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Editoração
Por um País de leitores
José Castilho Marques
Neto fala dos desafios à frente do Plano Nacional
do Livro e Leitura
À frente do PNLL
(Plano Nacional do Livro e Leitura), vinculado aos Ministérios
da Cultura e da Educação, que completou
dois anos em agosto, José Castilho Marques Neto
tem como desafio contribuir para democratizar o acesso
ao livro no Brasil. Secretário-executivo do PNLL
e, desde abril de 1996, diretor-presidente da Fundação
Editora da Unesp (FEU), ele é graduado e doutor
em Filosofia pela USP e docente da Faculdade de Ciências
e Letras, câmpus de Araraquara. Especializou-se
também em editoração universitária,
sendo consultor de organismos nacionais e internacionais
de editoração e leitura, tendo dirigido
diversas entidades e instituições do livro
e da leitura. (Entrevista a Oscar DAmbrosio)
Jornal Unesp: Como surgiu o convite para assumir
a secretaria-executiva do PNLL?
José Castilho Marques Neto: A origem dessa
missão foi o engajamento da Fundação
Editora da Unesp (FEU) no Viva Leitura, nome dado no
Brasil ao Ano Ibero-americano da Leitura, que aconteceu
em 2005. A FEU foi convidada a participar por ter tradição,
assim como a nossa Universidade, de engajamento em atividades
em cooperação com a sociedade. Como coordenador-executivo
do programa Viva Leitura, organizei o I Fórum
do PNLL em março de 2006, na Bienal Internacional
do Livro de São Paulo. Na ocasião, foi
lançada a proposta do PNLL. O convite para assumir
a secretaria-executiva do Programa veio no momento em
que o coordenador do Viva Leitura, que veio a ser PNLL,
Galeno Amorim, se afastou do governo em maio de 2006.
JU: Quais eram as prioridades?
Castilho: As principais tarefas eram institucionalizar
o plano como programa do governo federal numa parceria
entre os Ministérios da Cultura e da Educação.
Recebi autorização da administração
central da Unesp para exercer a coordenação-executiva
do PNLL, função sem remuneração
o que garante autonomia no processo decisório
, e me afastei parcialmente das atividades na
FEU. Em 14 de agosto de 2006, foi promulgada a Portaria
Interministerial Minc/MEC nº 1442, que criou o
PNLL e me nomeou secretário-executivo. Em agosto
de 2006, para viabilizar o PNLL, foi celebrado um convênio
entre o Minc e a FEU, pelo qual o Ministério
repassa para a Fundação uma verba que
ela gerencia para viabilizar a implementação
do PNLL. Não é só uma responsabilidade,
mas um orgulho participar como protagonista de um momento
excepcional da história do País. Foram
mais de 150 reuniões presenciais e algumas videoconferências.
JU: Qual é a avaliação
das ações do PNLL nesses dois anos de
existência?
Castilho: Durante o II Fórum do PNLL,
em agosto, verificamos mudanças importantes de
mentalidade. O MEC, que já tem o maior programa
de compra de livros do mundo, começou a ver com
bons olhos a aplicação de recursos na
formação de professores leitores, na criação
de bibliotecas em salas de aula e na reintrodução
da literatura como matéria curricular. No Minc,
há um programa maciço de investimento
em bibliotecas públicas.
JU: E quais são os próximos desafios?
Castilho: Estamos construindo as bases de um
grande plano de desenvolvimento do livro e da leitura,
que precisa virar lei para ser uma política pública
acima de partidos políticos, tornando-se uma
política de Estado. Nos próximos meses,
será enviado ao Congresso Nacional um projeto
de lei para criação de um Fundo Pró-Leitura,
que arrecadará 1% do faturamento de todo o setor
editorial livreiro, aproximadamente R$ 50 milhões
anuais somente do setor privado, para o desenvolvimento
da leitura e sustentação dos objetivos
dos quatro eixos do PNLL, que gerenciará esses
recursos (veja quadro abaixo). Temos ainda, 500 anos
após Gutemberg, que democratizar o acesso ao
livro. Trata-se da missão de implantar e abrir
caminhos, algo que é próprio da Editora
Unesp.
| O que
é o Plano |
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O PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura)
é um conjunto de projetos, programas,
atividades e eventos na área do livro,
leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento
no País, empreendidos pelo Estado
(em âmbito federal, estadual e municipal)
e pela sociedade. A prioridade do PNLL é
transformar a qualidade da capacidade leitora
do Brasil e trazer a leitura para o dia-a-dia
do brasileiro.
Seus quatro eixos de ação
são: a democratização
do acesso ao livro; o fomento à leitura
e formação de mediadores;
a valorização da leitura e
comunicação; e o apoio à
economia do livro. OD
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| Opiniões
das autoridades |
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O PNLL surgiu da consciência
que precisávamos de uma estratégia
que envolvesse vários projetos articulados
em direção ao estímulo
da leitura na sala de aula, na família,
no trabalho.
Juca Ferreira
Ministro da Cultura
O plano está sendo muito bem
conduzido, com convergência de objetivos
de vários setores.
Rosely Boschini
Presidente da CBL (Câmara Brasileira
do Livro)
Com linhas de ação
bem claras e definidas, o PNLL tem colocado
o livro no lugar de destaque no imaginário
do brasileiro. O professor Castilho tem
conseguido articular todos os ministérios
e atores na condução do plano.
Jefferson Assunção
Coordenadoria do Livro e da Leitura do
Ministério da Cultura
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