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Abril/2008 – Ano XXI – nº 232   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: TECNOLOGIA ::

Ciências biológicas
Testes revelam adulteração de mel
Exames indicam presença de açúcar de milho e cana em amostras de apiários e supermercados

Dois estudos desenvolvidos no Centro de Isótopos Estáveis (CIE), unidade auxiliar do Instituto de Biociências (IB), câmpus de Botucatu, mostram adulterações no mel produzido e comercializado no País. De acordo com as pesquisas, tais alterações são feitas com glicose de milho ou de cana-de-açúcar e foram identificadas em lotes do produto recolhidos em apiários e supermercados.

Num doutorado defendido no Programa de Pós-graduação em Zootecnia, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), câmpus de Botucatu, a agrônoma Elvira Maria Arauco avaliou o grau de pureza de 211 amostras de mel adquiridas de apicultores de 15 Estados. Do total, 8% apresentavam adulterações. “Além da mistura em si, durante o aquecimento para a adição de glicose, o mel perde proteínas, minerais, vitaminas e enzimas importantes”, explica Elvira.

Também apresentaram adulterações as amostras de mel comercializadas em supermercados de sete Estados, embora elas possuíssem certificados do SIF (Serviço de Inspeção Federal). De um total de 61 pequenas porções, 11 delas (18%) continham glicose de milho ou de cana. O resultado foi obtido pela então estudante Cibele Regina de Souza em pesquisa para sua monografia de conclusão do curso de Ciências Biológicas do IB. “No Estado de São Paulo, o problema é ainda mais grave, já que, das 19 amostras coletadas, seis (31%) estavam adulteradas”, aponta.

Sobre o método

Isótopos estáveis são as múltiplas formas em que um mesmo elemento químico – o carbono, por exemplo – pode se apresentar. De acordo com Carlos Ducatti, orientador das pesquisas e supervisor do CIE, os dois estudos tomaram como base a diferença do valor padrão dos átomos de carbono 13 e 12 do mel puro e dos produtos analisados.

Nesse caso, é levado em conta que, para a produção do mel, as abelhas sugam o néctar de plantas frutíferas, cujo primeiro composto do ciclo de fotossíntese resulta em três átomos de carbono (C3). Já a cana-de-açúcar e o milho, de onde se extrai a glicose das adulterações, têm como primeiro composto quatro átomos de carbono (C4). Essa diferença, a base das análises, equivale a dizer que o isótopo denominado carbono 13 do mel puro é mais leve do que o da glicose.

Seguindo essa técnica, o valor do isótopo ou do átomo do produto avaliado tem de ser igual ao da proteína do mel puro, utilizado como referência por ser um padrão encontrado na natureza. “Essa é uma metodologia quantitativa que oferece segurança à análise de falsificação de produtos por se basear na constituição original do modelo”, acrescenta Ducatti.
Segundo o docente, o Centro utiliza o método oficial adotado na Europa e nos EUA. “Os tradicionalmente utilizados pelos órgãos de fiscalização muitas vezes não conseguem identificar com absoluta segurança as adulterações cada vez mais sofisticadas”, diz. Ele cita como exemplo a substância HFCS (High Fructose Corn Syrup), obtida a partir do milho e adicionada ao mel puro para aumentar o volume do produto.

Julio Zanella


 
  ACI