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Novembro/2009– Ano XXII – nº 250   ::   Suplemento

 
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Literatura
Prêmio Jabuti distingue tradução de Satíricon
Trabalho de linguista do câmpus de Rio Preto obtém segundo lugar em sua categoria

Professor do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, câmpus de São José do Rio Preto, Cláudio Aquati obteve o segundo lugar do Prêmio Jabuti, na categoria de tradução, pelo livro Satíricon (Editora Cosac&Naify), escrito há dois mil anos, em latim, por Petrônio. O especialista discute as propostas e obstáculos que o seu trabalho envolveu. (Entrevista a Oscar D’Ambrosio)

Jornal Unesp: Como surgiu o projeto de traduzir Satíricon?
Cláudio Aquati: Foi no final da minha graduação, em meados da década de 1980. Naquele momento verifiquei que uma das principais características da obra é o fato de ela se situar no terreno da sociolinguística, porque Petrônio mescla diversos registros de níveis de linguagem.

JU: O fato de o texto ter trechos numa linguagem chula foi um desafio?
Aquati: Há traduções que suavizam demais a linguagem do Petrônio e as que exageram na questão da obscenidade. Acho que o texto original deve motivar a tradução. Por isso, procurei observar os pontos mais delicados e os mais obscenos, mantendo-os.

JU: Em qual circunstância o texto latino foi criado?
Aquati: Ele se situa na metade do primeiro século depois de Cristo. Petrônio inaugura na literatura latina a narração em prosa. Hoje são 150 páginas em português, mas, como não temos nem o início nem o final, e mesmo o que restou apresenta lacunas, não sabemos, por exemplo, se o que chegou até nós do Satíricon é uma coletânea dos melhores momentos ou o resto de uma obra que veio se perdendo por questões de conservação.

JU: Qual foi a maior dificuldade da tradução?
Aquati: O mais problemático é a seleção vocabular que o Petrônio faz, pois nem sempre ela é condizente com aquilo que se chama hoje de latim clássico. É um latim misturado com tendências populares que inclui obscenidade, gíria e palavrões que obrigam o tradutor a fazer escolhas que podem trair o escritor latino.

JU: Nesse sentido, qual é o diferencial da sua premiada tradução?
Aquati: Procurei, no meu trabalho, fazer uma adaptação para uma linguagem corrente em português não só de nível culto, mas também de nível popular, pensando na intencionalidade de Petrônio.

 
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