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Literatura comparada
O valor da crítica de Augusto Meyer
Dissertação sobre análises
críticas sobre Machado de Assis é premiada
A dissertação
A flor amarela, solitária e mórbida da
introspecção A obra crítica
de Augusto Meyer sobre Machado de Assis, de autoria
de Paulo Bungart Neto, ficou com o primeiro lugar no
Prêmio Anpoll (Associação Nacional
de Pós-Graduação e Pesquisa em
Letras e Lingüística) 2007.
Anunciado em 8 de julho, o trabalho de Bungart Neto
coroa uma pesquisa que começou durante a graduação,
como Iniciação Científica, em 1995,
e que foi desenvolvida no mestrado defendido em 2002,
pelo programa de pós-graduação
em Letras da Faculdade de Ciências e Letras (FCL),
câmpus de Assis.
Sob a orientação do professor Luis Roberto
Velloso Cairo, Bungart Neto, atualmente professor de
Literatura Comparada da Universidade Federal da Grande
Dourados (MS), analisou a crítica de Augusto
Meyer a respeito da obra machadiana, vista por ele como
uma divisora de águas.
Intenções Antes de Meyer, para
Bungart Neto, os estudos dos textos de Machado de Assis
eram biográficos. Depois passaram a ressaltar
os aspectos psicológicos dos personagens e o
estilo para aprofundar o conhecimento das motivações
e das intenções, por vezes ocultas,
do autor.
Para isso, buscamos abranger toda a produção
crítica de Augusto Meyer sobre Machado de Assis,
estudando os ensaios do escritor gaúcho desde
o início de suas atividades em jornais e periódicos
do Rio Grande do Sul, na década de 1920, até
os derradeiros volumes A Chave e a Máscara (1964)
e A Forma Secreta (1965), explica.
Além das obras de Meyer, Bungart Neto descreveu
as diversas fases pelas quais passou a crítica
machadiana desde o fim do século XIX. Ele também
analisou a polêmica entre Augusto Meyer e Agripino
Grieco a respeito das Memórias Póstumas
de Brás Cubas, e os textos, sobretudo de Alcides
Maya e Graça Aranha, que influenciaram Meyer
na redação de Machado de Assis, de 1935.
Crítica A repercussão da análise
de Meyer no trabalho de estudiosos como Eugênio
Gomes, Afrânio Coutinho e Roberto Schwarz está
incluída no levantamento. Acredito que
o fato de não ter me limitado apenas a comentar
a crítica machadiana de Augusto Meyer, tenha
sido o diferencial do meu trabalho, especula.
Nos estudos de Meyer, segundo Bungart Neto, Machado
é analisado sob o prisma da introspecção,
do recalcamento e do isolamento, motivados pelo profundo
pessimismo e pela tristeza que caracterizavam o romancista.
Na escolha do título, destaco essas duas
características da obra machadiana. O trecho
inicial do título remete a uma citação
retirada do capítulo 25 das Memórias Póstumas,
na qual Brás Cubas afirma que começou
a desabotoar em mim a hipocondria, essa flor amarela,
solitária e mórbida, de um cheiro inebriante
e sutil, destaca.
Daniel Patire
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