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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
     
 
Jornal UNESP :::

Setembro/2009– Ano XXII – nº 248   ::   Suplemento

 
:: REPORTAGEM DE CAPA ::

Extensão
Inclusão multidisciplinar
MEC seleciona Departamento de Educação Especial de Marília para oferecer curso de especialização sobre atendimento de alunos portadores de deficiência

Um grupo de docentes do Departamento de Educação Especial da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), câmpus de Marília, acaba de ser selecionado pelo Ministério da Educação (MEC) para oferecer um curso a distância de especialização sobre o atendimento de alunos portadores de deficiência, destinado a cerca de mil professores de escolas públicas de todo o País.

O curso semipresencial será ministrado durante 18 meses, em conjunto com outras duas universidades públicas. “Tal experiência possibilitará aos docentes estender seus conhecimentos e experiências, por meio de material on-line, para disseminação da educação especial”, informa Anna Augusta Sampaio de Oliveira, coordenadora do curso.

A equipe já possui experiência no ensino a distância de Libras (Língua Brasileira de Sinais) para cerca de 700 professores de todo o País, sobre a relação com alunos surdos, coordenado pela docente Sandra Eli Martins. O mesmo curso foi ministrado para 250 professores da rede municipal de São Paulo. Ambos já estão na segunda edição. “O preparo dos professores para a educação inclusiva vive um momento ainda difícil no País, principalmente em relação à infraestrutura para realizar este trabalho”, aponta Anna.

Além do exemplo da equipe de Marília, a Unesp reúne uma ampla experiência obtida com diversos projetos de extensão e pesquisas visando à inclusão social de deficientes físicos, auditivos, visuais e mentais.

É o caso do grupo de professores da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), em Presidente Prudente. A docente Elisa Tomoe Moriya coordena dois cursos de especialização a distância com 120 horas-aula, para cerca de mil professores de todo o País. “São cursos sobre Libras e novas tecnologias que podem dar autonomia à pessoa com deficiência”, informa. As duas atividades resultam de um convênio entre a Universidade e a Secretaria de Educação Especial do MEC.

Tecnologia – Na inclusão digital de deficientes visuais, um dispositivo eletrônico criado por pesquisadores do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto, verte para o braile o conteúdo da Internet, conforme o usuário passa o cursor pelo texto. Os sinais das letras do alfabeto usado pelos cegos são transmitidos em um tipo de teclado especial com pequenas hastes metálicas, que se elevam e abaixam, sendo “lidas” pelos dedos do internauta.

“O grande mérito desse sistema é o fato de dispensar o uso de impressoras especiais, que imprimem em papel grosso em braile, ou softwares conversores de textos em voz”, destaca José Márcio Machado, que desenvolveu o software com Mário Luiz Tronco. O projeto foi finalista da etapa nacional do Prêmio Santander de Ciências e Inovação, categoria Tecnologia da Informação e Comunicação, e será apresentado, em setembro, no 14th International Symposium on Applied Electromagnetics and Mechanics, em Xian, na China.

Desafiados pela dificuldade de deficientes visuais para acompanhar as aulas de Geografia na rede pública, docentes do Instituto de Biociências (IB) de Rio Claro produziram uma cartografia tátil. O material inclui desenhos em alto relevo de mapas como o do Brasil e da América do Sul, com informações em braile, além de maquetes e jogos táteis. “São iniciativas que têm contribuído significativamente para a ampliação dos conhecimentos destes alunos”, aponta Maria Isabel Castreghini de Freitas, coordenadora do projeto, que está sendo aplicado em duas escolas da região.

Já na área de ensino de Matemática, uma equipe do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), também de Rio Claro, desenvolve projetos como uma revista em quadrinhos escrita em braile, com desenhos em alto relevo. “As histórias foram adaptadas como recurso de ensino de conteúdos matemáticos para alunos com deficiência”, conta a mestranda Lessandra Marcelly Souza da Silva, autora do trabalho e professora voluntária em uma associação para valorização e inclusão de deficientes. “Nesta minha experiência, observei como os materiais pedagógicos interferem na ação educativa e contribuem de maneira significativa na aprendizagem destes estudantes”, acrescenta ela, que foi orientada pela docente Mirian Penteado, coordenadora do grupo.

