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Literatura
Visão plural
Reunião de 17 ensaios oferece ampla discussão
sobre as facetas machadianas
Para o conceituado crítico
literário americano Harold Bloom, Machado de
Assis, cujo centenário de falecimento é
lembrado em 29 de setembro, é um dos 100 maiores
escritores da literatura de todos os tempos. Tal afirmação
dá uma dimensão de como o escritor carioca
é um dos poucos autores nacionais a ultrapassar
as fronteiras impostas pela língua portuguesa
em termos de reconhecimento internacional.
Esse prestígio deve-se, em boa parte, ao resultado
estético da sua segunda fase literária,
vinculada ao realismo e iniciada justamente com Memórias
Póstumas de Brás Cubas, em 1881. A obra
foi seguramente a mais radical experimentação
da prosa brasileira até aquele momento e constitui
um desafio permanente para leitores e críticos.
Uma significativa colaboração ocorre
com a publicação, pela Editora Unesp,
de Novos ensaios sobre Machado de Assis. O objetivo
é oferecer uma visão plural, variada e
representativa de um escritor que acompanhou de perto
50 anos da vida social, cultural e política no
Brasil, gerando uma produção que permite
inesgotáveis caminhos de interpretação.
Investigação Especialistas na
obra de Machado, Francine Fernandes Weiss Ricieri, da
Unicamp/Unimep, Márcia Lígia Guidin e
Lúcia Granja, docentes do Instituto de Biociências,
Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, câmpus
de São José do Rio Preto, organizaram
uma publicação que conta com textos especialmente
criados para esta obra, geralmente sob uma ótica
que foge ao tradicional.
Os assuntos são bem variados e incluem diversos
exercícios de literatura comparada. Alcides Vilaça,
da USP, por exemplo, enfoca o célebre conto Teoria
do Medalhão a partir das ligações
com O príncipe, de Maquiavel. Por sua vez, Gilberto
Pinheiro Passos, da mesma universidade, em Sob
o signo do ciúme: Bentinho e Charles Swann,
examina Dom Casmurro e Um amor de Swann, obras que,
a partir de fontes comuns, abordam a temática
do ciúme masculino.
Vale destacar o texto de Hélio de Seixas Guimarães,
USP, que investiga a presença de referências
inglesas na obra de Machado de Assis. O docente verifica
como elas teriam constituído um novo paradigma
em relação às referências
francesas na literatura machadiana e em sua época.
Cabe a Paulo Franchetti, da Unicamp, redimensionar a
célebre crítica de Machado a O primo Basílio,
de Eça de Queirós.
Dramaturgia Duas docentes da Unesp participam
da coletânea. Lúcia Granja estuda um poema,
encontrado em Portugal, que circulou pouco a partir
do qual discute as relações entre Machado
de Assis e os dramaturgos/atores de teatro, especificamente
Antonio Moutinho de Sousa, jovem dramaturgo português
que vivia no Brasil no início dos anos 1860,
e sua esposa Ludovina (veja nesta página). A
análise investiga ainda a atuação
do escritor como censor do Conservatório Dramático
Brasileiro. Docente da Faculdade de Ciências e
Letras, câmpus de Assis, Sílvia Maria Azevedo
focaliza a atuação de Machado de Assis
como colaborador da publicação Ilustração
Brasileira.
Antônio Carlos Secchin, da UFRJ e da Academia
Brasileira de Letras, faz um estudo comparativo entre
Cantiga de esponsais e Um homem célebre,
enquanto Márcia Lígia Guidin, no ensaio
Corrosão e convenção: duas
festas machadianas, para estudar a mudança
de tom e estilo do imortal artista ao longo de sua vida,
compara duas cenas de festas, uma de Memórias
Póstumas de Brás Cubas e outra do diário
do conselheiro Aires no Memorial de Aires, de 1908.
Enriquecido por cronologia da vida e da obra machadiana,
tabela das séries de crônicas publicadas
por Machado de Assis e bibliografia de e sobre Machado
de Assis, o volume traz informações valiosas
para mergulhar melhor na poética de Machado,
conhecido como o Bruxo de Cosme Velho, justamente pelo
seu mágico poder de lidar com as palavras.
Ao Casal Moutinho
Íris de par, estrela de esperança,
Lyrio de ante-manhã, -
Tal desponta uma fronte de criança
Entre labor e affan!
Tal, entre vós, a flor alva e primeira
Do ósculo nupcial
Vai desabrochar-se à cabeceira
Do leito conjugal.
Machado de Assis, 1860
| Simpósio
internacional |
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A Unesp, por meio da Fundação
Editora da Unesp e com o apoio do Ministério
da Cultura, realiza o Simpósio Internacional
Caminhos cruzados: Machado de Assis pela
crítica mundial, de 25 a 29 de agosto,
no auditório do MASP, em São
Paulo (SP).
O evento busca construir as bases para
um contato mais amplo, sólido e constante
entre os diversos pesquisadores da obra
de Machado de Assis. Além de evocar
temas fundamentais na agenda dos especialistas
ao longo dos próximos anos, difunde
a obra de Machado de Assis.
Participam pesquisadores internacionais
como Abel Barros Baptista (Universidade
Nova de Lisboa), Amina di Munno (Universidade
de Gênova), Dain Borges (Universidade
de Chicago), o ganhador do Prêmio
Cervantes, Jorge Edwards (Chile), e expoentes
do cenário brasileiro, como Roberto
Schwarz, Alberto Costa e Silva, Antonio
Carlos Secchin, Carlos Alberto Vogt, Gilberto
Pinheiro Passos, Luiz Roncari, Sérgio
Paulo Rouanet e Valentim Facioli. O escritor
Milton Hatoum fará uma saudação
em nome dos escritores brasileiros.
As inscrições estão
abertas e são gratuitas. Informações:
www.machadodeassis.unesp.br/simposio,
simposio@machadodeassis.unesp.br
ou
Tel.: 11-3871-2339 (secretaria do evento).
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Oscar DAmbrosio
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