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Agosto/2009– Ano XXII – nº 247   ::   Suplemento

 
:: CIÊNCIAS HUMANAS ::

História
Cem anos de imigração em São Paulo
Atlas revela, com mapas e dados demográficos, situação de estrangeiros de 1850 a 1950

O Atlas da imigração internacional em São Paulo 1850-1950, publicado em parceria pela Editora Unesp e a Fapesp, focaliza a experiência migratória no Estado com informações demográfi cas e socioeconômicas sobre a população estrangeira no período. O livro destaca ainda dados sobre escravos na época imperial, embora não tenha sido possível distinguir, pela carência de fontes, a população negra no Brasil pós-abolicionista.

As principais fontes são os recenseamentos nacionais e regionais do império (1854, 1872 e 1886) e da república (1920, 1934, 1940 e 1950). Os dados são distribuídos pelos municípios paulistas e agregados em gráfi cos e pirâmides etárias. “Os recenseamentos de 1890 e 1900 enfrentaram uma série de problemas que afetaram a sua execução e publicação, comprometendo as informações”, esclarece a historiadora Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi, da Unicamp, uma das autoras da obra.

Ana Silvia Volpi Scott, da Universidade do Valedo rio dos Sinos, e Carlos de Almeida Prado Bacellar, da USP, ambos historiadores, e o cientista social Oswaldo Mário Serra Truzzi, da Universidade Federal de São Carlos, coautores da publicação, destacam que comentários de aspectos de cada época acompanham os mapas e gráfi cos. Para a confecção dos mapas temáticos, foi elaborado um desenho da malha municipal paulista para cada ano do censo populacional, incorporando outras
estatísticas, como as do acesso à propriedade rural entre estrangeiros.

A importância dos europeus – O Atlas e as duas publicações que o acompanham (veja quadro) verificam como, a partir da segunda metade do século XIX, o imigrante passou a desempenhar um papel cada vez mais relevante no Estado. Os fazendeiros paulistas, perante a escassez de oferta de escravos, optaram pela importação do trabalhador europeu, disposto a se deslocar para as Américas em função das difi culdades no Velho Mundo.

No Estado de São Paulo, o senador Nicolau Vergueiro, na década de 1840, foi o pioneiro na experiência de importar trabalhadores portugueses, alemães e suíços para sua propriedade em Limeira. “O tecido social paulista, com a imigração internacional, tomou uma feição própria e singular no contexto nacional”, acredita Ana Silvia.

Os imigrantes, após uma viagem que podia durar até quatro semanas, eram desembarcados no porto de Santos. Depois iam de trem até a Hospedaria dos Imigrantes, na capital paulista, ali permanecendo até serem contratados por agentes de fazendeiros.
“Nesse panorama, de início, os italianos predominaram amplamente, constituindo mais da metade dos estrangeiros na capital no começo do século XX. Em seguida, imigrantes de outras origens (portugueses, espanhóis, japoneses, alemães,sírios, libaneses e judeus, entre outros) foram conformando certa pluralidade cultural paulistana”, conclui Bassanezi.

Publicação tem duas obras complementares

“O Atlas da imigração internacional em São Paulo 1850-1950 é publicado com duas obras complementares. A primeira é o Roteiro de fontes sobre a imigração em São Paulo 1850- 1950, que aponta as imensas possibilidades de pesquisa dos principais arquivos do Estado. Foram selecionados o Arquivo do Estado de São Paulo, o Memorial do Imigrante, a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o Instituto Agronômico de Campinas e o Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp.

A segunda obra complementar é o Repertório de legislação brasileira e paulista referente à imigração. Ela surgiu da constatação de que a legislação vinculada ao tema não se encontrava sistematizada e não estava facilmente disponível aos pesquisadores.

O levantamento compreendeu a legislação colonial, imperial/federal e provincial/estadual entre 1747 e 1961. “O resultado é fruto de um demorado e exaustivo levantamento de fontes impressas, que inclui legislação de regulamento do fl uxo imigratório e de criação de núcleos coloniais, além de dados sobre verbas orçamentárias destinadas à imigração e leis de regulamentação da vida do imigrante no Brasil”, comenta Bassanezi.

O.D.

Os livros

As publicações Atlas da imigração internacional em São Paulo 1850-1950 (144 páginas; R$
140); Roteiro de fontes sobre a imigração em São Paulo 1850-1950 (320 páginas; R$ 50)
e Repertório de legislação brasileira e paulista referente à imigração (136 páginas; R$ 40) estão no bojo do projeto “Migração, humanismo latino e territorialidade na sociedade paulista 1850-1950”, financiado pela Fondazione Cassamarca, no âmbito do projeto “Brasil latino”, desenvolvido no Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp.

 

Oscar D’Ambrosio


 
  ACI