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Ciências biológicas
Testes revelam adulteração de mel
Exames indicam presença de açúcar
de milho e cana em amostras de apiários e supermercados
Dois estudos desenvolvidos
no Centro de Isótopos Estáveis (CIE),
unidade auxiliar do Instituto de Biociências (IB),
câmpus de Botucatu, mostram adulterações
no mel produzido e comercializado no País. De
acordo com as pesquisas, tais alterações
são feitas com glicose de milho ou de cana-de-açúcar
e foram identificadas em lotes do produto recolhidos
em apiários e supermercados.
Num doutorado defendido no Programa de Pós-graduação
em Zootecnia, da Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia (FMVZ), câmpus de Botucatu, a agrônoma
Elvira Maria Arauco avaliou o grau de pureza de 211
amostras de mel adquiridas de apicultores de 15 Estados.
Do total, 8% apresentavam adulterações.
Além da mistura em si, durante o aquecimento
para a adição de glicose, o mel perde
proteínas, minerais, vitaminas e enzimas importantes,
explica Elvira.
Também apresentaram adulterações
as amostras de mel comercializadas em supermercados
de sete Estados, embora elas possuíssem certificados
do SIF (Serviço de Inspeção Federal).
De um total de 61 pequenas porções, 11
delas (18%) continham glicose de milho ou de cana. O
resultado foi obtido pela então estudante Cibele
Regina de Souza em pesquisa para sua monografia de conclusão
do curso de Ciências Biológicas do IB.
No Estado de São Paulo, o problema é
ainda mais grave, já que, das 19 amostras coletadas,
seis (31%) estavam adulteradas, aponta.
Sobre o método
Isótopos estáveis são as múltiplas
formas em que um mesmo elemento químico
o carbono, por exemplo pode se apresentar. De
acordo com Carlos Ducatti, orientador das pesquisas
e supervisor do CIE, os dois estudos tomaram como base
a diferença do valor padrão dos átomos
de carbono 13 e 12 do mel puro e dos produtos analisados.
Nesse caso, é levado em conta que, para a produção
do mel, as abelhas sugam o néctar de plantas
frutíferas, cujo primeiro composto do ciclo de
fotossíntese resulta em três átomos
de carbono (C3). Já a cana-de-açúcar
e o milho, de onde se extrai a glicose das adulterações,
têm como primeiro composto quatro átomos
de carbono (C4). Essa diferença, a base das análises,
equivale a dizer que o isótopo denominado carbono
13 do mel puro é mais leve do que o da glicose.
Seguindo essa técnica, o valor do isótopo
ou do átomo do produto avaliado tem de ser igual
ao da proteína do mel puro, utilizado como referência
por ser um padrão encontrado na natureza. Essa
é uma metodologia quantitativa que oferece segurança
à análise de falsificação
de produtos por se basear na constituição
original do modelo, acrescenta Ducatti.
Segundo o docente, o Centro utiliza o método
oficial adotado na Europa e nos EUA. Os tradicionalmente
utilizados pelos órgãos de fiscalização
muitas vezes não conseguem identificar com absoluta
segurança as adulterações cada
vez mais sofisticadas, diz. Ele cita como exemplo
a substância HFCS (High Fructose Corn Syrup),
obtida a partir do milho e adicionada ao mel puro para
aumentar o volume do produto.
Julio Zanella
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