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O Ouvidor Fala
Cidadania e corrupção
JOSÉ RIBEIRO JÚNIOR
No artigo anterior mencionamos,
muito rapidamente, uma linha histórica
de comportamento pouco republicano e democrático com relação a
trocas de favores entre a camada social dominante
e os poderes constituídos. Permitimonos acrescentar, para
leitura, outro clássico
da literatura histórica,
Coronelismo, enxada e
voto, de Victor Nunes Leal. O coronel usufruía
dos favores dos
governantes em troca
dos chamados “votos
de cabresto”. Atualmente,
há outros métodos de voto cativo.
Mas há muitas semelhanças
nessa herança
política.
Hoje, essa e outras
formas corruptíveis
têm sido mais enfaticamente
denunciadas.
A Folha publicou matéria
de Rubens Ricupero
que constata que
a corrupção “passou a
ser condição de governabilidade”
e substituiu a violência e a tortura da ditadura militar como forma de governar.
Já mencionamos a participação dos três
segmentos da Unesp na prática cidadã de
atuar em sociedade exigindo ética e dignidade
em todos os setores onde estamos inseridos.
Agora, sugerimos a forma dessa participação
com informações para muitos bastante
conhecidas. Há várias instituições idôneas
independentes pelas quais podemos, além
do voto consciente, fazer a nossa crítica cidadã.
Permitimo-nos destacar a organização
independente e autônoma
Transparência
Brasil, cujo objetivo é reunir indivíduos
e instituições que se proponham a combater
a corrupção. Ela
afirma textualmente: “A transparência dos
atos das três esferas
do Estado é pequena,
o que em grande parte
se deve a padrões
de comportamento
arraigados e, em menor
medida, à falta de coordenação entre os
interessados em mudar
a situação”.
Batalhamos para
que indivíduos de
qualquer agremiação
política e de todas as
esferas do poder reflitam
sobre o passado e o presente histórico,
superando antigos vícios públicos a fim de
que a ausência de ética e cidadania não seja
um fardo degenerativo e inexorável. A Universidade
pode e deve desempenhar o seu
papel democrático e cidadão. |