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Literatura
Especialista traduz Petrônio
Docente dividiu Satíricon em 20 partes
e fez comentários sobre contexto da cultura romana
Em fevereiro, foi lançado
pela Editora Cosac & Naify o clássico Satíricon,
livro escrito por Petrônio, com tradução
de Cláudio Aquati, professor do Instituto de
Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce),
câmpus de São José do Rio Preto
(272 páginas, R$ 55,00). Com dois mil anos de
vida, o livro é uma verdadeira escola de latim,
literatura e costumes da época do Império
Romano.
O tradutor estudou o Satíricon em seu mestrado
e no doutorado. Com o convite da editora, quis
elaborar uma tradução completa, de tal
forma que fosse ao mesmo tempo segura para o estudioso
da matéria e atraente para os que apreciam a
literatura em geral, diz.
No mestrado, Aquati analisou e traduziu O banquete
de Trimalquião, o trecho mais conhecido da obra,
e, no doutorado, pesquisou a interferência do
grotesco literário no Satíricon. Para
o professor, o seu aprofundamento nos aspectos estilísticos
e literários do livro contribuiu decisivamente
para a realização da tradução.
Petrônio emprega diversos níveis
de linguagem e mistura gêneros literários
para se adequar às próprias intencionalidades,
afirma o especialista. Reconhecer tais níveis
na obra de partida e buscar recursos lingüísticos
adequados à sua expressão em português,
bem como a percepção do contexto literário
subjacente à obra, foi fundamental para a tradução.
Obra em contexto
A edição, além de uma apresentação
do poeta Raymond Queneau, traz um posfácio em
que Aquati contextualiza o livro, apresenta sugestões
de leitura, um mapa com o trajeto das personagens e
imagens de objetos do cotidiano romano e de situações
citadas na obra. Na opinião do tradutor, Satíricon
dialoga amplamente com a literatura de sua época:
Não é difícil identificar
em seu substrato literário referências
a textos como os da Ilíada, da Odisséia,
da Eneida, da Priapéia grega e latina e do romance
grego, esclarece.
Aquati enfatiza que, apesar de hoje restarem apenas
fragmentos do livro, os fatores de ordem cultural e
social presentes no texto levam a crer que tenha sido
escrito por volta de 60 d.C. O docente do Ibilce destaca
que Petrônio sempre utiliza um discurso adequado
às características da personagem que o
produz. Conhecido como um texto imoral e mesmo
obsceno, em termos de linguagem, raríssimas vezes
se encontra o baixo calão no Satíricon,
assinala.
Para Aquati, o diferencial de sua tradução,
além dos comentários, está na divisão
que realizou em 20 partes. Em relação
às outras versões da obra existentes no
Brasil e em Portugal, critica a de Paulo Leminski (Brasiliense,
1985) e elogia a de Delfim Leão (Lisboa, Cotovia,
2005). Considera Leminski um desbravador na divulgação
de Petrônio, mas avalia que seu tom radicalmente
contemporâneo afasta-se em demasia do original
latino. Delfim Leão traduziu com
sabor e apuro, e soube afinar o texto com o português
falado hoje em Portugal, avalia Aquati.
Atualmente, ele trabalha na tradução
de O Asno de Ouro, de Apuleio. Embora o quadro
de traduções de obras latinas venha melhorando
no Brasil, com a incansável produção
das universidades, muitas vezes ainda nos faltam boas
traduções de obras-chave para a abordagem
da língua e da literatura nessa área,
acentua.
Lygia Aliberti e
Oscar DAmbrosio
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