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Geografia
A importância do transporte pelo rio
Geógrafo focaliza exemplo da Hidrovia
Tietê-Paraná para criticar dependência
brasileira de rodovias
A Hidrovia Tietê-Paraná
e a integração dos diversos meios de transporte
no Estado de São Paulo foram o tema da dissertação
de mestrado do geógrafo Nelson Fernandes Felipe
Júnior, da Faculdade de Ciências e Tecnologia
(FCT), câmpus de Presidente Prudente. A pesquisa
apontou a contribuição do transporte através
da rede hidrográfi ca para o desenvolvimento
e a criação de empregos diretos e indiretos.
A Hidrovia do Tietê teve início em 1981,
com o escoamento regional de cana-de-açúcar.
Contudo, somente dez anos depois, a navegação
fl uvial de longa distância tornou-se possível,
somando aproximadamente 2,4 mil quilômetros pelos
rios Piracicaba, Paranaíba, Grande, Tietê
e Paraná. Esse sistema engloba os Estados de
São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul,
Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, interligando
áreas das regiões Centro- Oeste, Sul e
Sudeste, além do Paraguai.
A rede é composta por quatorze portos intermodais
(que ligam as hidrovias a rodovias e ferrovias), dos
quais os mais importantes são Pederneiras (SP),
Jaú (SP), Anhembi (SP), Santa Maria da Serra
(SP) e São Simão (GO). Os principais portos
estão conectados a uma ferrovia (da MrS Logística,
em Pederneiras) e às rodovias João ribeiro
de Barros (região de Jaú e Pederneiras),
Samuel de Castro Neves (entre Anhembi e Santa Maria
da Serra) e Geraldo de Barros (que liga Anhembi a São
Pedro).
O sistema inclui também oito barragens com eclusa
(que permite aos barcos se movimentarem pelos rios em
locais com desníveis de altura) e quatro barragens
sem eclusa. Atualmente, de acordo com a pesquisa, os
principais produtos transportados são cana-de-açúcar,
soja, farelo de soja, sorgo, milho e trigo. A
Hidrovia Tietê- Paraná demonstra que esse
meio de transporte passou a ser uma estratégia
viável para aumentar as conexões espaciais
e a circulação material, comenta
Felipe Júnior.
Vantagens e problemas O geógrafo
enfatiza o estímulo às hidrovias como
alternativa para o crescimento econômico e a redução
das desigualdades regionais. Essa opção
proporciona, de acordo com o especialista, baixo preço
de frete, grande capacidade de transporte de cargas,
menor degradação ambiental, redução
dos congestionamentos e dos atrasos na entrega das mercadorias.
São também gerados empregos na limpeza
dos terminais, operação de máquinas,
prestação de serviços de transporte,
manutenção de equipamentos, embarcações
e vagões, entre outras atividades, diz.
As hidrovias, no entanto, apresentam carências
como a infraestrutura de portos, que são pequenos
e com muitas limitações, segundo o pesquisador.
Outras dificuldades são os canais de eclusagem
estreitos e pontes que atrapalham o transporte hidroviário
por serem muito baixas, comenta. Na sua opinião,
um maior investimento em construções de
eclusas, canais artificiais, barragens e sinalizações
de navegação poderia viabilizar os fluxos
de mercadorias.
Apesar dos benefícios do sistema hidroviário,
segundo o geógrafo, muitas empresas ainda optam
pelas rodovias, o principal recurso para o deslocamento
de mercadorias e pessoas no país. O transporte
rodoviário eleva o custo fi nal das mercadorias
e, em muitos casos, possui condições ruins
de tráfego e
sinalização, argumenta.
Felipe Júnior assinala que alguns fatores explicam
a escolha, como o predomínio da infraestrutura
de estradas, que garante a articulação
entre o interior e o litoral. O sistema rodoviário
exige menor custo para implantação e possui
maior fl exibilidade; já a hidrovia demanda maior
investimento para instalação, compara.
Apoio à integração
A rede ferroviária é também uma
boa opção, na avaliação
do geógrafo. Ela é apropriada para
transportar uma variedade maior de produtos, possibilita
o transporte de passageiros e viabiliza a redução
dos congestionamentos nas principais rodovias brasileiras,
diz. Ele acrescenta, porém, que a malha ferroviária
fi cou obsoleta e sofreu desativação de
vários trechos pelas empresas que receberam concessões
no setor de transportes, na década de 1990.
O especialista conclui que a melhor opção
para o Brasil é a intermodalidade, com uma integração
adequada entre hidrovias, rodovias e ferrovias. Essa
interação permite condições
mais favoráveis para o funcionamento de vários
modais, ou seja, modalidades de transportes, em seus
aspectos operacionais, comerciais e logísticos,
acentua.
Fabiana Manfrim
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