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Pedagogia
Educação pela liberdade da criança
Autora discute propostas de Janusz Korczak, defensor de uma formação baseada na autonomia
OSCAR D’AMBROSIO
A trajetória do pediatra, autor infantil e pedagogo judeu
polonês Janusz Korczak, pseudônimo de Henryk Goldszmit
(1878 ou 1879–1942), é absolutamente extraordinária.
Na primeira década do século XX, ele se tornou
diretor de um orfanato para crianças judias em Varsóvia, e
ali criou uma espécie de república das crianças, com parlamento,
tribunal e jornal próprios.
Quando os nazistas criaram o gueto de Varsóvia em
1940, seu orfanato foi encampado – e Korczak foi junto,
para não abandonar os alunos. Em 1942, soldados alemães
levaram as cerca de 150 crianças entre 7 e 14 anos de idade
do orfanato, 12 funcionários e o pedagogo para o campo de
concentração de Treblinka, onde ele faleceu.
Em Janusz Korczak, precursor dos direitos da criança, versão
em livro da dissertação de mestrado em Educação
Escolar da pedagoga Ana Carolina Rodrigues Marangon
apresentada na Faculdade de Ciências e Letras, câmpus
de Araraquara, ocorre a leitura, análise e interpretação
das obras do pediatra.
A autora discute inicialmente o moderno conceito de
infância, do qual Korczak é precursor, e enfoca o orfanato
Lar das Crianças. Ali, cada jovem podia tomar decisões
sem ser julgado pelos adultos, dentro do princípio de que
a vontade de melhorar e corrigir-se viria das próprias reflexões
sobre as atitudes tomadas.
A criança, para o educador, era um ser em formação,
não incompleto. Isso é colocado em três de suas obras:
Como amar uma criança, Quando eu voltar a ser criança e Rei Mateusinho Primeiro. Elas são analisadas por Ana Carolina,
que se debruça ainda sobre O direito da criança ao respeito,
de 1929, que inspirou a proclamação, em 1959, da Declaração
dos Direitos da Criança pela Unesco.
Na visão de Korczac, a autonomia de pensamento e sentimentos,
além da responsabilidade pelos atos, somada às liberdades de escolha, decisão e ação da criança, levariam
a formar, como Ana Carolina diz, “cidadãos responsáveis, conscientes de seus atos e felizes por poderem aprender
e não somente obedecer ordens impostas por educadores autoritários e indiferentes às descobertas infantis”. |