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Abril/2008 – Ano XXI – nº 232   ::   Suplemento [Voltar]
 
:: PÓS-GRADUAÇÃO ::

Geociências
Um novo modelo de exploração de jazidas
Baseada em 20 anos de estudo, proposta explica características peculiares de área em Minas Gerais

A pesquisa de mais de 20 anos de Thomas Lafayette Brenner em uma jazida mineral no sudoeste do Estado de Minas Gerais conquistou o primeiro lugar na categoria Geociências do Prêmio Capes. Com o título A jazida de níquel, cobre e platinóides de Fortaleza de Minas: aspectos tectônicos, vulcanológicos e tipos de minérios, o doutorado foi defendido no Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE), câmpus de Rio Claro, com a orientação do professor Sebastião Gomes Carvalho.

Na sua tese, Brenner analisa as características geológicas e químicas que diferenciam a jazida de Fortaleza de Minas de outros depósitos minerais descritos na literatura. “Desde sua descoberta, em 1982, a jazida não se encaixava em nenhum modelo clássico”, diz Brenner. “E, a partir dos dados obtidos, propusemos um novo modelo exploratório para esse tipo de jazida.”
A formação do depósito de Fortaleza de Minas se destaca como um raro exemplo de depósito de níquel formado por lago de lava, contrastando com a grande maioria dos depósitos de origem vulcânica desenvolvidos a partir de canal de rio de lava. Essa gênese alterou as características geoquímicas da jazida. “Os modelos existentes nos dizem que depósitos de níquel são encontrados em terrenos com baixa concentração de cromo”, explica o geógrafo. “Contudo, em Fortaleza, temos uma fonte de níquel mesmo com a alta concentração desse outro metal.”

Brenner alerta que, se as empresas utilizarem o critério de baixo cromo para qualificar as jazidas, “podem abandonar depósitos de níquel”. Dentro do novo modelo, além da relação cromo-níquel (Cr-Ni), são analisadas nesse depósito a relação cromo-óxido de magnésio (MgO), também alterada, e deformações intensas na sua constituição geológica.

Daniel Patire

 
  ACI