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Setembro/2009– Ano XXII – nº 248   ::   Suplemento

 
:: RESENHAS::

História
Educação no mercado cultural
Percurso do ensino no país, cada vez mais marcado pelos meios de comunicação, é tema de estudo

Resultado de tese de livre-docência em História da Educação Brasileira, defendida na Faculdade de Filosofia e Ciências, câmpus de Marília, este livro é fruto de dez anos de pesquisa. O trabalho se diferencia da história oficial – positivista e linear – e não se atém apenas à estrutura e organização do ensino no Brasil, vendo a educação como parte da cultura contemporânea, no contexto dos meios de comunicação.

A obra analisa a mudança do aprendizado ao longo do tempo, observando o passado por aquilo que ele significa para o presente, visando a uma superação rumo a uma instrução melhor. Professora de História da Educação na FFC, Sonia Marrach começa o livro retomando ideias de Cipriano Barata e Frei Caneca, que atuaram no início do século XIX no processo de emancipação política e construção do Estado nacional.

Em seguida, o foco passa para Machado de Assis e Eça de Queirós, que retratam a educação no século XIX como controle e poder. Nessa visão, o escritor Stefan Zweig discute transformações no século XX em uma sociedade administrada, burocratizada e com controle de massas.

Sonia lembra o pensamento do anarquista catalão Francisco Ferrer, que desenvolveu práticas pedagógicas libertárias. Walter Benjamin também é estudado, trazendo a discussão da formação de adultos cada vez mais autônomos.

Cecília Meireles e Anísio Teixeira são analisados como paradigmas da Escola Nova, que concebe a educação como um direito ligado à noção de mérito. Ficam assim evidenciadas diferenças entre o esclarecimento pedagógico-político proposto por Paulo Freire e práticas educacionais conservadoras.

A passagem da escola pública para a de massas entre 1968 e 1971, dentro de um autoritarismo voltado para a repetição de estereótipos, é discutida, assim como a atual massificação do ensino público, visto como opção pela globalização associada à indústria cultural.

A conclusão aponta para uma sociedade pós-moderna em que a direção não está mais a cargo da Igreja ou da universidade, mas dos meios de comunicação. Desse modo, para Sonia, a cultura crítica e autorreflexiva tenderia a se limitar a grupos restritos. E a esfera cultural se massificaria dentro de uma sociedade autoritária, embora aparentemente democrática.

Oscar D´Ambrosio

Outras histórias da educação:
do iluminismo à indústria cultural
(1823
– 2005) – Sonia Marrach; Editora Unesp;
286 páginas; R$ 49. Informações: www.
editoraunesp.com.br ou (11) 3242-7171.

 

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