Reportagem de Capa -
Pesquisa
Iniciação: mais projetos,
com melhor qualidade
O XXI Congresso de Iniciação Científica somou 2.850 trabalhos de jovens pesquisadores,
com produções que confirmam o prestígio que a Universidade conquistou na área
DANIEL PATIRE
O XXI Congresso de Iniciação Científica
(CIC) da Unesp reuniu em São José
do Rio Preto (SP) cerca de 2.800 trabalhos de alunos de graduação. Esse número
representa um crescimento de quase
10% com relação à edição anterior, que contou com 2.557 projetos. Participaram
também do encontro, realizado entre
3 e 7 de novembro, 208 pós-graduandos
e mais de uma centena de professores das
quatro grandes áreas do conhecimento – Ciências Agrárias, Biológicas, Exatas e
Humanidades.
“A atividade de iniciação científica (IC)
cresce qualitativa e quantitativamente na
Universidade, atraindo o interesse tanto de alunos como de professores”, diz a pró-reitora
de Pesquisa Maria José Soares Mendes
Giannini, que ressalta a qualidade de vários
estudos levados ao evento. “Muitos dos resumos
apresentados poderiam ser publicados
como artigos em revistas de divulgação
científica”, garante.
O encontro foi organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Prope) e pelo Instituto
de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de Rio Preto.
Para promover uma maior interação entre
os jovens estudiosos de temas afins, as apresentações foram divididas nas quatro áreas. Nos dias 3 e 4, foram apresentados
os pôsteres de Exatas, enquanto os de Biológicas e Agrárias foram discutidos
nos dias 4 e 5. Já os pôsteres e exposições
orais das Humanidades ocorreram nos dias 6 e 7.
O professor Erivaldo Antônio da Silva,
presidente da comissão organizadora do
evento e coordenador-executivo do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação Científica) na Unesp considera
muito positivos os resultados obtidos pela Universidade. “No décimo CIC, tínhamos
em torno de 800 alunos em todas as áreas”,
assinala. “Hoje, após dez anos, Quadruplicamos
esse número.”
O coordenador atribui esse aumento à criação do Pibic, em 1998, com apoio
do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e à
constante ampliação de bolsas oriundas de
outras financiadoras, como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
São Paulo). Silva comenta que, no nono
congresso, cerca de 60% dos participantes não possuíam bolsas para desenvolver suas
pesquisas. “Hoje, 70% dos participantes do
CIC recebem um tipo de bolsa que apoia o desenvolvimento de seus trabalhos.”
Formação – Uma característica dessa
edição do encontro foi a participação
mais efetiva de alunos que estão na fase inicial de suas pesquisas, entre o segundo
e o terceiro ano. “E isso é muito importante,
porque cria uma cultura científica desde o início do curso de graduação”, relata
o professor Carlos Roberto Grandini,
presidente do Comitê Científico da área de Exatas. Entre outras vantagens que o estudante obtém ao fazer a IC, segundo
Grandini, está a formação como pesquisador,
já que desde o início de seus estudos
o jovem se envolve com o processo de
produção do conhecimento.
A iniciação científica tem como objetivos
incentivar novos talentos entre estudantes
de graduação, contribuir para reduzir o tempo médio de titulação de mestres
e doutores, estimular uma maior articulação
entre a graduação e a pós-graduação, além de contribuir para a formação de recursos
humanos para a pesquisa. “Através
da IC, os alunos também se tornam melhores profissionais, com mais criatividade e
pensamento crítico, o que os leva a ousar”,
complementa a pró-reitora de Pesquisa.
Participando de seu segundo congresso,
a estudante Carolina Martinelli, da Faculdade
de Odontologia, câmpus de São José dos Campos, se vê como uma profissional
mais confiante. Ela realiza um estudo com
cimento para próteses. “Para quem quer ser pesquisador, é importante ter esse contato
com a investigação científica”, enfatiza.
O evento incentiva a interação com a
pós-graduação, por exemplo, por meio
da avaliação que mestrandos e doutorandos fazem dos projetos de IC. Para
ampliar esse contato, nas duas últimas
edições também foram programadas reuniões entre os estudantes dos dois
níveis de ensino. “Iniciativas desse tipo
estimulam os jovens pesquisadores a
continuarem seus trabalhos”, ressalta a
professora Terezinha Rangel Câmara, da
Universidade Federal de Pernambuco e
avaliadora externa do evento.
Premiação – Para estimular os graduandos,
são premiados os três melhores
estudos de cada área, com os valores de R$ 900,00 para o primeiro lugar, R$
700,00 para o segundo, e R$ 500,00 para
o terceiro. Os escolhidos também participarão da reunião da SBPC (Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência) e
da XVII Jornada de Jovens Pesquisadores da AUGM (Associação das Universidades
do Grupo Montevidéu), em 2010.