Anatomia – A preocupação dos docentes ligados ao Museu de Anatomia do Instituto de Biociências (IB) de Botucatu foi produzir algumas peças do corpo humano para alunos deficientes visuais. Modelos de partes dos sistemas reprodutores feminino e masculino foram elaborados com diferentes texturas e explicações em braile. “É uma iniciativa que leva esses estudantes a conhecer melhor o corpo humano, bem como os métodos anticoncepcionais, por meio do tato”, diz Selma Maria Michelin Matheus, que coordena o projeto.

Já a criação do Laboratório de Acessibilidade e Pesquisa em Inclusão e Educação Especial na biblioteca do câmpus em Araraquara teve como objetivo receber alunos deficientes visuais na graduação. Ademanda surgiu a partir do ingresso do estudante cego Uilian Donizete Vigetim no curso de Ciências Sociais. O uso de equipamentos de informática contendo softwares especiais para a leitura em braile permitirá a consulta ao acervo, que está sendo digitalizado pelo próprio estudante.

“Criar condições de acessibilidade significa propiciar oportunidades de utilização dos ambientes escolares pelos alunos, de maneira igualitária”, diz a professora Maria Júlia Dall’Acqua, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), que coordena a montagem do laboratório, com a colaboração da diretora técnica de Serviço de Biblioteca e Documentação, Ana Cristina Jorge, e do Serviço Técnico de Informática local.

Outro docente dedicado à melhoria da formação intelectual de deficientes visuais é João Batista Neto Chamadoira, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) em Bauru. Com a ajuda de estudantes e voluntários, Chamadoira passou a gravar as principais notícias de jornais semanais, trechos de livros e poemas, no estúdio da Rádio Unesp. O material é enviado, por meio de CDs, aos alunos da escola de cegos Lar Santa Luzia. “De um trabalho inicial de leituras e gravação de textos para alguns interessados, criei o projeto Biblioteca Falada, no qual, após a audição dos textos, procedemos a uma discussão sobre o conteúdo escutado”, comenta o pesquisador.

Muitas das iniciativas de educação inclusiva recebem apoio da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), por meio de bolsas para alunos da graduação e recursos financeiros. “Nos últimos anos, tem aumentado muito o número de projetos com o intuito de amenizar a situação de indivíduos portadores de deficiência ou com necessidades especiais”, aponta a pró-reitora Maria Amélia Máximo de Araújo. “O que já nos faz pensar na necessidade de criar um programa mais amplo de integração, reunindo diferentes iniciativas desenvolvidas na Universidade.”

Julio Zanella

 

Triciclo subtitui cadeiras de roda

Para melhorar a locomoção de deficientes físicos, em Ilha Solteira, docentes e alunos do curso de Engenharia Mecânica montaram um triciclo especial, mais leve e ergonômico do que as cadeiras de rodas comuns. “A leveza e a estabilidade são características apropriadas para esta população, porque proporcionam menor esforço físico e confiança nas manobras”, observa o professor Antonio de Pádua Lima Filho, coordenador do projeto. “Buscamos aliar conforto e resistência da estrutura”, diz Otássio Barca, aluno do 4º ano e idealizador do veículo.

No triciclo, foram utilizadas peças recicladas de bicicletas usadas. Três defi cientes físicos receberam o veículo. “Como o triciclo tem seis marchas, fi ca mais fácil a locomoção”, relata um deles, Luiz Alves Dias. “Além disso, o pedal fica nas mãos, o que leva a gente a fazer mais exercícios.”

J.Z.

 

Serviços facilitam preparo para mercado de trabalho

Um grupo de docentes da Universidade se dedica também à inserção de pessoas com diferentes tipos de deficiência no mercado de trabalho ou ao ensino de atividades artísticas que podem gerar alguma renda. Em Botucatu, a ONG Associação Arte e Convívio, criada em 1995 pela terapeuta ocupacional Marli Santos Ribeiro, da Faculdade de Medicina, oferece cursos como encadernação, reciclagem de papel, costura de almofadas, tapetes e bolsas.

