|
Ciências Sociais
A São Paulo sírio-libanesa
Autor comenta livro sobre a integração de
imigrantes na capital paulista entre 1890 e 1960
O estudo da vida e integração dos sírios
e libaneses na cidade de São Paulo
entre 1890 e 1960 é o tema do livro Patrícios
(Editora Unesp, 354 páginas, R$ 50),
originário de um doutorado na USP em
1993 e publicado com um posfácio, resultado
de uma pesquisa sobre muçulmanos
na capital paulista. O autor, Oswaldo
Mário Serra Truzzi, é doutor em Ciências Sociais e professor da Universidade Federal
de São Carlos (UFSCar). Pela Editora
Unesp, publicou, como coautor: Atlas da
imigração internacional em São Paulo, 1850-1950; Repertório de legislação brasileira e
paulista referente à imigração; e Roteiro de fontes sobre a imigração em São Paulo, 1850-1950. Truzzi comenta a peculiaridade da
adaptação da comunidade sírio libanesa
e a importância da imigração na história
do Estado. (Entrevista a Oscar
D’Ambrosio)
Jornal Unesp: Quais foram as suas fontes
de pesquisa nesse mergulho na colônia síriolibanesa?
Truzzi: Há toda uma parte assentada
em documentação, além da realização
de mais de cem entrevistas. Como o que mais me despertava curiosidade era a
trajetória razoavelmente bem-sucedida
da colônia, fiz um levantamento de exalunos das principais faculdades, entre
profissões liberais, como direito, medicina
e engenharia.
JU: Quais elementos comuns você detectou?
Truzzi: Embora tenham chegado
aqui numa época em que a economia
cafeeira era muito forte e pudessem
se empregar como colonos, eles têm a
característica cultural de privilegiar o
trabalho sem patrão. Mascateando, eles
se disseminam por todo o Brasil. Passam então a abrir pequenos negócios. Essas
lojinhas começam no varejo, chegam
ao atacado e, em alguns casos, atingem
o estágio industrial.
JU: O que mais o marcou nas entrevistas?
Truzzi: Há uma rede de ajuda muito
forte. Os imigrantes da colônia e seus
descendentes competem entre si no
comércio, mas, na hora do aperto, um
aciona o outro, porque vieram da mesma
cidade ou porque os pais foram companheiros de viagem. Passadas muitas gerações,
isso tende a se diluir, mas também
se reconfigura e reatualiza, por exemplo,
com a entrada nas profissões liberais.
JU: Qual é o maior ensinamento que o senhor
retira da pesquisa com esses imigrantes?
Truzzi: Os sírios e os libaneses encarnam
um tipo de trajetória possível
num Estado que tem características
muito peculiares. Com o desenvolvimento
da economia cafeeira, no começo
com mão de obra escrava, mas logo
em seguida com trabalho livre, São
Paulo acolheu muitos imigrantes, com
subsídio governamental. Para mim, a
história paulista se confunde com a história
da imigração. |