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Outubro/2009– Ano XXII – nº 249   ::   Suplemento

 
:: PÓS-GRADUAÇÃO::

Conferência
Debate pelo avanço da qualidade
Encontro discutiu publicação em revistas científicas, infraestrutura e contratação de professores

A Unesp vem aumentando o número de programas, alunos ingressantes e formados na pós-graduação. Agora, com base no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), a Pró-reitoria de Pósgraduação (Propg) definiu como meta implementar estratégias para aprimorar a qualidade dos cursos. Com esse objetivo, de 21 a 23 de setembro, representantes dos programas se reuniram na III Conferência da Pós-graduação, em Atibaia (SP).

Os participantes debateram o apoio à publicação em revistas científicas, infraestrutura e contratação de professores exclusivos para a pós-graduação. “Temos que nos preparar para o desafio de competir com universidades de grande porte”, declarou o reitor Herman Jacobus Cornelis Voorwald. Para uma plateia de 190 professores e servidores, ele destacou, ainda, a importância da internacionalização e da geração e transferência de tecnologia.

Na última avaliação trienal da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), em 2007, entre 105 programas, a maioria teve seu conceito mantido, parte deles melhorou, mas cerca de 17% tiveram queda de avaliação. Uma comissão passou a acompanhar de perto os programas com conceito 3. Já os programas 5, 6 e 7 (conceitos máximos) estão sendo premiados com a contratação de docentes para a pós-graduação.

Uma das orientações da Propg é aprimorar a seleção de alunos para a pós e acompanhar melhor os egressos dos cursos. “Precisamos buscar talentos, valorizar a experiência científica e, para fins de avaliação e gestão internas, conhecer a inserção profissional dos concluintes”, destacou Marilza Cunha Rudge, pró-reitora de Pós-Graduação.

“O profissional com doutorado tem grande capacidade para lidar em ambientes com alto grau de complexidade”, observou João Alziro Jornada, presidente do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), em que 70% dos funcionários possuem título de doutor. A assessora especial do Ministério de Ciência e Tecnologia, Ana Lucia Gabas, anunciou um plano para que as empresas contratem mais profissionais com essa qualificação – hoje, apenas 9% dos formados são absorvidos. “A empresa que contrata doutores pode até obter incentivos fiscais”, afirma.

Ana também convocou os pesquisadores a apresentar mais projetos às agências financiadoras, visando o aumento de verbas para a Ciência e Tecnologia no país. Na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o índice de aprovação de projetos chega a 60%.

Na Inglaterra, não passa de 10%.

Critério de aprovação dos projetos, a publicação de artigos em revistas científicas de alto impacto pelos solicitantes tem recebido apoio da Unesp por meio da concessão de crédito a algumas editoras, bem como à tradução dos textos. “Para bons projetos de pesquisa e boas equipes, não faltam recursos no Brasil”, enfatizou Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Julio Zanella

Mais recursos para pessoal e equipamentos

Pela primeira vez na Unesp, cada um dos 46 programas de pós-graduação com conceitos 5, 6 e 7 na última avaliação da Capes receberá uma vaga de professor como incentivo à qualidade. As vagas serão liberadas com base nos processos de contratação aprovados pelo Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) e nas especificidades definidas pela Propg.

Para Wagner Vilegas, coordenador do programa de Pós-Graduação do Instituto de Química, nota 7 na Capes, a iniciativa vai possibilitar a ampliação de novas linhas de pesquisa. “O professor a ser contratado deverá ter um perfil de alta qualificação, com linha de pesquisa definida e projetos aprovados por agências financiadoras”, apontou Marilza Cunha Rudge.

Ao anunciar o aumento de 50% de bolsas para pós-doutorados, o diretor-científico da Fapesp, Carlos Henrique Brito Cruz, destacou a importância de se aumentar o número de professores com essa qualificação. “Hoje, os principais rankings internacionais levam em conta a relação do número de doutores e de pós-doutorados”, justificou.

Infraestrutura – O diretor de avaliação da Capes, Lívio Amaral, comunicou a aprovação de cerca de R$ 2,8 milhões para infraestrutura dos laboratórios dos programas de pós-graduação da Unesp. O ex-reitor Marcos Macari ressaltou, porém, que apenas infraestrutura não é suficiente. “Conheci muitos laboratórios de referência que não contavam com equipamentos sofisticados”, acentuou. “Aspectos como a interdisciplinaridade, ideias brilhantes e qualidade acadêmica são o que faz a diferença.”

J.Z.

 
  ACI