“Criamos esta ONG a partir da mobilização dos trabalhadores diante da situação vivida por pessoas com diagnóstico de transtornos mentais severos e persistentes, que na época não contavam com espaços de convivência”, conta Marli. A entidade, que em 2007 recebeu o Prêmio Empresa – Embraer – de Projeto de Parceria Social, funciona no centro da cidade e oferece três refeições diárias aos participantes.

Trabalho semelhante é realizado pelos docentes e alunos da Associação de Suporte ao Trabalho Inclusivo, coordenada pela professora Maria Candida Soares Del Masso. Criado em 2005, o serviço beneficia atualmente a 40 portadores de deficiências na FFC, em Marília. “Antes de inserir estas pessoas no mercado de trabalho, fazemos uma avaliação de suas potencialidades”, aponta. “Depois disso, oferecemos treinamento não apenas na atividade específica, mas abordamos as questões que envolvem a responsabilidade de ser empregado.”

Em Jaboticabal, o projeto Sabiá, desenvolvido por docentes e alunos da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), prepara defi cientes da Apae para trabalharem com jardinagem e produção de hortaliças, frutas, vassouras de sorgo, húmus, ovos de codorna e artesanato. Os alimentos são consumidos na merenda escolar da associação e os excedentes, comercializados. “Vários deles já conseguiram obter alguma renda com este trabalho, que ajuda também na sua socialização”, observa Leila Braz, coordenadora do projeto.

J.Z.

 


Saúde
Em busca de um tratamento mais humano
Centros promovem ações multidisciplinares em favor de portadores de necessidades especiais

Ao longo dos anos, a atenção oferecida na Unesp a portadores de deficiência física, mental e sensorial se materializou em importantes centros de pesquisa e atendimento gratuito. Neles, os serviços prestados associam a aplicação de conhecimento e infraestrutura de qualidade, além de, frequentemente, recursos diferenciados como atividades artísticas e lúdicas.

Em Araçatuba, docentes e alunos do Centro de Assistência Odontológica a Excepcionais (Caoe), da Faculdade de Odontologia, recorrem a oficinas musicais, em que as pessoas atendidas cantam, dançam e tocam instrumentos. “Aplicamos a música para facilitar e promover a comunicação, o equilíbrio psicossocial, a ambientação, o relaxamento, a memorização e o resgate da alegria na expressão dos pacientes”, diz o docente Márcio José Possari dos Santos, integrante da equipe do Caoe, também conhecido como Centrinho, que está completando em setembro 25 anos de atividade.

O trabalho envolve cirurgiões dentistas, médicos, psicóloga, assistente social, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga e enfermeira. Um dos estudos do grupo constatou o impacto das atividades artísticas entre 96 pessoas atendidas. “No total, 56% dos pacientes obtiveram evolução no comportamento, 90% melhoraram com alguma significância, e 87% estão em condições favoráveis de tratamento”, afirma a docente Sandra Maria Coelho Ávila de Aguiar, colaboradora do projeto.

Silas Gonçalves Mendes, de 37 anos, portador de deficiência mental, recebe atendimento no Centrinho regularmente. Desde 2007, ele faz apresentações musicais, o que tem elevado sua autoestima. “Eu toco teclado e canto, Saúde Em busca de um tratamento mais humano Centros promovem ações multidisciplinares em favor de portadores de necessidades especiais
consigo decorar as músicas e as letras com muita facilidade”, conta.

Esforço multidisciplinar – O foco das ações do Centro de Biociências Aplicado a Pacientes com Necessidades Especiais, na Faculdade de Odontologia, em São José dos Campos, são pacientes com dificuldades respiratórias, de deglutição e com lesões bucais. “São pessoas que, pela dificuldade de deglutir, não comiam e, com o sistema imunológico comprometido, tinham pouca sobrevida”, conta Mônica Fernandes Gomes, docente e presidente da entidade.

