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Agosto/2008 – Ano XXII – nº 236   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: CENTENÁRIO DE UM MESTRE ::

Literatura comparada
O valor da crítica de Augusto Meyer
Dissertação sobre análises críticas sobre Machado de Assis é premiada

A dissertação A flor amarela, solitária e mórbida da introspecção – A obra crítica de Augusto Meyer sobre Machado de Assis, de autoria de Paulo Bungart Neto, ficou com o primeiro lugar no Prêmio Anpoll (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Lingüística) 2007.

Anunciado em 8 de julho, o trabalho de Bungart Neto coroa uma pesquisa que começou durante a graduação, como Iniciação Científica, em 1995, e que foi desenvolvida no mestrado defendido em 2002, pelo programa de pós-graduação em Letras da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus de Assis.

Sob a orientação do professor Luis Roberto Velloso Cairo, Bungart Neto, atualmente professor de Literatura Comparada da Universidade Federal da Grande Dourados (MS), analisou a crítica de Augusto Meyer a respeito da obra machadiana, vista por ele como uma “divisora de águas”.

Intenções – Antes de Meyer, para Bungart Neto, os estudos dos textos de Machado de Assis eram biográficos. Depois passaram a ressaltar os aspectos psicológicos dos personagens e o estilo para aprofundar o conhecimento das motivações e das intenções, por vezes “ocultas”, do autor.

“Para isso, buscamos abranger toda a produção crítica de Augusto Meyer sobre Machado de Assis, estudando os ensaios do escritor gaúcho desde o início de suas atividades em jornais e periódicos do Rio Grande do Sul, na década de 1920, até os derradeiros volumes A Chave e a Máscara (1964) e A Forma Secreta (1965)”, explica.

Além das obras de Meyer, Bungart Neto descreveu as diversas fases pelas quais passou a crítica machadiana desde o fim do século XIX. Ele também analisou a polêmica entre Augusto Meyer e Agripino Grieco a respeito das Memórias Póstumas de Brás Cubas, e os textos, sobretudo de Alcides Maya e Graça Aranha, que influenciaram Meyer na redação de Machado de Assis, de 1935.

Crítica – A repercussão da análise de Meyer no trabalho de estudiosos como Eugênio Gomes, Afrânio Coutinho e Roberto Schwarz está incluída no levantamento. “Acredito que o fato de não ter me limitado apenas a comentar a crítica machadiana de Augusto Meyer, tenha sido o diferencial do meu trabalho”, especula.

Nos estudos de Meyer, segundo Bungart Neto, Machado é analisado sob o prisma da introspecção, do recalcamento e do isolamento, motivados pelo profundo pessimismo e pela tristeza que caracterizavam o romancista. “Na escolha do título, destaco essas duas características da obra machadiana. O trecho inicial do título remete a uma citação retirada do capítulo 25 das Memórias Póstumas, na qual Brás Cubas afirma que ‘começou a desabotoar em mim a hipocondria, essa flor amarela, solitária e mórbida, de um cheiro inebriante e sutil”’, destaca.

Daniel Patire

 
  ACI