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Agosto/2009– Ano XXII – nº 247   ::   Suplemento

 
:: CIÊNCIAS HUMANAS ::

Geografia
A importância do transporte pelo rio
Geógrafo focaliza exemplo da Hidrovia Tietê-Paraná para criticar dependência brasileira de rodovias

A Hidrovia Tietê-Paraná e a integração dos diversos meios de transporte no Estado de São Paulo foram o tema da dissertação de mestrado do geógrafo Nelson Fernandes Felipe Júnior, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente. A pesquisa apontou a contribuição do transporte através da rede hidrográfi ca para o desenvolvimento e a criação de empregos diretos e indiretos.


A Hidrovia do Tietê teve início em 1981, com o escoamento regional de cana-de-açúcar. Contudo, somente dez anos depois, a navegação fl uvial de longa distância tornou-se possível, somando aproximadamente 2,4 mil quilômetros pelos rios Piracicaba, Paranaíba, Grande, Tietê e Paraná. Esse sistema engloba os Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, interligando áreas das regiões Centro- Oeste, Sul e Sudeste, além do Paraguai.


A rede é composta por quatorze portos intermodais (que ligam as hidrovias a rodovias e ferrovias), dos quais os mais importantes são Pederneiras (SP), Jaú (SP), Anhembi (SP), Santa Maria da Serra (SP) e São Simão (GO). Os principais portos estão conectados a uma ferrovia (da MrS Logística, em Pederneiras) e às rodovias João ribeiro de Barros (região de Jaú e Pederneiras), Samuel de Castro Neves (entre Anhembi e Santa Maria da Serra) e Geraldo de Barros (que liga Anhembi a São Pedro).

O sistema inclui também oito barragens com eclusa (que permite aos barcos se movimentarem pelos rios em locais com desníveis de altura) e quatro barragens sem eclusa. Atualmente, de acordo com a pesquisa, os principais produtos transportados são cana-de-açúcar, soja, farelo de soja, sorgo, milho e trigo. “A Hidrovia Tietê- Paraná demonstra que esse meio de transporte passou a ser uma estratégia viável para aumentar as conexões espaciais e a circulação material”, comenta Felipe Júnior.

Vantagens e problemas – O geógrafo enfatiza o estímulo às hidrovias como alternativa para o crescimento econômico e a redução das desigualdades regionais. Essa opção proporciona, de acordo com o especialista, baixo preço de frete, grande capacidade de transporte de cargas, menor degradação ambiental, redução dos congestionamentos e dos atrasos na entrega das mercadorias. “São também gerados empregos na limpeza dos terminais, operação de máquinas, prestação de serviços de transporte, manutenção de equipamentos, embarcações e vagões, entre outras atividades”, diz.

As hidrovias, no entanto, apresentam carências como a infraestrutura de portos, que são pequenos e com muitas limitações, segundo o pesquisador. “Outras dificuldades são os canais de eclusagem estreitos e pontes que atrapalham o transporte hidroviário por serem muito baixas”, comenta. Na sua opinião, um maior investimento em construções de eclusas, canais artificiais, barragens e sinalizações de navegação poderia viabilizar os fluxos de mercadorias.

Apesar dos benefícios do sistema hidroviário, segundo o geógrafo, muitas empresas ainda optam pelas rodovias, o principal recurso para o deslocamento de mercadorias e pessoas no país. “O transporte rodoviário eleva o custo fi nal das mercadorias e, em muitos casos, possui condições ruins de tráfego e
sinalização”, argumenta.

Felipe Júnior assinala que alguns fatores explicam a escolha, como o predomínio da infraestrutura de estradas, que garante a articulação entre o interior e o litoral. “O sistema rodoviário exige menor custo para implantação e possui maior fl exibilidade; já a hidrovia demanda maior investimento para instalação”, compara.


Apoio à integração – A rede ferroviária é também uma boa opção, na avaliação do geógrafo. “Ela é apropriada para transportar uma variedade maior de produtos, possibilita o transporte de passageiros e viabiliza a redução dos congestionamentos nas principais rodovias brasileiras”, diz. Ele acrescenta, porém, que a malha ferroviária fi cou obsoleta e sofreu desativação de vários trechos pelas empresas que receberam concessões no setor de transportes, na década de 1990.


O especialista conclui que a melhor opção para o Brasil é a intermodalidade, com uma integração adequada entre hidrovias, rodovias e ferrovias. “Essa interação permite condições mais favoráveis para o funcionamento de vários modais, ou seja, modalidades de transportes, em seus aspectos operacionais, comerciais e logísticos”, acentua.

Fabiana Manfrim

 
  ACI