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Lançamento
A viagem poética de Euclides
Reunião inédita de 133
trabalhos apresenta visão
de conjunto da produção
em versos do escritor
Integrado aos eventos que lembram, em 2009,
os cem anos da morte de um dos maiores escritores brasileiros, a Editora Unesp lança, em
15 de outubro, na Feira do Livro de Frankfurt,
Alemanha, o livro Euclides da Cunha: poesia reunida.
A edição comemorativa oferece pela primeira
vez uma visão de conjunto do acervo poético do autor
de Os sertões, grande parte inédito.
Organizado por Leopoldo M. Bernucci, professor
de Literatura Latino-Americana da Universidade da
Califórnia, e Francisco Foot Hardman, da Unicamp, o
volume mostra como a poesia de Euclides apresenta
repúdio à escravidão negra, utopia revolucionária republicana,
metafísica do eu, angústia da vida humana
desgarrada da religião, desejo de morte e de glória, panteísmo e anticlericalismo.
Também se caracteriza por denúncia da miséria social,
militância antimonarquista, patriotismo acentuado,
desejo de representar os principais momentos da
história geral e nacional, amor à natureza, elogio da
vida no campo e repulsa à cidade.
Antologia de Bandeira – Dois textos, “Mundos
extintos” e “Se acaso uma alma se fotografasse”,
foram escolhidos, em 1946, por Manuel Bandeira para
integrar a sua Antologia de poetas bissextos brasileiros contemporâneos.
Mas, geralmente, a poesia de Euclides saiu
esparsamente, antes e depois da morte do seu autor,
em publicações hoje de difícil acesso ou manuseio, mal
citada, defeituosamente transcrita e editada.
A presente edição traz 133 poemas, sendo 78 pertencentes
ao caderno manuscrito Ondas; 20 poemas
dispersos e 12 postais, além de 15 variantes principais
e oito secundárias. Até agora, a maior reunião de poemas
de Euclides não atingia os 40 textos.
A obra cobre quase trinta anos da vida do autor
(1883-1909). Há sonetos, odes, versos heroicos, épicos,
dramáticos, líricos e versos rimados ou brancos escritos
em cartões, bilhetes postais ou em retratos dele próprio.
O caderno Ondas (1883/84) traz também 13 notas
do próprio poeta, 12 em folhas separadas e uma
de rodapé para um único poema, “No túmulo de
um inglês...”. Geralmente, cada poema traz a data de
composição e a assinatura do autor, que oscila entre
Euclydes, Euclydes da Cunha e Euclydes Cunha.
Em postais – Os poemas reunidos como Dispersos
(1885/1909) trazem pelo menos quatro inéditos em livros, além de dois jamais publicados sob nenhuma
forma impressa. Em Poesia postal (1902/1906), estão
textos rascunhados em cadernos ou em folhas avulsas
manuscritas – não se sabendo ao certo se foram expedidos – em blue prints, técnica de reprodução fotográfica
muito em voga na época, cartões ou bilhetes postais.
Destacam-se os postais coloridos sobre a viagem
de Euclides à Amazônia. Escritos entre dezembro de
1904 e fevereiro de 1905, são endereçados para vários
amigos. Do mencionado soneto “Se acaso uma alma se fotografasse”, Bernucci e Hardman levantaram
quatro diferentes variantes.
Elas foram enviadas a distintos destinatários, fazendo
supor que esse número tenha sido ainda maior,
pois Euclides se dedicou a manuscrevê-lo, alterando-o,
sempre sobre as mesmas reproduções de uma fotografia do grupo expedicionário ao Alto Purus.
O volume é de grande importância por motivar uma
melhor análise da complexa transição do romantismo
ao modernismo no Brasil, entre as duas últimas décadas
do século XIX e a primeira década do século XX.
Propicia também uma visão mais completa de Os sertões,
um dos mais importantes livros da literatura nacional.
Oscar D’Ambrosio
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Obra traz ensaios sobre autor
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A Editora Unesp também prevê para outubro o
lançamento de A vingança da Hileia, reunião de
ensaios de Francisco Foot Hardman sobre Euclides
da Cunha. Ele verifica o diálogo do escritor carioca
com outros autores que abordaram a Amazônia,
como Inglês de Sousa, José Veríssimo, Ferreira
de Castro, Márcio Sousa e Milton Hatoum.
Ao tratar do massacre de Canudos, Francisco
Foot Hardman enfoca violência rural e urbana,
isolamento, solidão e autopunição. Os ensaios
aproximam ainda Euclides de Raul Pompéia, Augusto
dos Anjos, Silva Jardim, Sousândrade e Alberto
Rangel, considerados por Hardman representantesda transição do século XIX para o XX.
O.D. |
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