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Tecnologia da Informação
Inovação para o agronegócio
Softwares, sites e vários dispositivos
eletrônicos podem ajudar produtores rurais a ampliar
os horizontes de suas atividades
A presença da
tecnologia da informação não se
limita a escritórios e fábricas. As inovações
dessa área também ajudam o proprietário
rural a melhorar sua produtividade, com menor impacto
ambiental. Nesse setor fundamental para o País,
a Unesp tem desenvolvido diversos projetos, como softwares
e sites voltados para o controle de doenças em
plantações, além
de sistemas de identifi cação de pragas
e circuitos que automatizam a aplicação
de agrotóxicos e o monitoramento de animais.
Uma das iniciativas mais consolidadas nessa área
é a do agrônomo Modesto Barreto, docente
da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias
(FCAV), câmpus de Jaboticabal: o projeto Agroalerta,
que envolve um sistema de prevenção e
combate a doenças, principalmente das culturas
de tomate, batata e amendoim. O sistema funciona com
o auxílio de uma estação meteorológica
móvel, cujas informações alimentam
um software instalado no site www.agroalerta.com.br.
Nesse endereço, também estão armazenadas
características das três principais pragas
do tomate para uso industrial provocadas por fungo:
requeima, pinta-preta e septoriose. O cruzamento desses
dados transforma-se em orientações sobre
os períodos propícios às epidemias
e à aplicação de defensivos.
Antes desse trabalho, o agricultor usava defensivo
agrícola sem saber se a doença estava
ou não presente na plantação,
esclarece o professor, responsável pelo monitoramento
de 1,2 mil hectares de tomateindustrial em propriedades
nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Com a racionalização da aplicação,
segundo Barreto, é possível reduzir em
até 50% a quantidade aplicada de agrotóxicos,
diminuindo-se também os riscos para o ambiente
e para a saúde do profi ssional que lida com
os produtos.
Software combate fungo Professor da Faculdade
de Ciências Agronômicas (FCA), câmpus
de Botucatu, o agrônomo Edson Luiz Furtado foi
um dos orientadores (com o professor Nilton Luiz de
Souza, já falecido) de uma tese de doutorado
que resultou
em um software para a prevenção da chamada
podridão floral de citros, doença causada
por um fungo e também conhecida como estrelinha.
Durante a floração dos laranjais, que
coincide com temperaturas mais baixas e alta umidade,
pode ocorrer o surgimento da doença, que provoca
lesões nas flores e impede o desenvolvimento
do fruto. A autora do estudo, Natália Aparecida
rodrigues Peres, atualmente pesquisadora da Universidade
da Flórida (EUA), explica que o micro-organismo
sobrevive entre as floradas abrigado na ponta da haste
do fruto (na estrelinha) e nas folhas, voltando
a se desenvolver na safra seguinte.
Este software está disponível, em língua
portuguesa, no portal da Universidade da Flórida
(http://pfd.fas.ufl .edu/). O internauta deve informar
o estágio da florada e as condições
climáticas, entre outros detalhes, e o sistema
calcula a necessidade de pulverização.
Agricultores que testaram o software economizaram
cerca de r$ 200,00 por hectare em fungicidas,
destaca Natália. O projeto foi fi nanciado pela
Fapesp, em parceria com a Universidade da Flórida
e a Citrovita, empresa do Grupo Votorantim.
Redes neurais As bananeiras sofrem constantes
quedas de produção com a doença
sigatoka-negra, que provoca a queda precoce das folhas,
reduzindo a quantidade e a qualidade dos frutos. Os
professores Wilson da Silva Moraes e Silvia Helena Modenese
Gorla da Silva, docentes do câmpus de registro,
uniram esforços para controlar essa praga. Para
defi nir o momento correto da aplicação
de fungicidas, Moraes aplicou um método de observação
semanal da severidade da doença, com o exame
da infestação nas folhas mais novas, em
até 50 hectares da plantação.
Silvia fotografou o desenvolvimento das lesões
nas
folhas. As imagens foram processadas digitalmente por
meio de redes neurais artifi ciais, que trabalham as
informações de forma semelhante ao cérebro
humano e, por isso, são capazes de reconhecer
e diferenciar as lesões de sigatoka-negra das
de outras doenças. Esse trabalho resultou de
seu doutorado, orientado pelo docente Carlos roberto
Padovani, do instituto
de Biociências (iB) de Botucatu. Desenvolvemos
um sistema que poderá fazer automaticamente e
de forma precisa o controle da enfermidade, destaca
Silvia. Agora, buscamos parceiros para transformá-lo
em um dispositivo eletrônico para ser colocado
em uso.
Avaliação de agrotóxicos
Mesmo observando as normas de aplicação,
os defensivos podem atingir cursos de água superfi
ciais ou subterrâneos, provocando danos ambientais.
Em razão disso, há normas para o registro
de novos agrotóxicos e renovação
de licenças já concedidas, a cargo dos
Ministérios da Saúde (Anvisa), do Meio
Ambiente (ibama) e da Agricultura (Coordenadoria de
Agrotóxico). Para auxiliar a avaliação
do risco ambiental de defensivos a serem lançados
no mercado, foi desenvolvido um software para verifi
car a concentração do principal componente
químico dos produtos.
A proposta envolveu os docentes Adriano Wagner Ballarin,
à época diretor do Serviço Técnico
de informática da FCA, em Botucatu; Roberto Antonio
Colenci, da Faculdade de Tecnologia (Fatec), vinculada
ao Centro Paula Souza; e Cláudio Spadotto, da
Embrapa Meio Ambiente, de Jaguariúna (SP), e
professor do programa de pós-graduação
da FCA. ParaSpadotto, essa ferramenta torna mais ágil
o processo de registro, mas, se a fórmula
proposta não for ambientalmente segura, ela não
será licenciada.
