, obteve o terceiro lugar. Sob a orientação da professora Maria Dolores Aybar Ramírez, Jucely analisou os mitos da feminilidade presentes nos contos de uma obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Com o título “O eterno feminino: arquétipos literários em Mujeres de Eduardo Galeano”, ela pontua as imagens da feminilidade que ora desconstroem os discursos convencionais sobre a mulher, ora os reforçam.

 
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