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Literatura
Prêmio Jabuti distingue
tradução de Satíricon
Trabalho de linguista do câmpus de Rio Preto
obtém segundo lugar em sua categoria
Professor do Instituto de Biociências,
Letras e Ciências Exatas, câmpus de São
José do Rio Preto, Cláudio Aquati obteve
o segundo lugar do Prêmio Jabuti, na
categoria de tradução, pelo livro Satíricon
(Editora Cosac&Naify), escrito há
dois mil anos, em latim, por Petrônio.
O especialista discute as propostas e
obstáculos que o seu trabalho envolveu. (Entrevista a Oscar D’Ambrosio)
Jornal Unesp: Como surgiu o projeto de
traduzir Satíricon?
Cláudio Aquati: Foi no final da
minha graduação, em meados da década
de 1980. Naquele momento verifiquei que uma das principais características
da obra é o fato de ela se situar
no terreno da sociolinguística, porque
Petrônio mescla diversos registros de
níveis de linguagem.
JU: O fato de o texto ter trechos numa linguagem
chula foi um desafio?
Aquati: Há traduções que suavizam
demais a linguagem do Petrônio e
as que exageram na questão da obscenidade. Acho que o texto original deve
motivar a tradução. Por isso, procurei
observar os pontos mais delicados e os
mais obscenos, mantendo-os.
JU: Em qual circunstância o texto latino
foi criado?
Aquati: Ele se situa na metade do
primeiro século depois de Cristo. Petrônio
inaugura na literatura latina a
narração em prosa. Hoje são 150 páginas
em português, mas, como não temos
nem o início nem o final, e mesmo o que restou apresenta lacunas, não
sabemos, por exemplo, se o que chegou
até nós do Satíricon é uma coletânea
dos melhores momentos ou o resto
de uma obra que veio se perdendo
por questões de conservação.
JU: Qual foi a maior dificuldade da tradução?
Aquati: O mais problemático é
a seleção vocabular que o Petrônio
faz, pois nem sempre ela é condizente
com aquilo que se chama hoje de
latim clássico. É um latim misturado
com tendências populares que inclui
obscenidade, gíria e palavrões que
obrigam o tradutor a fazer escolhas
que podem trair o escritor latino.
JU: Nesse sentido, qual é o diferencial da
sua premiada tradução?
Aquati: Procurei, no meu trabalho,
fazer uma adaptação para uma
linguagem corrente em português
não só de nível culto, mas também
de nível popular, pensando na intencionalidade
de Petrônio. |