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Entrevista - Renato Janine
Ribeiro
Avaliação será mais rigorosa
e quadriena
Diretor da Capes discute temas como resultados da mais
recente avaliação trienal, novos quesitos
e prazos para analisar programas e acesso a periódicos
científicos no portal da agência federal
A avaliação
nacional dos programas de pós-graduação,
organizada pela Capes (Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)
será cada vez mais rigorosa e abrangente. Na
mais recente avaliação, foi levado em
conta mais um quesito, o de inserção social,
e, até 2010, outras exigências, como inovação
tecnológica e registro de patentes, serão
consideradas na atribuição de conceitos.
Além disso, as avaliações passarão
a ser quadrienais, com reavaliações a
cada dois anos dos programas com melhoras ou pioras
significativas.
Essas novidades foram anunciadas pelo diretor de Avaliação
da Capes, Renato Janine Ribeiro, em entrevista exclusiva
ao Jornal UNESP. Entre outros temas, Ribeiro comentou
os resultados da avaliação trienal 2004-2006,
anunciados em outubro, em que foram analisados 2.266
programas.
Jornal UNESP: Como o senhor analisa os resultados da
avaliação trienal dos cursos de pós-graduação?
Renato Janine Ribeiro: Quanto à coleta e análise
de informações, demos saltos gigantescos,
que constam numa série de artigos no Portal da
Capes http://www.capes.gov.br/servicos/salaimprensa/artigo_avaliacaotrienal.html.
As avaliações garantem à nossa
pós-graduação uma qualidade que
nenhum outro nível de ensino brasileiro alcança
e evitam que os alunos sejam orientados ou ensinados
por quem não pesquisa.
JU: Houve um aumento de cursos com avaliação
1 e 2. Como esses resultados devem ser interpretados?
Janine: Geralmente, as pessoas se atêm à
porcentagem de programas excelentes que subiram, mas
não é isso. O porcentual pode até
baixar, mas devido ao nível de exigência,
que aumenta a cada ano. Por exemplo, na última
avaliação, passamos a incluir o quesito
inserção social, com peso de 10%.
JU: Qual é o impacto da avaliação
da Capes para a produção científica?
Janine: Com o investimento de R$ 7 milhões por
ano na avaliação dos cursos de mestrado
e doutorado no País, em vinte anos, a formação
de doutores se multiplicou por dez e a produção
científica qualificada, por nove. A Capes, bem
como outras agências, investiu também em
fomento. Enquanto a produção do mundo
dobrou, desde a década de 1980, a do Brasil cresceu
nove vezes. Nenhum outro país tem uma avaliação
que se compare à nossa, aliás, a maior
parte nem avaliação tem.
JU: Qual é o impacto do Portal da Capes para
o aumento da produção científica
brasileira, principalmente em relação
ao acesso a periódicos
científicos?
Janine: No início, o custo do Portal era próximo
do que a Capes despendia para assinar revistas em papel,
o que só beneficiava algumas instituições.
Sete anos depois, passamos de 2 mil para 11 mil periódicos
assinados, sem contar com as bases de patentes e de
outros dados. Junto com a avaliação e
o sistema de fomento, o impacto do Portal foi brutal.
(Veja quadro.)
JU: Como o senhor analisa as discussões para
as mudanças do sistema de avaliação
da Capes?
Janine: Elas são importantes e nunca devem parar.
É preciso qualificar melhor a avaliação,
definir as áreas que necessitam de maior debate
e incentivo. Vamos incluir livros e produção
artística nos Qualis (sistemas de classificação
dos veículos de divulgação científica),
e também quesitos como patentes e inovação
tecnológica. O desafio é manter a avaliação
trienal até 2010 e transformá-la em quadrienal
no período seguinte. Em 2014, será a primeira
quadrienal, analisando o período 2010-2013. Ao
fim de dois anos, em 2012, vamos verificar os programas
que se afastaram significativamente da média,
para cima ou para baixo. Eles serão repescados
para promoção ou rebaixamento.
JU: Quais as vantagens dessa mudança na periodicidade?
Janine: A eventual avaliação quadrienal
coincidiria com o final do mandato do presidente da
República. No nosso caso, uma mesma diretoria
conduziria o processo inteiro de avaliação.
É o mesmo que o professor Macari, quando pró-reitor
da UNESP, instituiu ao criar um mandato de coordenador
de pós-graduação que coincide com
o período de avaliação da Capes.
Foi uma grande idéia, porque cada coordenador
fica responsável pela nota de seu programa. Aliás,
na gestão Macari, a Pró-reitoria da UNESP,
ora com a professora Marilza, tem sido uma das que melhor
interagem e atuam com a Capes.
JU: Como a Capes administra as tarefas de fomento à
pesquisa e a avaliação dos cursos de pós-graduação
do País?
Janine: O fomento sem avaliação é
dinheiro jogado fora. A avaliação sem
fomento tem alcance limitado, se não render resultados
em termos de financiamento para os melhores programas,
aos emergentes e de áreas estratégicas
de conhecimento ou em regiões que precisam de
maior estímulo. São duas tarefas que se
combinam tanto que as demais agências e
instituições de ensino superior utilizam
a avaliação da Capes para atribuir recursos
e distribuir vagas.

| Estaduais
investem em acesso a periódicos |
| Na
última avaliação trienal
da Capes, São Paulo apresentou o melhor
desempenho em quantidade de programas e média
de conceitos. Foram 649 programas avaliados,
mais que o dobro do segundo colocado, o Rio
de Janeiro. Com nota média de 4,42,
o Estado ficou à frente do Rio Grande
do Sul, com 4,29. Em 2005, os paulistas publicaram
cerca de 6 mil artigos científicos
em revistas indexadas, mais que países
como Argentina, Chile e México.
Uma das razões deste rendimento
está no investimento, nos últimos
anos, no acesso a publicações
científicas internacionais, viabilizado
por meio do Consórcio Cruesp de Bibliotecas
(http://bibliotecas-cruesp.usp.br/unibibliweb/).
É um programa que oferece informação
complementar ao conteúdo oferecido
no Portal de Periódicos da Capes,
diz Margaret Alves Antunes, coordenadora
da Coordenadoria Geral das Bibliotecas da
UNESP (CGB). Em 2007, já foram
adquiridas bases de
e-books, totalizando mais de 150 mil títulos
em todas as áreas do conhecimento.
No Portal de Serviços e Conteúdo
Digital é possível efetuar
a busca integrada nos catálogos bibliográficos
com cerca de oito milhões de itens
entre livros, periódicos e outros
materiais, existentes nas 93 bibliotecas
da USP, Unicamp e UNESP.
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Julio Zanella
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