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Paleontologia
Grupo encontra fósseis de samambaias gigantes
Vegetais com mais de 250 milhões de anos achados
no Tocantins atingiam dez metros de altura
Fósseis de vegetais do Período Permiano,
entre 299 milhões e 250 milhões de anos
atrás, foram descobertos por pesquisadores da
UNESP no município de Filadélfia, no Tocantins.
O material, formado principalmente por fragmentos de
caules e folhas de espécies de samambaias gigantes,
que atingiam cerca de dez metros de altura, está
atualmente em fase de identificação. Além
das samambaias, há também sementes e fragmentos
fossilizados de outras plantas gimnospermas que
se reproduzem sem a necessidade de produzir flores.
A descoberta desses vegetais vai permitir a investigação
das características ambientais daquela época,
o processo de fossilização, o estado de
preservação e a forma como os caules se
depositaram no solo, afirma Dimas Dias-Brito,
docente do Instituto de Geociências e Ciências
Exatas (IGCE) e coordenador do estudo. Além de
especialistas da UNESP, as pesquisas reúnem estudiosos
da Universidade Federal do Tocantins, Instituto Natureza
do Tocantins e Museu de Chemnitz, na Alemanha.
O achado foi feito no ano passado na Floresta Petrificada
do Tocantins, que possui cerca de 31 mil hectares. Trata-se
da mais importante floresta fóssil tropical e
subtropical do Período Permiano já descoberta
no Hemisfério Sul e, por essa razão, ela
poderá se tornar patrimônio natural da
humanidade pela Unesco, ressalta Dias-Brito.
Os fósseis analisados pelo grupo foram o tema
de um artigo publicado em janeiro na revista do site
da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos
e Paleontológicos do Brasil (Sigep) e fará
parte de um livro sobre a Floresta Petrificada, a ser
lançado até o final do ano, com patrocínio
da Petrobrás. São projetos que visam
sensibilizar a população e as autoridades
sobre a importância científica e cultural
dessa área e colaborar para o combate ao tráfico
ilegal de fósseis. (Veja quadro.)
Estudo do material
A equipe coletou cerca de 750 quilos de material, que
envolve 200 caules de samambaias Tieteas, Psaronius
e Filicales. Os pesquisadores mediram a espessura do
xaxim (o suporte formado por pequenos fios que protege
o caule) e a parte intermediária dos caules.
Calcularam ainda o peso original e a capacidade de flutuação.
Além de retratar o ambiente onde a vegetação
original se depositou, vamos analisar os aspectos externos
e internos dos fósseis, afirma Rosemarie
Rohn, docente do IGCE e paleobotânica-chefe das
expedições ao local do achado.
A pesquisadora enfatiza que ainda é cedo para
se definir com precisão o ambiente da época,
mas afirma que provavelmente as plantas viviam numa
área quente e úmida, à beira de
um curso dágua. Pelo bom estado de
preservação dos vegetais é possível
reconhecer as células nos tecidos do material
coletado e interpretar se na hora da morte eram jovens
ou adultos, destaca. Com os fósseis recolhidos,
serão desenvolvidos dois estudos de doutorado,
por Robson Capretz e Tatiane Tavares, para descrever
de forma mais precisa as espécies de samambaias
e analisar o processo de fossilização.
Segundo Rosemarie, a fossilização de
vegetais depende do ambiente e das características
físicas e químicas da área onde
eles foram soterrados por sedimentos. A petrificação
ocorre pela impregnação total dos caules,
folhas e sementes por substâncias químicas,
geralmente a sílica, que tornam este tipo de
fóssil muito resistente e duro, explica.
Como a maioria dos vegetais estava em posição
horizontal, os pesquisadores não acreditam que
a preservação do material se tenha dado
por influência de um vulcão. Embora
muitos caules já estejam bastante fragmentados,
vários pedaços se mantiveram mais ou menos
alinhados, conforme a posição original,
retrata Rosemarie. De acordo com a pesquisadora, eles
teriam sido depositados em planícies inundadas.
Posteriormente, a areia dos rios se transformou
em rochas que passaram depois por processos de erosão,
o que fez com que os caules começassem a se fragmentar
e aflorar na superfície, explica.
Acordo com Alemanha
De acordo com as primeiras análises, o aspecto
geral das samambaias não se modificou muito do
Permiano até hoje. Os estelos, estruturas cilíndricas
dos caules, tinham diferentes formações,
o que indica que, naquele período, existiam vegetais
de diversos grupos distintos. Os fósseis apresentam
mais semelhanças em relação aos
já encontrados na Alemanha do que no Sudeste
e Sul do Brasil. Isso talvez se deva ao fato de
que, nessa época, o leste da América do
Sul estava conectado à África e o norte
estava ligado à América do Norte e à
Europa, observa Rosemarie.
Por causa das semelhanças dos fósseis
com os achados em Chemnitz, na Alemanha, a UNESP assinou
recentemente um acordo de cooperação com
o Museu daquela cidade. Dimas Dias-Brito informa que
um dos projetos futuros dos pesquisadores é a
construção, em Palmas, do Museu de História
Natural, para abrigar peças como as da Floresta
Petrificada. Após a conclusão das
nossas pesquisas, a idéia é enviar as
amostras para esse museu, que é visto como estratégico
para preservação do material, afirma.
| Fósseis
são vendidos, ilegalmente, na Internet |
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Embora seja um comércio considerado
ilegal no País, pedaços de
caules da Floresta Petrificada do Tocantins
estão sendo vendidos em sites e feiras
internacionais, por empresas brasileiras
e estrangeiras, principalmente para interessados
nos EUA e Europa.
Uma das empresas brasileiras, a Mineração
Pedra de Fogo, comercializa os fósseis
baseada em uma licença prévia
de novembro de 1997, fornecida pelo Instituto
de Natureza do Tocantins e pelo Sistema
Estadual de Planejamento e Meio Ambiente,
que autoriza a realização
de pesquisas com madeiras petrificadas na
área. Outros documentos apresentados
no site como justificativa legal para a
venda dos caules petrificados são
Guias de Utilização, emitidas
pelo 17o Distrito do Departamento Natural
de Produção Mineral (DNPM),
no Tocantins, que autorizou a retirada de
107 toneladas da jazida.
De acordo com o procurador federal
junto ao DNPM, Frederico Machado, os documentos
já foram invalidados pelo órgão,
porque a madeira petrificada se enquadra
no conceito de espécime fóssil
destinado a museus, estabelecimentos de
ensino e outros fins científicos.
A coleta deveria ser regida por lei especial,
conforme o Código de Mineração
(Decreto-Lei
no 227/1967). O Ministério Público
Federal vai apurar se houve crime contra
a administração pública.
Como o proprietário da mineradora
recorreu da decisão, ainda não
foi possível fazer a apreensão
de todo o material, esclarece Machado.
Os processos foram encaminhados ao
Ministério de Minas e Energia, que
dará a palavra final.
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Julio Zanella
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