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Memória
Filme narra exílio de ex-docente da UNESP
Terrorista, curta exibido no Cedem, discute experiência
de professor perseguido no regime militar
Acusado de terrorismo
em 1969, Percy Sampaio Camargo, ex-professor da UNESP,
viveu dez anos como exilado político, inicialmente
no Chile e, depois, na Holanda. Essa experiência
amarga é o tema do documentário Terrorista,
de César Meneghetti. O trabalho, que apresenta
um diálogo entre o diretor e Camargo, entremeado
de imagens da época, foi apresentado no dia 24
de setembro, no Centro de Documentação
e Memória (Cedem), na Praça da Sé,
em São Paulo. Após a exibição,
houve um debate com o protagonista e o criador do filme.
Microbiólogo, Camargo lecionou na Faculdade
de Odontologia de Araçatuba, entre 1960 e 1969
e, após a anistia política, de 1980 até
sua aposentadoria, em 1991, quando a unidade já
integrava a UNESP. Na obra, Camargo, hoje com 75 anos,
conta sua trajetória, que se funde com a dinâmica
histórica brasileira, num momento conturbado,
quando o regime militar restringiu liberdades e perseguiu
oponentes.
A narrativa apresenta situações dramáticas
enfrentadas pelo ex-docente, como a necessidade de também
fugir do Chile, onde se refugiara, depois do golpe liderado
por Augusto Pinochet, em 1973. De qualquer forma, o
ex-exilado disse que evita recordar os momentos ruins.
Prefiro lembrar da solidariedade das pessoas,
daqui e de outros países, argumentou.
Para o diretor, o objetivo do documentário é
focalizar a história do Brasil por meio de uma
testemunha direta dos fatos. Narrar a história
de um brasileiro vivendo sem o Brasil foi muito emocionante,
porque ela se une um pouco com a minha trajetória,
já que não moro no País há
20 anos, afirmou Meneghetti, que vive em Roma.
Obra premiada
Além de Camargo e Meneghetti, o debate após
a exibição teve a presença de Carlos
Botazzo, ex-aluno do microbiólogo, e foi mediado
pela coordenadora do Cedem Anna Maria Martinez Correa.
Ao abrir as discussões, Camargo agradeceu a iniciativa
do Centro. É muito emocionante voltar à
sala onde fui conselheiro, ressaltou, numa referência
à antiga sala onde se reunia o Conselho Universitário
da UNESP.
Na seqüência, foi a vez de Botazzo expor
suas idéias sobre Terrorista. É
interessante ver o modo que as pessoas se questionam
após assistir ao documentário, disse.
As discussões com o público abordaram
temas que foram de democracia e repressão até
o Bolsa Família.
O projeto do documentário foi aprovado pela
Lei de Incentivo à Cultura do Ministério
da Cultura e recebeu o prêmio de produção
de curta para mídias digitais no IV Programa
Petrobras Cultural 2005/2006.
Mais informações sobre o filme
podem ser obtidas no blog:
www.filmeterrorista.blogspot.com
Danilo Koga
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