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Agosto/2009– Ano XXII – nº 247   ::   Suplemento

 
:: Ciências Biológicas ::

Fisioterapia
Método melhora coordenação motora
Trabalho voltado para público entre quatro e doze anos revebeu prêmio em congresso nacional

Crianças com idades entre quatro e doze anos com dificuldade para executar certas atividades, como jogar bola, recortar, escrever, abotoar ou amarrar, podem sofrer de uma desordem chamada Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação
(TDC). O alerta é feito pela fisioterapeuta Maria Angélica da Rocha Diz, mestre em Ciências da Motricidade Humana pelo câmpus de Rio Claro, que desenvolveu estudo para tentar melhorar essas habilidades.

Apresentada no Instituto de Biociências (IB), a dissertação foi considerada a melhor pesquisa científica nacional de pós-graduação em 2008 pela Sociedade Brasileira de Comportamento Motor, durante o IV Congresso Brasileiro de Comportamento Motor, ocorrido em São Paulo. “É gratificante saber que meu trabalho é relevante para a área”, disse a autora, que foi orientada pela docente Ana Maria Pellegrini e co-orientada pela professora
Cynthia Y. Hiraga.

Crianças com TDC, segundo Maria Angélica, geralmente têm desempenho inferior ao daquelas com desenvolvimento típico para sua idade cronológica e mental. Comumente, elas executam com lentidão e desequilíbrio as habilidades motoras básicas, são incapazes de se adaptar a situações novas e têm dificuldade de aprendizagem. “Pais, professores e amigos costumam chamar os portadores de TDC de indivíduos descoordenados”, afirma. Por causa do estigma, muitas delas desenvolvem baixa autoestima, angústia e ansiedade.

Segundo a fisioterapeuta, o torque ou força são tarefas que exigem estabilização de determinado objeto entre os dedos, como um lápis, por exemplo. Na pesquisa, ela trabalhou com 12 crianças que não possuíam qualquer dano neurológico aparente ou distúrbio cognitivo, mas que não conseguiam realizar suas tarefas com desenvoltura. Nos testes, os participantes deveriam segurar o botão de umprobleosciloscópio entre os dedos indicador e polegar e girá-lo. Por meio de um monitor, o aparelho media a força utilizada para mover o botão.

Maria Angélica explica que esse tipo de tratamento, em que há uma resposta visual (feedback) dada pelo osciloscópio, auxilia o paciente a ter uma referência interna de movimento, além de fortalecer mecanismos de detecção e correção dos erros.
“Com essas atividades específicas, é possível melhorar o desenvolvimento motor desse grupo ou até mesmo resolver o problema”, diz.

Fabiana Manfrim

 

 
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