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História
Cem anos de imigração em São Paulo
Atlas revela, com mapas e dados demográficos,
situação de estrangeiros de 1850 a 1950
O Atlas da imigração
internacional em São Paulo 1850-1950, publicado
em parceria pela Editora Unesp e a Fapesp, focaliza
a experiência migratória no Estado com
informações demográfi cas e socioeconômicas
sobre a população estrangeira no período.
O livro destaca ainda dados sobre escravos na época
imperial, embora não tenha sido possível
distinguir, pela carência de fontes, a população
negra no Brasil pós-abolicionista.
As principais fontes são os recenseamentos nacionais
e regionais do império (1854, 1872 e 1886) e
da república (1920, 1934, 1940 e 1950). Os dados
são distribuídos pelos municípios
paulistas e agregados em gráfi cos e pirâmides
etárias. Os recenseamentos de 1890 e 1900
enfrentaram uma série de problemas que afetaram
a sua execução e publicação,
comprometendo as informações, esclarece
a historiadora Maria Silvia C. Beozzo Bassanezi, da
Unicamp, uma das autoras da obra.
Ana Silvia Volpi Scott, da Universidade do Valedo rio
dos Sinos, e Carlos de Almeida Prado Bacellar, da USP,
ambos historiadores, e o cientista social Oswaldo Mário
Serra Truzzi, da Universidade Federal de São
Carlos, coautores da publicação, destacam
que comentários de aspectos de cada época
acompanham os mapas e gráfi cos. Para a confecção
dos mapas temáticos, foi elaborado um desenho
da malha municipal paulista para cada ano do censo populacional,
incorporando outras
estatísticas, como as do acesso à propriedade
rural entre estrangeiros.
A importância dos europeus O Atlas
e as duas publicações que o acompanham
(veja quadro) verificam como, a partir da segunda metade
do século XIX, o imigrante passou a desempenhar
um papel cada vez mais relevante no Estado. Os fazendeiros
paulistas, perante a escassez de oferta de escravos,
optaram pela importação do trabalhador
europeu, disposto a se deslocar para as Américas
em função das difi culdades no Velho Mundo.
No Estado de São Paulo, o senador Nicolau Vergueiro,
na década de 1840, foi o pioneiro na experiência
de importar trabalhadores portugueses, alemães
e suíços para sua propriedade em Limeira.
O tecido social paulista, com a imigração
internacional, tomou uma feição própria
e singular no contexto nacional, acredita Ana
Silvia.
Os imigrantes, após uma viagem que podia durar
até quatro semanas, eram desembarcados no porto
de Santos. Depois iam de trem até a Hospedaria
dos Imigrantes, na capital paulista, ali permanecendo
até serem contratados por agentes de fazendeiros.
Nesse panorama, de início, os italianos
predominaram amplamente, constituindo mais da metade
dos estrangeiros na capital no começo do século
XX. Em seguida, imigrantes de outras origens (portugueses,
espanhóis, japoneses, alemães,sírios,
libaneses e judeus, entre outros) foram conformando
certa pluralidade cultural paulistana, conclui
Bassanezi.
| Publicação
tem duas obras complementares |
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O Atlas da imigração
internacional em São Paulo 1850-1950
é publicado com duas obras complementares.
A primeira é o Roteiro de fontes
sobre a imigração em São
Paulo 1850- 1950, que aponta as imensas
possibilidades de pesquisa dos principais
arquivos do Estado. Foram selecionados o
Arquivo do Estado de São Paulo, o
Memorial do Imigrante, a Fundação
Sistema Estadual de Análise de Dados
(Seade), o Instituto Agronômico de
Campinas e o Arquivo Edgard Leuenroth, da
Unicamp.
A segunda obra complementar é o
Repertório de legislação
brasileira e paulista referente à
imigração. Ela surgiu da constatação
de que a legislação vinculada
ao tema não se encontrava sistematizada
e não estava facilmente disponível
aos pesquisadores.
O levantamento compreendeu a legislação
colonial, imperial/federal e provincial/estadual
entre 1747 e 1961. O resultado é
fruto de um demorado e exaustivo levantamento
de fontes impressas, que inclui legislação
de regulamento do fl uxo imigratório
e de criação de núcleos
coloniais, além de dados sobre verbas
orçamentárias destinadas à
imigração e leis de regulamentação
da vida do imigrante no Brasil, comenta
Bassanezi.
O.D.
Os livros
As publicações
Atlas da imigração internacional
em São Paulo 1850-1950 (144 páginas;
R$
140); Roteiro de fontes sobre a imigração
em São Paulo 1850-1950 (320 páginas;
R$ 50)
e Repertório de legislação
brasileira e paulista referente à
imigração (136 páginas;
R$ 40) estão no bojo do projeto Migração,
humanismo latino e territorialidade na sociedade
paulista 1850-1950, financiado pela
Fondazione Cassamarca, no âmbito do
projeto Brasil latino, desenvolvido
no Núcleo de Estudos da População
(Nepo) da Unicamp.
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Oscar DAmbrosio
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