UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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Setembro/2009– Ano XXII – nº 248   ::   Suplemento

 
:: OPINIÃO ::

Indicadores de medição científica e importância da afiliação institucional
Marta Valentim

A universidade pública tem como principal função a formação de pessoas e a construção de conhecimento para a resolução de problemas existentes em uma determinada realidade social. Dessa forma, a produção científica se constitui no resultado concreto dessas ações e, por isso mesmo, vem sendo objeto de atenção de gestores, governos, agências e da própria sociedade. “Em 30 anos, o número de trabalhos publicados por pesquisadores brasileiros aumentou exponencialmente de 0,3% para quase 2% de todo o conhecimento científi co mundial [...] As seis primeiras colocadas – USP, Unicamp, UFRJ, Unesp, UFRGS e UFMG – mantêm suas posições no ranking desde 1996.” Nesse sentido, surgem métodos e técnicas (cientometria, bibliometria, webometria) para se realizar medições de diferentes naturezas como, por exemplo: de impacto, de citação, formação de redes, entre outras, conhecidas atualmente como “mapas da ciência”.

Macias-Chapulaii (1998, p.136) explica que “[...] a ciência necessita ser considerada como um amplo sistema social, no qual uma de suas funções é disseminar conhecimentos. Sua segunda função é assegurar a preservação de padrões e, a terceira, é atribuir crédito e reconhecimento para aqueles cujos trabalhos têm contribuído para o desenvolvimento das ideias em diferentes campos”.

Destaca-se que, para a realização de qualquer tipo de medição, a afi liação institucional é fundamental, visto que a identidade da produção se dá tanto pelo pesquisador quanto pela instituição à qual ele pertence. Além disso, a maioria das medições realizadas é inicialmente institucional como, por exemplo: a) dados por instituição, no mundo, no país e no Estado; b) por área de conhecimento, no mundo, no país e no Estado; c) por redes, grupos e pesquisador de uma determinada área do
conhecimento, no mundo, no país e no Estado; d) por tipo de publicação, no mundo, no país e no Estado; e) por programa de pós-graduação no país, no Estado e na instituição; f) por departamento, na instituição; g) por período ou ano, no mundo, no país e no Estado; h) por língua, no mundo, no país e no Estado; entre outros.

As universidades públicas paulistas destacam-se no cenário nacional e revelam expressivo crescimento em relação à produção científi ca no período de 1998 a 2002, fato atribuído à melhoria das condições de pesquisa para os pesquisadores dessas instituições em termos de infraestrutura (bibliotecas, laboratórios, informática etc.), ao fortalecimento das redes colaborativas interinstitucionais, ao apoio governamental através de editais de fomento, bem como à consolidação de programas de pós-graduação. (Veja Figura 1)

Figura 1: Publicações de Instituições Paulistas Indexadas na Base SCIE - 1998-2002.
Fonte Adaptada: Fapesp - 2004 - Tabela 5.8.

Assim, surge a importância de se desenvolver critérios institucionais para orientar os pesquisadores quanto à identificação institucional, visto ser ela um dos primeiros filtros aplicados nos métodos e técnicas de medição. [...]

Para se ter uma ideia das diferentes formas de afi liação utilizadas por nossos pesquisadores, a Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB) realizou uma pesquisa em amostras de 50 citações dos últimos cinco anos, em diferentes fontes de informação, obtendo os resultados demonstrados na Figura 2.

Figura 2: Formas de Afiliação Institucional Unesp
Fonte: Coordenadoria Geral de Bibliotecas - 2009.

Isso demonstra que grande parte da produção científica da Unesp não é recuperada adequadamente, visto que muitos pesquisadores não informam corretamente a afiliação institucional. Existe uma instrução normativa aprovada no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), de 10 de agosto de 2004, que determina a padronização dos trabalhos publicados em relação à afi liação institucional: “Unesp – São Paulo State University”, seguida, opcionalmente, de nome, faculdade, laboratório, endereço, etc.”, contudo, observa-se que a comunidade não atende à referida instrução.

[...] Na pesquisa realizada pela CGB, verificou-se também como outras universidades brasileiras e estrangeiras informam a afiliação institucional. Destacam-se a Universidade de Brasília, que mantém maior uniformidade: “Univ Brasília”; a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que mantêm a sigla, até mesmo sem informar o nome por extenso.

Observa-se que há uma tendência, tanto em nível nacional quanto em nível internacional, em manter o nome da instituição na língua original. Além disso, muitas universidades estrangeiras informam o nome institucional utilizando a abreviatura da palavra “Universidade”, isto é, “Univ”. O uso da abreviatura indica uma preocupação das universidades estrangeiras quanto à recuperação da produção científi ca, porquanto pode ser recuperada em diferentes línguas: University (inglês), Université
(francês), Universidad (espanhol), Universität (alemão), Università (italiano), Univerzitní (tcheco), Universitet (polonês) entre outras.

[...]

De qualquer forma, há a necessidade de se discutir essa questão no âmbito da Unesp, de forma que todos os pesquisadores sigam uma única forma de citação institucional, propiciando que os fi ltros utilizados para obtenção da produção científica Unesp sejam reais e não aproximados como atualmente estão sendo. Isso significa colocar a Unesp no lugar de fato e de direito em termos de produção científi ca estadual, nacional e internacional.

i ESTADO de S. Paulo (AE) – 1º de agosto de 2007 – 9h58.
ii MACIAS-CHAPULA, C. A. “O papel da informetria e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional”. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 134-140, maio/ago. 1998.
iii SCIENCE Citation Index Expanded (SCIE) – Institute for Scientifi c Information (ISI).
iv FAPESP. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo. São Paulo: 2004. Capítulo 5; Tabela 5.8.
v Pesquisa realizada pela bibliotecária Margaret Alves Antunes, da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp.

Marta Valentim é Coordenadora da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp.

A íntegra deste artigo está no “Debate acadêmico” do Portal Unesp, no endereço http://www.unesp.br/aci/debate/marta_valentim.php

 
Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Unesp.

 


 
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