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Setembro/2009– Ano XXII – nº 248   ::   Suplemento

 
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Letras
Peça de Sófocles ganha tradução inédita
Professor de Araraquara vence desafio de adaptar Filoctetes, do dramaturgo grego, para o português


A primeira tradução brasileira de Filoctetes, peça de Sófocles encenada em 409 a.C., foi lançada em 2008 por Fernando Brandão dos Santos, docente de Língua e Literatura Grega na Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara. A tradução, publicada na coleção Kouros, da Odysseus Editora (214 páginas; R$ 28,00), traz ainda o original grego e introdução e notas de Santos.

Filoctetes gira em torno de um conflito ético de três homens na Ilha de Lemnos. Devido aos gritos de dor e ao odor do ferimento que lhe corroía o pé, causado pela picada de uma serpente, Filoctetes foi deixado na ilha pela armada grega a caminho de Troia com o arco e as flechas que recebera de Héracles por ter acendido a pira que incinerou o semideus, salvando-o de seu sofrimento.

Filoctetes só será lembrado quando um oráculo vaticina que os gregos apenas conquistariam Troia usando as armas de Héracles. É então organizada uma expedição para Lemnos sob responsabilidade de Odisseu, que leva consigo o jovem Neoptólemo, filho de Aquiles, falecido no combate.

Enquanto Odisseu não mede estratégias para obter as armas, Neoptólemo se compadece do herói. O impasse é solucionado pela inesperada aparição do próprio Héracles, que determina a ida de Filoctetes para Troia.

Santos comenta que o texto teatral grego tem duas formas: a dialogada, em dialeto ático, e a forma lírica, cantada dentro de uma tradição coral, em dialeto dórico, com marcação de coreografia a ser desenvolvida em cena. “Essa diferença entre a arte dialogada e a cantada desaparece em português”, diz.

Outra dificuldade foi o vocabulário de guerra e de caça da peça, além da preocupação de dar ao texto fluência em português para ser pronunciado num palco. “A tradução buscou manter o tônus poético original”, conclui Santos.

O.D.

  ACI