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Ouvidoria
Questões atuais da Universidade
José Ribeiro Junior
Seria mais confortável
e produtivo para a universidade fazer reflexões
sobre qualidade de ensino, pesquisa e extensão,
sem preocupações de ordem administrativa
e financeira. Mas é impossível não
abordar o assunto mediante os acontecimentos dos últimos
meses, que em alguns pontos agudizam-se, como no caso
da invasão da Reitoria da USP pelos alunos. A
opinião pública se divide, intelectuais
buscam razões de fundo, reitores das três
universidades públicas de São Paulo buscam
mostrar entendimentos que chegaram a bom termo
(Comunicado dos Reitores de 14 de maio), procurando
colaborar para conter a crise provocada pelo decreto
de criação da Secretaria de Ensino Superior.
As mudanças implícitas na nova Secretaria
ameaçavam não só a autonomia de
gestão financeira como, também, o próprio
conceito de universidade pública, colocando-a
no mesmo nível das instituições
particulares. É o que se pode depreender da nova
lei e algumas explicitações de autoridades.
Acreditamos que essas questões sejam objeto de
reflexão e amadurecimento, a fim de que verdades
e princípios se restabeleçam. Os primeiros
desentraves estão iniciados. O próprio
secretário da nova pasta, José Aristodemo
Pinotti, esclareceu, na Folha de S.Paulo (15/05/2007,
p. 3): É importante salientar que questões
como Cruesp, contingenciamento, aposentadoria, vinculação
orçamentária, financiamento de pesquisa,
e tantas outras, ou nunca existiram ou já foram
totalmente superadas. Não é nossa
intenção polemizar, mas faltam decretos
para regularizar os necessários remanejamentos
de verbas orçamentárias, entre outros,
de salvaguarda da universidade pública. Diríamos
até que a cota parte do ICMS (e são preocupantes
projetos que mudam a cobrança desse imposto)
destinada às três universidades do Estado
mereceria constar de Lei maior, a exemplo do que ocorre
com a Fapesp. São fundamentos desse porte que
se espera de um governador respeitado pela população
e universidades do Estado.
É necessário rever, para direcionar,
recursos e políticas de ensino que beneficiem
a sociedade, em especial a sua parte mais carente. São
alvissareiras notícias como a criação
de dez mil a vinte mil vagas nas universidades federais
nos próximos três anos. Criticável
é a distorção de igualar e mesmo
estimular a proliferação de empresas particulares
de ensino superior com vantagens tributárias
nunca vistas (V. Capitalismo sem risco,
de Fernando Rodrigues, Folha de S.Paulo, 09/05/2007).
Há exceções honrosas, sim, de faculdades
que formam bem porque cobram bem. A ascensão
social, profissional e cidadã da população
depende de investimento estatal maciço na escola
pública de todos os níveis. A universidade
pública brasileira deve manter e buscar o aprimoramento
de seu padrão de ensino criativo para ser mantida
e melhor compreendida pela sociedade e pelo poder público.
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