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Conferência
Debate pelo avanço da qualidade
Encontro discutiu publicação em revistas científicas, infraestrutura e contratação de professores
A Unesp vem aumentando o número
de programas, alunos ingressantes e
formados na pós-graduação. Agora, com
base no Plano de Desenvolvimento Institucional
(PDI), a Pró-reitoria de Pósgraduação
(Propg) definiu como meta implementar estratégias para aprimorar a
qualidade dos cursos. Com esse objetivo,
de 21 a 23 de setembro, representantes
dos programas se reuniram na III Conferência
da Pós-graduação, em Atibaia (SP).
Os participantes debateram o apoio à
publicação em revistas científicas, infraestrutura
e contratação de professores exclusivos para a pós-graduação. “Temos
que nos preparar para o desafio de competir
com universidades de grande porte”,
declarou o reitor Herman Jacobus Cornelis
Voorwald. Para uma plateia de 190 professores
e servidores, ele destacou, ainda,
a importância da internacionalização e da
geração e transferência de tecnologia.
Na última avaliação trienal da Capes
(Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior), em 2007, entre 105 programas, a maioria teve
seu conceito mantido, parte deles melhorou,
mas cerca de 17% tiveram queda
de avaliação. Uma comissão passou
a acompanhar de perto os programas
com conceito 3. Já os programas 5, 6 e
7 (conceitos máximos) estão sendo premiados
com a contratação de docentes para a pós-graduação.
Uma das orientações da Propg é
aprimorar a seleção de alunos para a
pós e acompanhar melhor os egressos
dos cursos. “Precisamos buscar talentos,
valorizar a experiência científica e,
para fins de avaliação e gestão internas,
conhecer a inserção profissional dos
concluintes”, destacou Marilza Cunha Rudge, pró-reitora de Pós-Graduação.
“O profissional com doutorado tem
grande capacidade para lidar em ambientes
com alto grau de complexidade”,
observou João Alziro Jornada,
presidente do Inmetro (Instituto Nacional
de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial), em que 70% dos
funcionários possuem título de doutor.
A assessora especial do Ministério de
Ciência e Tecnologia, Ana Lucia Gabas,
anunciou um plano para que as empresas
contratem mais profissionais com
essa qualificação – hoje, apenas 9% dos
formados são absorvidos. “A empresa
que contrata doutores pode até obter
incentivos fiscais”, afirma.
Ana também convocou os pesquisadores
a apresentar mais projetos às agências
financiadoras, visando o aumento de verbas para a Ciência e Tecnologia no
país. Na Fapesp (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo), o índice de aprovação de projetos chega a 60%.
Na Inglaterra, não passa de 10%.
Critério de aprovação dos projetos, a
publicação de artigos em revistas científicas de alto impacto pelos solicitantes
tem recebido apoio da Unesp por meio
da concessão de crédito a algumas editoras,
bem como à tradução dos textos. “Para bons projetos de pesquisa e boas
equipes, não faltam recursos no Brasil”,
enfatizou Carlos Henrique Brito Cruz,
diretor científico da Fapesp.
Julio Zanella Mais recursos para pessoal e equipamentos
Pela primeira vez na Unesp, cada
um dos 46 programas de pós-graduação
com conceitos 5, 6 e 7 na última
avaliação da Capes receberá
uma vaga de professor como incentivo à qualidade. As vagas serão liberadas
com base nos processos de contratação aprovados pelo Cepe
(Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão)
e nas especificidades definidas
pela Propg.
Para Wagner Vilegas, coordenador
do programa de Pós-Graduação
do Instituto de Química, nota 7 na
Capes, a iniciativa vai possibilitar a
ampliação de novas linhas de pesquisa. “O professor a ser contratado
deverá ter um perfil de alta qualificação, com linha de pesquisa definida
e projetos aprovados por agências
financiadoras”, apontou Marilza
Cunha Rudge.
Ao anunciar o aumento de 50% de
bolsas para pós-doutorados, o diretor-científico da Fapesp, Carlos Henrique
Brito Cruz, destacou a importância
de se aumentar o número de
professores com essa qualificação. “Hoje, os principais rankings internacionais
levam em conta a relação do
número de doutores e de pós-doutorados”,
justificou.
Infraestrutura – O diretor de
avaliação da Capes, Lívio Amaral,
comunicou a aprovação de cerca
de R$ 2,8 milhões para infraestrutura
dos laboratórios dos programas
de pós-graduação da Unesp. O
ex-reitor Marcos Macari ressaltou,
porém, que apenas infraestrutura
não é suficiente. “Conheci muitos
laboratórios de referência que não
contavam com equipamentos sofisticados”,
acentuou. “Aspectos como
a interdisciplinaridade, ideias brilhantes
e qualidade acadêmica
são o que faz a diferença.”
J.Z. |