Chip contra ervas daninhas Em São
José do Rio Preto, os docentes Norian Marranghello
e Aledir Silveira Pereira, ambos do Instituto de Biociências,
Letras e Ciências Exatas (ibilce), estão
desenvolvendo um circuito integrado digital, ou chip,
para combater ervas daninhas em plantações
de soja. O chip será programado com as imagens
das bordas das folhas da soja.
Essa inovação, segundo Marranghello,
será acoplada a um veículo agrícola,
em cuja parte dianteira serão instaladas três
câmeras e, na traseira, um outro circuito para
borrifar defensivos nas plantas indesejáveis.
As câmeras fi lmarão as plantações,
enviando as imagens ao chip, que, ao detectar alguma
imagem diferente, enviará mensagem ao circuito
que aciona o sistema borrifador. Ainda em desenvolvimento,
esta pesquisa integra o Programa Brazil-IP, do Ministério
da Ciência e Tecnologia.
Pecuária Na pecuária, a
administração de rebanhos ovinos e caprinos
também pode contar com ferramentas computacionais
produzidas na Unesp. Uma delas é o Programa de
Controle Produtivo e reprodutivo de Caprinos (Procapri).
Desenvolvido pelo zootecnista Kleber Tomas de resende,
docente da FCAV, o software é utilizado por cerca
de 300 produtores de caprinos de Minas Gerais, São
Paulo e rio de Janeiro, além de um na Austrália
e cinco na América Latina.
O aplicativo possibilita ao criador fazer o registro
zootécnico dos animais, no endereço www3.fcav.
unesp.br/procapri. O banco de dados que o acompanha
é alimentado com informações de
cada indivíduo nascimento, doenças,
cobertura, prenhez , que permitem identificar
animais com melhor rendimento e promover o melhoramento
genético do rebanho. O banco de dados fi ca hospedado
na FCAV e reúnereúne informações
fornecidas pelos produtores. Cada criador só
tem acesso aos próprios dados, assegura
Resende. recentemente, uma dissertação
do zootecnista Bruno Biagioli, orientada pelo docente,
atualizou a linguagem de programação do
sistema.
Já o Sistema de Gerenciamento de Ovinos (Sigo)
é uma iniciativa do engenheiro agrônomo
Cecílio Viega Soares Filho, professor do curso
de Medicina Veterinária, da Faculdade de Odontologia
(FO), câmpus de Araçatuba (www.foa.unesp.br/ovinos).
Projetado em parceria com a analista de sistemas Katia
Midori Yabuke Maeoka, também da FO, o aplicativo
possibilita registros individuais dos animais, permitindo
ao ovinocultor controlar características como
sanidade,
produtividade e peso. O controle do rebanho favorece
a tomada de decisão, destaca o docente.
Desde seu lançamento em
2005, o Sigo já cadastrou 3.650 usuários
de países da América do Sul, México,
Estados Unidos e Portugal.
Avicultura Está em fase de teste
em granjas comerciais um software que visa estimar a
condição de bem-estar de matrizes de frango
de corte a partir do monitoramento, por imagem, do comportamentodas
aves. Elaborado no câmpus de Tupã por alunos
do curso de Administração, sob a orientação
do engenheiro agrícola Danilo Pereira, o trabalho
já recebeu dois prêmios em congressos de
iniciação Científica.
Segundo Pereira, o aplicativo é baseado em lógica
fuzzy, que possibilita transformar linguagens subjetivas
em expressões matemáticas. A ferramenta
fará a avaliação, em tempo real,
da situação das aves a partir de variáveis
ambientais por exemplo, temperatura e concentração
de amônia , e comportamentais, como ciscar
e limpar as penas, consideradas importantes nas análises
estatísticas de experimentos em câmaras
climáticas. Esses dados alimentam o sistema
fuzzy,
que estima o nível de bem-estar das aves.
Experiências como as apresentadas nesta reportagem
estimulam João Perea Martins, docente da Faculdade
de Ciências (FC), câmpus de Bauru a destacar
a importância de levar os avanços de tecnologia
da informação para o setor rural. (Veja
quadro.) Existe uma grande carência de conhecimento
tecnológico por parte do pessoal da área
agrícola, comenta. E esse conhecimento
pode ser aplicado na melhoria de sua condição
de trabalho e qualidade de vida.
GENIRA CHAGAS
(Colaborou Julio Zanella)
| Atividade
de extensão desmistifica GPS |
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O especialista em Ciência da Computação
João Perea Martins, docente da Faculdade
de
Ciências (FC), câmpus de Bauru,
avalia que o pequeno agricultor tem muita
difi culdade em
assimilar as novas tecnologias. Buscando
levar a pequenos produtores as ferramentas
da informática para o setor, há
um ano Perea realiza o projeto de extensão
Tecnologia no Campo.
Ele coordenou o desenvolvimento de um software
de apoio ao ensino de GPS (Sistema de
Posicionamento Global), com o qual faz apresentações,
em escolas agrícolas da região,
sobre o uso do instrumento para gerenciar
os recursos naturais, tais como localizar
na lavoura áreas de menor produtividade.
Apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão
Universitária (Proex), o Projeto
mantém o site (www2.fc.unesp.br/~perea/gps.php),
onde o agricultor pode adquirir cópias
gratuitas do software. Desde 2008, o aplicativo
já foi copiado
cerca de 800 vezes por usuários do
Brasil e de sete outros países.
G.C.
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