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Novembro/2009– Ano XXII – nº 250   ::   Suplemento

 
:: RESENHAS ::

Pedagogia
Educação pela liberdade da criança
Autora discute propostas de Janusz Korczak, defensor de uma formação baseada na autonomia

OSCAR D’AMBROSIO

A trajetória do pediatra, autor infantil e pedagogo judeu polonês Janusz Korczak, pseudônimo de Henryk Goldszmit (1878 ou 1879–1942), é absolutamente extraordinária. Na primeira década do século XX, ele se tornou diretor de um orfanato para crianças judias em Varsóvia, e ali criou uma espécie de república das crianças, com parlamento, tribunal e jornal próprios.

Quando os nazistas criaram o gueto de Varsóvia em 1940, seu orfanato foi encampado – e Korczak foi junto, para não abandonar os alunos. Em 1942, soldados alemães levaram as cerca de 150 crianças entre 7 e 14 anos de idade do orfanato, 12 funcionários e o pedagogo para o campo de concentração de Treblinka, onde ele faleceu.

Em Janusz Korczak, precursor dos direitos da criança, versão em livro da dissertação de mestrado em Educação Escolar da pedagoga Ana Carolina Rodrigues Marangon apresentada na Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara, ocorre a leitura, análise e interpretação das obras do pediatra.

A autora discute inicialmente o moderno conceito de infância, do qual Korczak é precursor, e enfoca o orfanato Lar das Crianças. Ali, cada jovem podia tomar decisões sem ser julgado pelos adultos, dentro do princípio de que a vontade de melhorar e corrigir-se viria das próprias reflexões sobre as atitudes tomadas.

A criança, para o educador, era um ser em formação, não incompleto. Isso é colocado em três de suas obras: Como amar uma criança, Quando eu voltar a ser criança e Rei Mateusinho Primeiro. Elas são analisadas por Ana Carolina, que se debruça ainda sobre O direito da criança ao respeito, de 1929, que inspirou a proclamação, em 1959, da Declaração dos Direitos da Criança pela Unesco.

Na visão de Korczac, a autonomia de pensamento e sentimentos, além da responsabilidade pelos atos, somada às liberdades de escolha, decisão e ação da criança, levariam a formar, como Ana Carolina diz, “cidadãos responsáveis, conscientes de seus atos e felizes por poderem aprender e não somente obedecer ordens impostas por educadores autoritários e indiferentes às descobertas infantis”.

 
  ACI