Outros 28 trabalhos (sete por segmento) tiveram menções honrosas.
Pelo segundo ano, os vencedores nas
quatro grandes áreas apresentarão seus trabalhos
no Congresso de Jovens Investigadores
da Universidade do Porto, em Portugal.
(Veja quadro.) Essa iniciativa é uma
parceria entre as instituições para promover o intercâmbio entre pesquisadores.
Nesta edição do CIC, uma comitiva
com cinco jovens pesquisadores portugueses expôs projetos vencedores no
congresso português do ano passado.
Américo Filipe dos Santos Dias, Ana Sofia
Figueiredo Marques dos Santos, Gustavo
Aníbal Pizarro Bravo Ferreira Lopes, Joana
Maria Fernandes Pereira e Joana Nunes
Rocha visitaram também laboratórios das unidades da Unesp.
Eles estavam sob a tutela dos professores
Jorge Manuel Moreira Gonçalves, vice-reitor
de Investigação, Desenvolvimento e Inovação,
e Armando Jorge Gomes Teixeira.
“A Unesp tem um trabalho único que
tentamos aprender e aplicar, dentro de
nossas dimensões, em nossa instituição”, comenta o vice-reitor.
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Agrárias – Entre os três primeiros
lugares da área, a Faculdade de Medicina
Veterinária e Zootecnia (FMVZ), câmpus de Botucatu, teve dois representantes – Felipe Laurino, na
primeira colocação, e Silvia Amélia Ferreira Lima, na terceira. O segundo
lugar ficou com Marina Munhoz
Rosato, da Faculdade de Engenharia (FE), câmpus de Ilha Solteira.
Laurino, orientado pelo professor
Helio Langone, apresentou o trabalho “Relação entre a produção leiteira e a
ocorrência de mastites: microrganismos
isolados e a dinâmica da infecção entre os quartos mamários de
bovinos”. Ele analisou cinquenta vacas e constatou que a produção leiteira
não causa inflamação da glândula mamária,
a mastite. Langone também
acompanhou a dinâmica da infecção dos animais do rebanho, identificando o principal agente causador da doença,
a bactéria Corynebacterium bovis, entre outros microrganismos. |
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Exatas – Os melhores trabalhos
da área apresentados no CIC ficaram
para as alunas Paola Pasqualini Gayego Bello, do Instituto de Geociências
e Ciências Exatas, câmpus
de Rio Claro, que foi a vencedora; Anna Luisa Costa de Oliveira, do
Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de
São José do Rio Preto, segunda colocada;
e Paula Lalucci Berton, da FE/Ilha Solteira.
Paola estuda o aproveitamento dos gases gerados no aterro sanitário
da cidade de Rio Claro como
fontes de energia renováveis. Orientado pelo professor Marcus César Avezum Alves de Castro, o projeto de pesquisa “Estudo da
composição e do potencial energético
dos gases de aterro sanitário e sua relação com as fases de degradação
anaeróbicas” está na fase de
coleta dos gases.
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Biológicas – Alunas de cursos de duas
Faculdades de Odontologia alcançaram
as duas primeiras colocações: em
primeiro lugar, Rafaela Christina Vieira
Soares, do câmpus de Araraquara;
e em segundo, Weglis Dyanne de Souza
Gomes, do câmpus de Araçatuba.
Daniele Mendes Guizoni, da Faculdade
de Medicina, câmpus de Botucatu, ficou
na terceira posição.
Orientada pelo professor Carlos
Alberto de Souza Costa, Rafaela avaliou
os efeitos negativos de um gel
clareador sobre os tecidos dos dentes.
O trabalho “Efeito citotóxico de um gel clareador com 35% de H2O2
sobre células de linhagem odontoblástica
MDPC-23” mostrou que após três aplicações do gel foram observadas
importantes alterações morfológicas
nas células da polpa dentária.
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Humanidades – Nessa área, Jucely
Aparecida Azenha, da Faculdade de
Ciências e Letras, câmpus de Araraquara,
conquistou o primeiro lugar; Paula da Silva Ramos, da Faculdade
de Ciências e Letras, câmpus de Assis,
ficou em segundo; e Vitor Hélio
Pereira de Souza, câmpus de Ourinhos,
obteve o terceiro lugar.
Sob a orientação da professora
Maria Dolores Aybar Ramírez, Jucely
analisou os mitos da feminilidade
presentes nos contos de uma
obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Com o título “O eterno feminino: arquétipos literários em
Mujeres de Eduardo Galeano”, ela pontua as imagens da feminilidade
que ora desconstroem os discursos
convencionais sobre a mulher, ora os reforçam. |
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