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Setembro/2008 – Ano XXII – nº 237   ::   Suplemento   ::   Encarte Eleição

 
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Política
Uma primeira-dama exemplar
Vida de Darcy Vargas, esposa de Getúlio, reflete condição da mulher no início do século XX

O grande mérito desse livro sobre Darcy Vargas está em identificar o seu percurso como filha, esposa do ex-presidente Getúlio Vargas, mãe de cinco crianças e, acima de tudo, como administradora da vida política familiar. Nascida em São Borja (RS), em 1895, e falecida no Rio de Janeiro, RJ, em 1968, foi uma primeira-dama brasileira que, para muitos, deixou saudade.

Ela se casou aos 15 anos com Getúlio Vargas e, criada numa época em que as mulheres recebiam educação apenas para o casamento e não sabiam ler nem escrever, iniciou a união apenas com atividades caseiras, mas deu seu primeiro passo público em Porto Alegre, com a criação da Legião da Caridade, onde aqueles que desejavam se integrar à Revolução de 1930 recebiam apoio.

Como primeira-dama do País, cargo que ocupou de 1930 a 1945, Darcy Vargas tornou-se uma referência para as mulheres, com o trabalho no Abrigo Cristo Redentor e como fundadora da Casa do Pequeno Jornaleiro e, entre os anos 1942 e 1945, como presidente da LBA (Legião Brasileira de Assistência).

Professora da Universidade Estadual de Maringá (PR), a autora da obra, Ivana Guilherme Simili mostra como a política se infiltrou no percurso de Darcy. Três momentos são destacados: a organização da Legião da Caridade; a criação da Fundação Darcy Vargas, em 1938, e sua atuação na presidência da LBA.

O livro enfatiza como ela desempenhou um importante papel, embora não pronunciasse discursos pomposos e pouco escrevesse sobre os objetivos de suas obras. Ela se fixa assim como um paradigma de mulher para o homem público brasileiro. Uma das Coordenadoras do Grupo de Pesquisas CNPq – Pedagogias do Corpo e da Sexualidade (Gepecos), Ivana verifica como a atuação de Darcy é importante para o estudo das relações de gênero no período.

Um ponto importante na construção metodológica da pesquisa é o uso de citações dos livros O diário de Getúlio Vargas e Getúlio Vargas, meu pai, de Alzira Vargas do Amaral Peixoto. Dessa maneira, a mulher calada ganha voz por meio dos outros.

Após a queda do marido do poder, em 1945, Darcy permaneceu no Rio de Janeiro à frente da Casa do Pequeno Jornaleiro. Quando Getúlio retomou a presidência, em 1950, novamente dirigindo a LBA, visitou os Estados nordestinos assolados pela seca e se envolveu diretamente na assistência às vítimas da enchente do rio Amazonas, em 1953.

Após o suicídio de Vargas, em 1954, continuou trabalhando na Casa do Pequeno Jornaleiro, até sua morte. Sepultada ao lado do filho, no Rio de Janeiro, Darcy deixou, como mostra a autora, um trabalho assistencial que marcou época.

Mulher e política: a trajetória da primeira-dama Darcy Vargas (1930-1945) – Ivana Guilherme Simili;
Editora Unesp; 216 páginas; R$ 38. Informações: (11) 3242-7171.

Oscar D'Ambrosio

 


 
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