A partir dessa experiência, o grupo ligado ao Centro resolveu criar a Aspe (Associação Pró-saúde de Pacientes com Necessidades Especiais). Hoje, apoiada por empresas como Hurber+Suher, Uniodonto e Johnson & Johnson, a entidade atende cerca de 350 pessoas com problemas como paralisia cerebral, cegueira e deficiência auditiva. “A nossa meta é nos tornarmos uma referência em âmbito nacional e internacional na prestação de assistência global e especializada nessa área”, acrescenta Mônica.

Em Marília, o Centro de Estudos da Educação e da Saúde presta serviços de reabilitação a cerca de quatro mil pessoas, principalmente crianças em fase escolar, nos campos da fonoaudiologia, pedagogia, fisioterapia e terapia ocupacional. “Alguns deficientes físicos necessitam de atendimentos em todas estas áreas”, confirma Ana Cláudia Vieira Cardoso, docente da Faculdade de Filosofia e Ciências e supervisora do centro.

Os procedimentos são realizados por 221 alunos dos quatro cursos da Faculdade, acompanhados por professores. Na área de pedagogia, são oferecidos tratamentos para portadores de deficiência auditiva, física, mental e visual. Na fisioterapia, o atendimento combate problemas cardiológicos, respiratórios e reumatológicos. Na terapia ocupacional, os portadores de deficiência física e seus familiares recebem orientação para se adaptarem aos afazeres diários.

Já os pacientes com síndrome de Down que sofrem também com problemas respiratórios podem utilizar um serviço criado por docentes do curso de Fisioterapia da Faculdade de Ciências e Tecnologia, em Presidente Prudente. “Este tipo de problema é recorrente nestes pacientes e pode ser seriamente agravado se eles não receberem assistência constante”, diz Renilton José Pizzol, responsável pelo projeto, realizado em parceria com a Apae da cidade. Os beneficiados passam por exercícios específicos de terapia com movimento e recebem orientação para fazer exercícios em casa.

Prematuros – Em Botucatu, brinquedos como móbiles, chocalhos e quebra-cabeças, além de livros de histórias, são utilizados por docentes e técnicos do serviço de fisioterapia do Hospital de Clínicas para reabilitar o movimento e fornecer estímulos sensoriais em bebês e crianças vítimas de parto prematuro. “A prematuridade é considerada o principal fator de paralisia cerebral”, aponta Sandra Volpi, chefe do serviço. “São bebês que precisam receber estímulos, principalmente no primeiro ano de vida.”

Ainda em Botucatu, docentes e pesquisadores do Departamento de Genética do Instituto de Biociências fornecem aconselhamento genético e orientação a familiares, promovendo também atividades artísticas na recuperação de vários tipos de deficiência. A qualidade das pesquisas e do atendimento levou o serviço a se transformar na Fundação Lucenti. “Atualmente, atendemos cerca de 500 pessoas”, aponta o professor Danilo Moretti, coordenador do projeto.

Julio Zanella

Perfil: Eder Pires de Camargo
Ensino através dos cinco sentidos
Para docente, múltiplas possibilidades de percepção de fenômenos podem beneficiar todos os alunos

Com baixa visão desde os nove anos, Eder Pires de Camargo leciona Física na Faculdade de Engenharia da Unesp, câmpus de Ilha Solteira. No entanto boa parte de sua carreira está ligada à Faculdade de Ciências (FC), câmpus de Bauru. Lá, ele fez a licenciatura em Física (1995), o mestrado (2000) e o pós-doutorado (2006), ambos em Educação para a Ciência – seu doutorado foi realizado na Unicamp (2005), na área de Educação. Casado, ele toca violão, já correu duas São Silvestres e publicou Ensino de física e deficiência visual: dez anos de investigações no Brasil (Editora Plêiade e Fapesp, 2008).
(Entrevista a Oscar D’Ambrosio)

Jornal Unesp: Como surgiu seu interesse pela Física?
Eder Pires de Camargo: Comecei a perder a visão aos nove anos. Um professor do ensino médio não se conformava que, por esse fato, eu não continuasse meus estudos na área que mais gostava, a Física. Ele me incentivou muito e consegui me formar.

