UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
     
 
Jornal UNESP :::

Outubro/2009– Ano XXII – nº 249   ::   Suplemento

 
:: GERAL ::

O Ouvidor Fala
Cidadania e corrupção

JOSÉ RIBEIRO JÚNIOR

No artigo anterior mencionamos, muito rapidamente, uma linha histórica de comportamento pouco republicano e democrático com relação a trocas de favores entre a camada social dominante e os poderes constituídos. Permitimonos acrescentar, para leitura, outro clássico da literatura histórica, Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal. O coronel usufruía dos favores dos governantes em troca dos chamados “votos de cabresto”. Atualmente, há outros métodos de voto cativo. Mas há muitas semelhanças nessa herança política.

Hoje, essa e outras formas corruptíveis têm sido mais enfaticamente denunciadas. A Folha publicou matéria de Rubens Ricupero que constata que a corrupção “passou a ser condição de governabilidade” e substituiu a violência e a tortura da ditadura militar como forma de governar.

Já mencionamos a participação dos três segmentos da Unesp na prática cidadã de atuar em sociedade exigindo ética e dignidade em todos os setores onde estamos inseridos.

Agora, sugerimos a forma dessa participação com informações para muitos bastante conhecidas. Há várias instituições idôneas independentes pelas quais podemos, além do voto consciente, fazer a nossa crítica cidadã. Permitimo-nos destacar a organização independente e autônoma Transparência Brasil, cujo objetivo é reunir indivíduos e instituições que se proponham a combater a corrupção. Ela afirma textualmente: “A transparência dos atos das três esferas do Estado é pequena, o que em grande parte se deve a padrões de comportamento arraigados e, em menor medida, à falta de coordenação entre os interessados em mudar a situação”.

Batalhamos para que indivíduos de qualquer agremiação política e de todas as esferas do poder reflitam sobre o passado e o presente histórico, superando antigos vícios públicos a fim de que a ausência de ética e cidadania não seja um fardo degenerativo e inexorável. A Universidade pode e deve desempenhar o seu papel democrático e cidadão.

 
  ACI