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Indicadores de medição científica e importância da afiliação institucional
Marta Valentim
A universidade pública tem como principal função
a formação de pessoas e a construção de
conhecimento para a resolução de problemas
existentes em uma determinada realidade social. Dessa
forma, a produção científica se constitui no resultado
concreto dessas ações e, por isso mesmo, vem sendo
objeto de atenção de gestores, governos, agências e da
própria sociedade. “Em 30 anos, o número de trabalhos
publicados por pesquisadores brasileiros aumentou exponencialmente de 0,3% para quase 2% de todo o
conhecimento científi co mundial [...] As seis primeiras
colocadas – USP, Unicamp, UFRJ, Unesp, UFRGS e
UFMG – mantêm suas posições no ranking desde 1996.”
Nesse sentido, surgem métodos e técnicas (cientometria,
bibliometria, webometria) para se realizar medições
de diferentes naturezas como, por exemplo: de impacto,
de citação, formação de redes, entre outras, conhecidas
atualmente como “mapas da ciência”.
Macias-Chapulaii (1998, p.136) explica que “[...] a ciência
necessita ser considerada como um amplo sistema
social, no qual uma de suas funções é disseminar conhecimentos.
Sua segunda função é assegurar a preservação
de padrões e, a terceira, é atribuir crédito e reconhecimento
para aqueles cujos trabalhos têm contribuído para
o desenvolvimento das ideias em diferentes campos”.
Destaca-se que, para a realização de qualquer tipo de
medição, a afi liação institucional é fundamental, visto
que a identidade da produção se dá tanto pelo pesquisador
quanto pela instituição à qual ele pertence. Além
disso, a maioria das medições realizadas é inicialmente
institucional como, por exemplo: a) dados por instituição,
no mundo, no país e no Estado; b) por área de conhecimento,
no mundo, no país e no Estado; c) por redes,
grupos e pesquisador de uma determinada área do
conhecimento, no mundo, no país e no Estado; d) por
tipo de publicação, no mundo, no país e no Estado; e)
por programa de pós-graduação no país, no Estado e na
instituição; f) por departamento, na instituição; g) por
período ou ano, no mundo, no país e no Estado; h) por
língua, no mundo, no país e no Estado; entre outros.
As universidades públicas paulistas destacam-se
no cenário nacional e revelam expressivo crescimento
em relação à produção científi ca no período de 1998 a
2002, fato atribuído à melhoria das condições de pesquisa
para os pesquisadores dessas instituições em termos
de infraestrutura (bibliotecas, laboratórios, informática
etc.), ao fortalecimento das redes colaborativas interinstitucionais,
ao apoio governamental através de editais
de fomento, bem como à consolidação de programas de
pós-graduação. (Veja Figura 1)
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Figura 1: Publicações de Instituições Paulistas Indexadas na Base SCIE - 1998-2002.
Fonte Adaptada: Fapesp - 2004 - Tabela 5.8. |
Assim, surge a importância de se desenvolver critérios
institucionais para orientar os pesquisadores quanto à identificação institucional, visto ser ela um dos
primeiros filtros aplicados nos métodos e técnicas de
medição. [...]
Para se ter uma ideia das diferentes formas de afi liação
utilizadas por nossos pesquisadores, a Coordenadoria
Geral de Bibliotecas (CGB) realizou uma pesquisa
em amostras de 50 citações dos últimos cinco anos, em
diferentes fontes de informação, obtendo os resultados
demonstrados na Figura 2.
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Figura 2: Formas de Afiliação Institucional Unesp
Fonte: Coordenadoria Geral de Bibliotecas - 2009. |
Isso demonstra que grande parte da produção científica da Unesp não é recuperada adequadamente, visto
que muitos pesquisadores não informam corretamente
a afiliação institucional. Existe uma instrução normativa
aprovada no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
(Cepe), de 10 de agosto de 2004, que determina a padronização
dos trabalhos publicados em relação à afi liação
institucional: “Unesp – São Paulo State University”, seguida,
opcionalmente, de nome, faculdade, laboratório,
endereço, etc.”, contudo, observa-se que a comunidade
não atende à referida instrução.
[...] Na pesquisa realizada pela CGB, verificou-se
também como outras universidades brasileiras e estrangeiras
informam a afiliação institucional. Destacam-se
a Universidade de Brasília, que mantém maior uniformidade: “Univ Brasília”; a Universidade de São Paulo
(USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), que mantêm a sigla, até mesmo sem informar
o nome por extenso.
Observa-se que há uma tendência, tanto em nível nacional
quanto em nível internacional, em manter o nome
da instituição na língua original. Além disso, muitas universidades
estrangeiras informam o nome institucional
utilizando a abreviatura da palavra “Universidade”, isto é, “Univ”. O uso da abreviatura indica uma preocupação
das universidades estrangeiras quanto à recuperação
da produção científi ca, porquanto pode ser recuperada
em diferentes línguas: University (inglês), Université
(francês), Universidad (espanhol), Universität (alemão),
Università (italiano), Univerzitní (tcheco), Universitet
(polonês) entre outras.
[...]
De qualquer forma, há a necessidade de se discutir
essa questão no âmbito da Unesp, de forma que todos
os pesquisadores sigam uma única forma de citação
institucional, propiciando que os fi ltros utilizados para
obtenção da produção científica Unesp sejam reais e
não aproximados como atualmente estão sendo. Isso
significa colocar a Unesp no lugar de fato e de direito
em termos de produção científi ca estadual, nacional e
internacional.
i ESTADO de S. Paulo (AE) – 1º de agosto de 2007 – 9h58.
ii MACIAS-CHAPULA, C. A. “O papel da informetria
e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional”.
Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p.
134-140, maio/ago. 1998.
iii SCIENCE Citation Index Expanded (SCIE) – Institute
for Scientifi c Information (ISI).
iv FAPESP. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação
em São Paulo. São Paulo: 2004. Capítulo 5; Tabela 5.8.
v Pesquisa realizada pela bibliotecária Margaret Alves Antunes,
da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp.
Marta Valentim é Coordenadora da Coordenadoria Geral de Bibliotecas da Unesp. |
A íntegra deste artigo está no Debate acadêmico do Portal Unesp, no endereço http://www.unesp.br/aci/debate/marta_valentim.php
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Este texto não reflete necessariamente a opinião do Jornal Unesp. |
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