JU: Você lia as obras em braile para estudar?
Camargo: A leitura em braile é complexa. Um livro de 200 páginas se transforma em 20 volumes. Com o computador, diversos programas fazem muito bem a interface com o usuário. Como minha deficiência foi se manifestando gradualmente, na faculdade ainda fazia anotações. O professor falava bem alto o que estava na lousa e os meus colegas liam tudo para mim. Isso me ensinou que as relações humanas são muito relevantes no processo de inclusão.

JU: Em seu livro, você diz que os alunos que não enxergam podem ter certas vantagens em alguns tópicos da Física...
Camargo: Minha hipótese é que algumas áreas da Física não são visualizáveis.É o que ocorre, por exemplo, com os conceitos de átomo, matéria e onda. O ensino tem a tendência de representar esses elementos visualmente, mas não existe essa necessidade.

JU: Os professores das licenciaturas em Física têm hoje essa consciência?
Camargo: A Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 recomendam que os alunos com deficiência sejam matriculados nas escolas regulares. Porém, os professores geralmente não têm na licenciatura qualquer leitura sobre esse assunto. Professores de todas as disciplinas deveriam dominar o braile e a linguagem de sinais Libras.

JU: Como o professor deve agir para ensinar para deficientes visuais?
Camargo: A ausência de visão torna-se uma dificuldade de aprendizagem porque o ensino está voltado para aqueles que enxergam. Todo eleé baseado em gráficos e em explicações na lousa. Cor e transparência, por exemplo, são conceitos que apresentam uma dificuldade inerente para o aluno cego, mas podem ser associados a outras percepções, como o tato ou o som.

JU: Nesse sentido, o senhor defende o multissensorialismo...
Camargo: Acredito que as múltiplas possibilidades de percepção dos fenômenos não devem ser aplicadas apenas a alunos com deficiência, mas a todos. Estudantes com ou sem dificuldades participariam bem mais das aulas com a exploração dos cinco sentidos em todas as disciplinas.

JU: É possível dar um exemplo?
Camargo: Em Ilha Solteira, desenvolvemos um disco de Newton para pessoas com deficiência visual. O tradicional é um círculo dividido em sete áreas: cada uma com uma cor do arco-íris. Quando ele se movimenta, surge o branco. Elaboramos uma analogia. Cada fatia do disco tem um aroma diferente e, quando ele gira, o cheiro fica uniforme.

Alunos
Tragédia vira lição de vida
Vítima de acidente que o deixou paraplégico, ex-mestrando orienta assentados e ministra palestras

Em 2000, com 21 anos, Henrique Leal Perez se envolveu num grave acidente automobilístico. Na época estudante de Zootecnia em Marília, Perez sofreu uma lesão na coluna vertebral que o deixou sem sensibilidade e movimento do peito para baixo. Sobreviveu, mas acabou em uma cadeira de rodas.

Durante dois anos, o jovem percorreu vários centros de reabilitação. “Tive que reaprender a viver, mudando atividades que antes considerava simples, como tomar banho, comer, me locomover ou manter relações sexuais”, conta.

Entre 2006 e 2008, realizou o mestrado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, câmpus de Jaboticabal. Sob a orientação do professor Américo Garcia Sobrinho, desenvolveu estudos de genética na ovinocultura.

Henrique aprendeu a dirigir um carro adaptado para deficientes físicos. Como cadeirante, acabou contribuindo para as adaptações arquitetônicas no próprio câmpus. “Sempre quando tinha alguma dificuldade, comunicava à diretoria, que resolvia o problema”, recorda.

Atualmente, Henrique trabalha em um projeto em Jaboticabal de consultoria para a criação de ovinos para famílias assentadas e ministra palestras de motivação para deficientes. “Hoje levo uma vida quase normal e consegui melhorar, graças à minha determinação”, assinala.

Julio Zanella

 
  ACI