UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
"JÚLIO DE MESQUITA FILHO"
Reitoria
 
     
 
Jornal UNESP :::
Junho/2008 – Ano XXII – nº 234   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: TECNOLOGIA ::

Informática
Sistema computacional será o maior da América Latina
Projeto de R$ 3,1 milhões abrangerá 7 câmpus e processará 33,3 trilhões de cálculos por segundo

 

A Unesp começa neste semestre a implantar em sete diferentes pontos do Estado de São Paulo o maior cluster computacional da América Latina. O projeto GridUnesp (Integração da Capacidade Computacional da Unesp), com tecnologia da Sun Microsystems, permitirá a grupos de pesquisa da Universidade o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento e armazenamento de dados em física de partículas, genética, meteorologia, medicina e outras áreas.

O cluster central - sistema que reúne o potencial de processamento e a capacidade de desempenho de vários computadores, para operar como uma única máquina - será instalado no novo câmpus da Unesp em São Paulo, na Barra Funda. Ele terá 2.048 núcleos de processamento e seu desempenho será de cerca de 23,2 teraflops (trilhões de cálculos por segundo).

O projeto, de cerca de R$ 3,1 milhões, foi financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A infra-estrutura computacional, com um cluster central e sete secundários, será implementada nos câmpus de Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro, São José do Rio Preto e São Paulo. O complexo formado por oito clusters somará 33,3 teraflops.

O GridUnesp será conectado em alta velocidade à Internet2 norte-americana por meio da rede MetroSampa - que interliga as instituições de educação, cultura e pesquisa da região metropolitana de São Paulo - e da conexão ANSP/RNP/Florida International University, entre São Paulo e Miami. A conexão entre os clusters do Interior será feita pela rede KyaTera - Plataforma Óptica de Pesquisa para o Desenvolvimento da Internet Avançada da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Conforme a lei - A seleção da Sun Microsystems para o GridUnesp obedeceu às exigências da Lei de Licitações e Contratos e foi precedida por ampla consulta a empresas especializadas em processamento computacional de altas capacidades. A definição das especificações e a análise das propostas técnicas e comerciais foram acompanhadas por uma comissão multiinstitucional de especialistas. "A Sun foi selecionada por oferecer as melhores características técnicas e o melhor preço entre as propostas apresentadas", afirma o coordenador-geral do GridUnesp, Sérgio Ferraz Novaes, professor do Instituto de Física Teórica (IFT), câmpus de São Paulo.

O GridUnesp estabeleceu uma parceria com o OSG (Open Science Grid), dos Estados Unidos, que congrega estruturas de grid com recursos computacionais de 50 sites dos EUA, Ásia e América Latina. "O projeto é pioneiro na implementação de uma grade computacional conectada aos grandes centros de pesquisa do mundo, como o OSG", destaca Joaquim Merino, executivo de vendas da Sun Microsystems.

O GridUNESP terá administração, operação e manutenção centralizadas, e será acessível a qualquer pesquisador da Universidade. Segundo Novaes, o projeto atende às áreas de pesquisa que requerem processamento, análise e armazenamento de grandes quantidades de dados. "A interligação dos principais centros de processamento e armazenagem de dados da Universidade permitirá a distribuição eqüitativa desses recursos e o acesso de todos a uma infra-estrutura computacional que, de outra forma, seria inviável ou extremamente dispendiosa", explica Novaes.

Benefícios - "O desenvolvimento de nossas pesquisas será auxiliado em termos de velocidade de cálculo e disponibilidade de memória", afirma Elson Longo, docente do Instituto de Química, câmpus de Araraquara, e coordenador do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos.

"A criação do GridUnesp fará com que a Universidade possua capacidade de integrar grandes projetos internacionais na área de computação em grid", afirma Gastão Krein, diretor do IFT. Para o físico Ney Lemke, do Instituto de Biociências, câmpus de Botucatu, os estudos que realiza nas áreas de biologia e física médica terão grande avanço. "Com o GridUnesp, o tempo de cálculo das pesquisas será reduzido, o que nos permitirá desenvolver estudos mais detalhados", ressalta.

Segundo Adriano Mauro Cansian, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Segurança do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de São José do Rio Preto, o projeto que coordena, detecção de ataques a redes de computadores de grande porte, será beneficiado. "O Grid permitirá um processamento mais ágil na realização das análises que visam à detecção de ataques em tempo real", enfatiza.

"O GridUnesp será um instrumento importante para os nossos centros de pesquisa continuarem a contribuir significativamente para manter o ritmo de crescimento e o aprimoramento dos estudos científicos do Brasil", afirma o reitor da Unesp, Marcos Macari.

Segundo Carlos Thomaz, especialista em Computação de Alto Desempenho da Sun Microsystems do Brasil, o GridUnesp representa um marco na comunidade acadêmica brasileira. "Desafios como esse não se consolidam apenas com sistemas, mas com uma infra-estrutura definida especificamente para atender às necessidades da Unesp, abrangendo soluções de software, hardware e principalmente serviços", ressalta.

 
  ACI