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Agosto/2009– Ano XXII – nº 247   ::   Suplemento

 
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Psicologia
Aprendendo na terceira idade
Estudo focaliza relação de idosos com educação e como docentes e alunos enxergam envelhecimento

O aprendizado na terceira idade e as representações que alunos idosos e professores fazem sobre envelhecimento e educação foram tema de uma pesquisa apresentada na Faculdade de Ciências (FC), câmpus de Bauru, pela psicóloga Lauren Mariana Mennocchi. Sob a orientação da docente Lúcia Pereira Leite, o trabalho mostra que há diferentes ideias a respeito do processo de aprendizagem nesse segmento da população.

O estudo, realizado na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) ligada a uma instituição de ensino superior de Bauru (SP), destaca que, na visão dos professores entrevistados, é possível aprender na terceira idade. Os idosos, por sua vez,
mencionam certas dificuldades naturais dessa fase da vida, como visão reduzida e problemas de locomoção, que impedem um melhor aproveitamento das atividades.


Hoje, a relação de idosos com o processo educacional, de acordo com a psicóloga, é bem melhor do que em outros tempos. “Antigamente, não havia participação nenhuma do aluno em sala de aula, o professor proibia os estudantes de falar qualquer coisa que pudesse deixar a aula mais dinâmica”, comenta. Mesmo assim, os alunos da pesquisa sentem falta de mais espaço para falar sobre os conhecimentos obtidos ao longo da existência. “Precisamos olhar a aprendizagem na terceira idade como uma prática que requer atenção e recursos para atendê-la”, explica Lauren.

Visão do idoso – Outro ponto do estudo destaca as representações sociais sobre a velhice. Em geral, elas se referem a um processo natural das fases do desenvolvimento humano, com concepções positivas representadas pela sabedoria e experiência de vida. “A velhice é um período de vantagens e desvantagens, representa ganhos e perdas em relação a outras fases”, assinala Lauren. “Ou seja, para chegar bem na velhice é importante ter um preparo pessoal.” Para Lauren, existem dois estereótipos sobre os idosos. O primeiro diz respeito a um indivíduo pouco ativo, enfermo, sem domínio do corpo e que
vive isolado do convívio social por estar aposentado. O outro trata de uma pessoa ativa, saudável, bem-humorada, atualizada e integrada à sociedade.


A participação dos idosos na universidade, segundo a psicóloga, melhora a forma como eles interagem com outras pessoas e como são percebidos por elas. “Isso proporciona melhorias nas atitudes em relação aos jovens e nos relacionamentos com
os familiares”, afirma.

A psicóloga destaca a importância de essa faixa da população participar de programas como os da Unati, que contribuem para o avanço da qualidade de vida, além de oferecer oportunidades de desenvolvimento cultural e psicológico, expandindo suas redes de contato social, “o que é muito bom para o fortalecimento da cidadania e um envelhecimento mais saudável”.


Sobre a Unati – A Unati (Universidade Aberta à Terceira Idade) surgiu na década de 1970, na França, com o objetivo de garantir direitos de cidadãos ao número crescente de aposentados, por meio de atividades socioeducativas, acadêmicas,
culturais e de lazer. “Atualidades, ensino de línguas, fisioterapia preventiva e fitoterapia são alguns dos assuntos discutidos em sala de aula”, acrescenta Lauren.

A universidade, além de proporcionar benefícios aos adultos com mais de cinquenta anos, permite aos seus professores aprendizado entre gerações. “Esse vínculo também beneficia o educador, que poderá imaginar uma perspectiva para o próprio envelhecimento”, explica a psicóloga.

Fabiana Manfrim

Unati oferece apoio a credenciados de fundação
Convênio, iniciado na Reitoria, prevê que integrantes da Geap participem de atividades na Universidade

A Unesp e a Fundação de Seguridade Social (Geap), que oferece serviços de assistência médica e odontológica a servidores públicos, firmaram convênio que favorece a participação dos credenciados da Fundação em atividades da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) da Unesp. Em troca, membros da entidade vão oferecer palestras na Universidade. Inicialmente, o convênio beneficiará a Reitoria.

O documento foi assinado no dia 30 de junho, pelo reitor Herman Voorwald, o gerente regional da Geap, Renato Abreu Filho, e o diretor presidente da Fundação para Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), Luiz Antonio Vane. “Buscamos estabelecer esta parceria pensando no aspecto sociocultural, além da saúde e qualidade de vida dos idosos”, explica Maria Candida Soares Del Masso, coordenadora do Núcleo Central da Unati. Segundo Abreu Filho, 67% dos credenciados do Geap são maiores de 50 anos. “Investimos para que eles tenham uma
vida saudável”, acrescenta.

A Geap soma hoje 750 mil pessoas credenciadas no Brasil, oferecendo planos e programas de saúde, assistência social e previdência complementar aos servidores públicos federais, estaduais e municipais.


F.M.

 
  ACI