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Novembro/2009– Ano XXII – nº 250   ::   Suplemento

 
:: LIVROS ::

Ciências Sociais
A São Paulo sírio-libanesa
Autor comenta livro sobre a integração de imigrantes na capital paulista entre 1890 e 1960

O estudo da vida e integração dos sírios e libaneses na cidade de São Paulo entre 1890 e 1960 é o tema do livro Patrícios (Editora Unesp, 354 páginas, R$ 50), originário de um doutorado na USP em 1993 e publicado com um posfácio, resultado de uma pesquisa sobre muçulmanos na capital paulista. O autor, Oswaldo Mário Serra Truzzi, é doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Pela Editora Unesp, publicou, como coautor: Atlas da imigração internacional em São Paulo, 1850-1950; Repertório de legislação brasileira e paulista referente à imigração; e Roteiro de fontes sobre a imigração em São Paulo, 1850-1950. Truzzi comenta a peculiaridade da adaptação da comunidade sírio libanesa e a importância da imigração na história do Estado. (Entrevista a Oscar D’Ambrosio)

Jornal Unesp: Quais foram as suas fontes de pesquisa nesse mergulho na colônia síriolibanesa?
Truzzi: Há toda uma parte assentada em documentação, além da realização de mais de cem entrevistas. Como o que mais me despertava curiosidade era a trajetória razoavelmente bem-sucedida da colônia, fiz um levantamento de exalunos das principais faculdades, entre profissões liberais, como direito, medicina e engenharia.

JU: Quais elementos comuns você detectou?
Truzzi: Embora tenham chegado aqui numa época em que a economia cafeeira era muito forte e pudessem se empregar como colonos, eles têm a característica cultural de privilegiar o trabalho sem patrão. Mascateando, eles se disseminam por todo o Brasil. Passam então a abrir pequenos negócios. Essas lojinhas começam no varejo, chegam ao atacado e, em alguns casos, atingem o estágio industrial.

JU: O que mais o marcou nas entrevistas?
Truzzi: Há uma rede de ajuda muito forte. Os imigrantes da colônia e seus descendentes competem entre si no comércio, mas, na hora do aperto, um aciona o outro, porque vieram da mesma cidade ou porque os pais foram companheiros de viagem. Passadas muitas gerações, isso tende a se diluir, mas também se reconfigura e reatualiza, por exemplo, com a entrada nas profissões liberais.

JU: Qual é o maior ensinamento que o senhor retira da pesquisa com esses imigrantes?
Truzzi: Os sírios e os libaneses encarnam um tipo de trajetória possível num Estado que tem características muito peculiares. Com o desenvolvimento da economia cafeeira, no começo com mão de obra escrava, mas logo em seguida com trabalho livre, São Paulo acolheu muitos imigrantes, com subsídio governamental. Para mim, a história paulista se confunde com a história da imigração.

 
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