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Ciências Biológicas
Programa orienta combate a piolhos
Iniciativa se baseia em
estudo sobre infestação
entre moradores de
cem residências em
bairro de Botucatu
A pediculose, ou infestação por piolhos
(Pediculus capitis), afeta tanto a saúde física
quanto a mental das crianças em idade
escolar, o que reduz a autoestima e leva
a dificuldades de aprendizado. Relacionado
a fatores socioeconômicos, esse mal é
visto pela população e pelo poder público
como um incômodo, e não um como
problema de saúde. Essas são algumas das
conclusões de pesquisas realizadas pelo
professor Newton Madeira, do Departamento
de Parasitologia do Instituto de Biociências, câmpus de Botucatu.
“Nos países desenvolvidos, a comunidade
dermatológica discute a classificação da pediculose como doença, porque eles realmente se preocupam com o impacto
na qualidade de vida do jovem infectado”,
afirma o biólogo. Madeira assinala que, no Brasil, faltam infraestrutura e equipes
qualificadas para o trabalho de controle.
O especialista orientou um estudo de
campo das enfermeiras Lúcia Silva e Rúbia
de Aguiar Alencar. Elas elaboraram entrevistas aplicadas por agentes comunitários
de saúde em moradores de cem residências
com crianças menores de oito anos, na
região do Parque Marajoara, em Botucatu.
Os resultados associam a infestação
ao número de moradores por residência
e a baixos níveis de escolaridade dos chefes de família. Entre as crianças que
ainda não estavam na escola, o índice de infestação foi de 29%. A incidência
chegou a 83,5% entre as que já frequentavam as aulas.
Para combater o problema, Madeira
coordenou estudos e atividades de extensão
na escola municipal “Prof. Luís
Tácito Virgíneo dos Santos” e na escola
estadual “Prof. João Queiroz Marques”,
ambas em Botucatu.
Ele avaliou o grau de informação dos
pais e responsáveis por alunos da 3.ª, 4.ª
e 5.ª séries, dos professores e dos próprios estudantes. Em seguida, desenvolveu
um programa educacional com o
uso de cartilha e livro de atividades.
Madeira criou também um jogo interativo,
incentivando atitudes positivas
das crianças em relação à pediculose. De acordo com o pesquisador, o programa
foi bem-sucedido na maioria das
turmas, essencialmente por causa da interação
com os professores
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